Rosário Mano · Capítulo 19 de 35
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Rosário

Como tal ou qual a quem se houvesse rebentado um colar de preço e se pusesse a procurar as pérolas uma a uma por frinchas e taliscas, assim vivemos nos reunindo recordações a ver se recompomos no fio da memória, todos os episódios da sua existência efêmera, desde a hora feliz do seu nascimento, a pérola menor, até a cruz do doloroso instante.

Cada vez que, a um de nós, ocorre um fato ajuntamo-lo às lembranças. Uma pérola, porém a maior, rolou no abismo e não há como reavê-la. As outras mesmas, que recolhemos, quando as tentamos engranzar logo se dissolvem em lágrimas. Toda a riqueza que se perdeu, por mais que a busquemos ajuntar, foge-nos em bagas de pranto, pérolas que nos caíram no coração, com as quais, se não refazemos o colar de outrora, formamos o rosário em que rezamos por ele a oração da saudade.

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