A pequena pesca
A pequena pesca é feita simultaneamente com a grande, no mesmo tempo e nos mesmos sitios. E’ demais, particularmente, a pesca da enchente, quando, pelas causas apontadas, aquella torna-se impossível. No verão ou vazante, o seu campo é o mesmo das pescarias do pirarucu, do peixe boi e das tartarugas, aguas em baixa ou em começo de baixa e, por fim. lagos quasi seccos, onde o peixe guloso, por não perder a farta pitança que lhes offerecem, se deixou ficar. Durante a enchente, por causa das chuvas chamada inverno, são ainda os lagos menos caudalosos, mais razos. e sobretudo os igapós que longamente se estendem pelas margens não s
O igapó è a mata invadida pela agua da enchente ea sua feição varia consoante a do terreno submergido. Sob a mata virgem, de arvores robustas e altas, espaçadas. de grande copa espessa, tem o igapó um aspectosoturno, ás vezes grandioso. Mal consegue o sói fazer penetrar ahi alguma frecha de luz, através do estreito espaço entre duas folhas. Grudam-se pelos troncos e galhos vegetações parasiticas e musgos espessos. Do alto pendem os sipós de mil fôrmas e grossuras das convulvulaeeas amazônicas, uns largos como taboas, outros delgados como tios de retroz. Urn silencio triste e pesado reina. As vezes o corta, perturbando a quietação augusta desse templo onde parece a natureza se recolhe, algum bando de macacos irrequietos e hilares, o pipillar de alguma avesinha perdida na ramagem emcima ou o bater secco do bico do pica-páo, no cerne duro de um madeiro. Zunidos de. insectos, que se confundem numa especie de còro baixo, vagaroso e abafado, como o planger pianíssimo de um orgáo, enchem a nave de folhagens e troncos de um mesmo rumor monotuno e perenne.
Nessas aguas calmas, escurecidas pela escassez da luz, espessas de apparencia, se abriga na cheia o peixe, e é talvez ahi que principalmente procrêa, desova e incuba. Acodem a ellas os pescadores, não em massa, como nas pescas descriptas, mas um a um, individualmente, a buscar o «mantimento* pr'a casa. Da canóa ou sobre um dos grossos troncos tumbados, mergulha n f agua o caniço, ou espera, frecha no arco, o peixe. As mais das vezes, para que este o não perceba faz um •«mutá» e de cima d’elle, commodamente sentado, pernas caidas no ar, arma prompta, cigarro nos queixos, pacientemente o aguarda. Dous páos fortes, perpendicularmente fincados e paraleiiamente postos, palmo e meio ou dous palmos entre si, e pelos quaes, de espaço em espaço, amarraram com cipós ali mesmo colhidos, outros páos, à guisa de degráos, formam o mutá. As vezes duas arvores mais finas, juntas, dispensamnos de parte do trabalho. Limitam-se a amarrar os degráos;
outras vezes a disposição especial de alguma outra arvore os livra de toda pena, ou desobriga-osdella com a insignificante de pol-a a geito de uma posição commoda em cima e de facil subida e descida para buscar o peixe e a frecha. Com pouco, assistiremos a esta oesca.
Na pequena pesca, a do tambaqui vem em primeiro lugar. E’ um peixe grande, largo, carnudo e saboroso. Attinge a 50 e 00 centimetros, com uma altura maxima de 22 a S0. Nos mezesque se seguem á enchente. Julho e Agosto no Alto, Agosto e Setembro no Baixo-Amazonas, estão os tambaauis muito gordos e são então muito appetecidos. E* também aproveitada a sua gordura na fabricação de um oleo ou manteiga de tambaqui, utilisada na illuminação e na cosinha. Pescado em quantidades consideráveis, nos lagos e igarapés centraes naquelles mezes, é aproveitado, não sómente fresco, mas ainda secco e moqueado. Por estes processos conservado, encontra-se nas tabernas das povoações, á venda. Fornece também, segundo a opinião geral, o melhor piraeui. Chega a sua abundancia a ser tal nessa época que quasi fica sem preço, e os pescadores que cbegam cora as canòas abarrotadas delles a Manáos, depois de os venderem a vil preço, distribuem o resto pelos presos da cadeia publica.
Fresco é delicioso, principalmente a parte carnuda do thorax, adherente ás compridas costellas. Assado um tambaqui pelo processo indígena, aberto pelo peito, limpo rapidamente das entranhas ali no rio, sobre o fogo vivo de uma fogueira, ou nas grades de um muquem, ou ainda mettido na racha de um pão. adrede feita, e fincado no chão, pendido sobre o fogo, merece e muito essa parte do peixe o renome gastronomico que na região tem.
Yarios são os processos e manhas com que os pescam. Além dos processos geraes da rède, da linha, da tarrafa, das tapagens e armadilhas, mais adiante descriptas, para estes e outros peixes empregados, são peculiares á pesca do tambaqui ou particularmenteusados nella alguns outros.
Alimenta-se elle das fructas de diversas arvores e arbustos — catauari, jauari, taperebá, (o cajá do Sul), taquari, taquarirana — que crescem pelas beiradas e fructificam pela enchente. Chamam-as genericamente fructas de tambaqui. Desprendenoo-se maduras dos galhos, caem as fructinhas, produzindo o som caracte*ristico de um pequeno corpo espherico penetrando d’alto n’agua. A este som acóde o peixe, que por ali andaá espera do fructo e, com a voracidade, peculiar aos peixes, atira-se a elle e engole-o. Deste seu habito aproveitaram-se os indígenas para apanhal-o, e a darmos credito as suas historias em que o exagero, o maravilhoso, anda frequentemente de par com a verdade, foram as onças as suas mestras desta pescaria. Colloca-se a onça sobre um páo da margem ou no recesso sombrio do igapó e com a extremidade em borla da cauda bate a agua, a fingir a quedada fructa do tambaqui. Corre este áquelle ruído e a féra, com a sua rara agilidade, atira-selhe em cima e vae buscal-o mesmo no fundo, si é preciso, porque ella «nada que nem peixe.»
Não podendo em tudo imital-a inventou o indígena um caniço na extremidade de cuja linha em vez de anzol ha um seixinho r dondo ou uma bola pequena, feita da costella do peixe-boi. Com esta bola, batem a agua imitando a quedada fructa, e o fazem com tanta pericia que batendo successivamente repetidas vezes, dissereis toda uma porção delias que uma a uma se desprenderam ao mesmo tempo.
Previainente outro caniço, com anzol este, foi preparado. Iscado com a própria fructa que por ali eáe, 6 posto n’agua onde sobrenada ou não, conforme a natuteza da fructa. Junto ao anzol ha uma pequena boia, para, caso seja a isca pesada, não a deixar afundar-se.
Este caniço fica posto no chão. o anzol n r agua. Com a gaponga — nome do caniço com a bóia — produz o pescador ao redor do anzol iscado o som característico da queda da fructa. Ao gostoso pasto vcrn soffrego o tambaqui, cujo dorso escuro apparece na transparência d’agua, e rápido, atirando-se a fructa. que traiçoeiramente esconde o anzol, traga-os ambos, guloso. Agarra o pescador rápido o caniço e suspende a bella presa.
O nome de gaponga, talvez fosse primitivamente aponrja , barulho, ruído, som de coisa redonda (a, espbera, semente, caroço) e pony = ponga ruído, barulho ou quiçá rjapong=rj'japonga t barulho n’agua de coisa redonda {y=tjíj, agua). Empregam também a gaponga na pesca da pirapitinga, bello e gostoso peixe, sarapintado, pouco menur que o tambaqui, Por tal maneira enche este certos lagos que nelles, de vazante, o pescam em quantidades notáveis atirando aqui e acolá, ao acaso, o harpão ou a fisga. A este modo de pescai-o chamam «gaivotear», porque imita a gaivota atirando-se d’alto, o bico feito, sobre os peixinhos de que faz presa. Realisam em geral esta pesca, corno a maior parte das outras, pela manhã, havendo previamente estabelecido na saida ou saídas do lago uma tapagem.
Juntam-se ás vezes muitos pescadores para assim «baterem» o lago, e de pé á pròa das montarias, dirigidas á pôpa por um outro, vão lançando ao lago a liaste em cuja ponta prende-se um harpão de ferro menor que o do pirarucu ou um tridente também de ferro. Fisga é o nome especial desse harpão e zagaia do tridente. Remam então as canoas com força agitando propositalmente as aguas, para que se não recolha o peixe tranquillo, no fundo, antes se mova de um lado para outro. Succede ás vezes harpoarem, em lugar de um tambaqui outros peixes, algum pequeno pirarucu, tucunaré ou pirapitinga ou mesmo algum jacaré, provocando grandes risadas de raôfa, gritarias, chufas de parte a parte lançadas, quando em vez do peixe procurado ou outro que o valha traz a potente arma na ponta algum peixinho atoa. Esta pesca assim a esmo feita é em geral, pela enorme quantidade
saberecada, bocados de que, parece, .são elles gulosos. Ha peixes que, não pegando no anzol, só podem ser apanhados mediante armas dearremeço como a frecha, o harpào, a fisga, ou por processos especiaes, como os lanços de redes e as armadilhas indígenas. Entre esses estão os peixes chamados do matto, por viverem nos alagadiços cobertos de vegetação alta, o jíjú, o jandiá, o jacundá, e ainda alguns francamente íluviaes, como o jaraqui, o cunrnata, um dos mais estimados da região, e. outros.
O curirnatá frequenta de preferencia as beiradas dos lagos e igarapés, os baixios e os igapós. Mostram-se desaeauteladamente á vista do pescador que os frecha.
O mesmo acontece com o aruana que tem os mesmos costumes. A este pegam também de anzol, adaptado a um instrumento especial denominado « caramury ».
Resume-se este apparelbo ern uma linha commum do pesca, junto de cujo anzol, a um palmo acima, poein uma boia cylindrica de uns 10 centímetros de comprimento por 3 ou í de diâmetro. Esta boia é da madeira leve caramury, que dá o nome ao instrumento. O aruaná é um peixe, si assim posso dizer, de superfície. Anda pelas primeiras camadas d’aguae em bandos apparece nas beiradas quasi á tona, offerecendo assim facil presa á frecha, á fisga e até á espingarda, que . o matam também a tiro. De anzol, porem, para pegal-o é preciso que o anzol não afunde. Isto conseguem com o caramury, que retem o anzol iscado em altura ao alcance do peixe. Ou lançam toda a linha para o meio do sitio em que pescam ou a enrolam no caramury e atiram ao longe esperando na canòa prompta que o peixe « pégue », o que a boia, sumindo-se de repente ou correndo pela superfície, mostra. Atiram-se a ella com a canoa ligeiramente remada, e agarrando-a colhem o peixe preso pelo anzol.
Na pesca do tucunaré, um dos melhores, sinão o melhor peixe da Amazônia, principalmente feita em Agosto e Setembro, empregam alem dos meios geraes indicados, dons instrumentos especiaes, si assim podemos chamar a uma simples modificação no anzol de caniço e na linha de pesca. Chamam-se estes instrumentos « pindá-uauáca » e «pindà-siririca ». O pindá siririca. é o caniço commum, cujo anzol recobriram de pennas encarnadas de arára ou mesmo de algum pedacinho de baeta dessa cor. Usam-o correndo-o ao de leve á flor dhigua do modo a dar ao tucunaré a illusão dos peixinhos daquella cor dos quaes gosta. Corre elle á superfície, atira-se ao supposío peixinho, e faz-se fisgar pelo anzol occulto sob as pencas. De arripiarem com elle a superfície d’agua, vem-lhe o nome de pindá-siririca, anzol que enruga, que rica ou encrespa a agua. O pindá-uauáca é o mesmo anzol assim preparado, não em a linha curta de um caniço, porem no mais longa linha de pesca. Soltam-a pela pòpa da canòa, distante desta alguns metros, fóra da sua esteira. Correndo a canôa com velocidade, entra o anzol, sustentado á tona por uma pequena boia e pelo mesmo andamento da embarcação, a saltar sobre a agua, exactamente como fazem os pequenos peixes, enganando assim não só o tucunaré, mas ainda outros peixes que daquelles fazem presa. O apapà é também pescado com estes deus anzóes, que são a forma indigena da « mosca » dos pescadores europeus.
Os peixes chamados do mato, muito saborosos todos, são uma das curiosidades da fauna ichthyologica da Amazônia. Habitam não só os lagos e lagoas, cobertos de mato, os igapôs centraes e marginaes, mas ainda pôças maiores d'agua dentro das matas. Alguns, como o tamuatá, meio amphibios, passam terra a dentro, de um sitio para outro. Deste exodo, feito em bando, aproveitam os moradores para os apanharem.
Nos lugares onde habitam são pescados a tarrafa, a frecha, a fisga, ou mediante armadilhas adiante descriptas. A mais rendosa, porem, das pescarias da pequena pesca é a das occasiões de piracema. As piracemas, arribação de peixes em.cardumes copiosissimos, dão-se nos principios da enchente e da vazante. Na lingua geral quer dizer saída do peixe ( pirá , peixe, cemcema t sair, saída). Os peixes de piracema chamados, isto é.
loS íiquelles que arribam em bandos numerosos, são o jaraqui, a piramutaba, o curiroatá, o aracú, o pacú, a pira" pitinga. E ? curioso observar que a piracema sobe sempre o rio, contra a corrente e jamais desce o curso d’agua.
Deixando os lagos marginaes, os ailluentes, ou um rio principal remontam aquelie para onde saem, como que a procurar-lhes as cabeceiras. Sobem então o proprio Amazonas e seus ailluentes em bandos numerosíssimos, pondo nTima grande facha d’agua ura fervilhar que lembra as correntes marinhas cortando o oceano em calma. A cada momento brilham-lhes fóra delia, galgada a cada passo pela carreira precipitada em que vão, ao sói vivo, as suas escamas prateadas ou pelles lisas. Ao meio do cardume, da piracema como dizem elles, acodem os pescadores de tarrafa, de fisga, de frecha, ou de zagaia, quando o não encontram com um bom lanço de rède. E’ litteralmente de enchei* canoas esta pesca ;
tão compacto vae as vezes o peixe que o tridente da zagaia traz tres indivíduos de cada vez. Em certos lugares collocarn canoas atravessando a passagem da piracema e com outras ou mesmo por agua, guando dã pé, vão com frondes de palmeiras, tocando o peixe pelo fundo e fazendo-u saltar. Fustigado salta elle em bandos, enchendo as embarcações. A esta pesca chamam de « xeripana » ou « giribana », nome que dão á fronde de palmeira para este fim aproveitada. Entretanto xeripana, parece apenas significar ern tupi — tocado, fustigado por mim— xe eu, xe ri por mim e pan=pana, íustig»r, tocar, bater.
No Tocantins as mais numerosas piracemas são as do mupará, que é também o mais abundante peixe desserio. São reputados os maparás de Cametá, pescadosdurante a piracema ou nas tapagens e cercados no seguinte capitulo descriptos.
A ruim pirahiba (atua, ruim, mão) disputa ao pirarucu a primasia da corpulência entre os peixes da Amazônia. Como elle attinge a cerca de dous metro3. E’ volumosa, bruno-esbranquiçana, de pelle grossa. Frequenta principalmente o Amazonas e as porções mais caudalosas do curso inferior dos seus aílluentes no Baixo-Amazonas. Raro penetra algum lago, farto d’agua. Anda geralmente ao largo, sem embargo da forte corrente do Amazonas. Dã enormes saltos fóra d’agua mostrando todo o corpo, embrulhado rTum caudaloso lençol liquido. A pirahiba é considerada um do& mais despresiveis peixes da Amazônia, entretanto os portuguezes dos tempos coloniaes, mesmo os da maior gerarchia. as comiam e alguns delles as taxam de excellentes. (1) Na capital do Pará é, todavia, elemento da alimentação ordinuria e o peixe do pobre. Vende-se diariamente no mercado e as pretas apregoam-a em gamellas, ao grito de «libra, libra», peso em que já vem dividido. As pirahibas novas, em meio desenvolvimento, são entretanto, com a denominação especial de «filhotes » e « filhotinhos », geralmente comidas, não havendorealmente nenhum motivo para o não serem, sinão a sobrevivência de preponceitos do gentio primitivo. A (1) D. Fr. João de S. José, passim e autores coévos.
abundancia da pirahiba, defendida por taes preconceitos, fornecerá mais tarae ás faturas populações amazônicas um bom pescado á sua alimentação.
Pescam-a exclusivamente á linha, forte, comprida com um grande anzol á ponta, iscado com um peixe inteiro* ou um grande naco de carne. Poem-se com a sua canòa no meio do rio por onde as sabem, fundeada mediante uma pesada pedra amarrada a uma corda ou sipú.
A esta ancoragem primitiva, atráz vimos, chara im «poita», e pescarde poita ás pescas que fazem assim com a canòa ancorada. Atirada a linha ao fundo, um resto delia sempre na canòa, na previsão do primeiro arranco que 6 sempre violento, esperam. Engulidos anzol e engodo, a pirahiba sáe em forte carreira a que não resistiria uen.huma canòa. Desprende-a o pescador ranido da poita ou deixa-a correr levando-a de rasto, si não vè nisso inconveniente.
A primeira corrida assim é as vezes longa, e a presa difficil, si acerta de ser alguma pirahiba adulta que está no anzol. Por fim cançada vae ella se deixando colher e ao apropinquar-se da canòa acaba-a o pescador com o harpão ou a fisga ou a cacetadas na cabeça, si não resiste mais. Pescam-se também de terra, quando a margem fica sobre aguas profundas, e « pegam»» igualmente nos anzoes dos espinhòis atravessados em lugares de aguas por ellas frequentadas. Na região oriental caem nos curraes e cercados Quando a pescam de terra, amarram a extremidade da linha a um tronco ou galho forte ou a um esteio previamente fincado. Vaqueiros, afteitos a « aguentar »
o arranco de uma rez na ponta do laço, nao resistem ao de urna pirahiba adulta. A enchente é. como tenho dito, a sazão da pequena pesca. Nessa quadra são principalmente os igapós, já vimos, os sitios mais abundantes de pescado e, portanto, os mais frequentados pelos pescadores. D’ahi de cima do mutá descripto esperam com a sua proverbial paciência o peixe para o frecharem. Essa operação difficilima, em que tém de levar em conta o phenomeno da refraeção, a executam, tal a sua pericia dada por um longo habito e por aptidões hereditariamente transmittidas, com rara habilidade e simplesmente, sem lhe darem valor. Trepados no mutá, silenciosos, quietos, a frecha sobre o arco, rebusca-lhes o olhar affeito os peixes que vera ao pasto das fructinhas que de cima caem ou sem causa conhecida gandaiam isolados ou em grupos nas primeiras camadas daquellas aguas mansas.
Para attrail-cs, — ao menos crèem fazel-o, os pescadores produzem com a bocca certos sons,imitativos das vozes de determinados peixes ou de ruido especial por elles produzido á flor d'agua. Para o aruanã, assobiando, um silvo doce, alongado, fino, triste; para o acaráassú, dando estalidos com a lingua no céo da bocca, como fazemos tocando um cavallo ; para o tucunaré, batendo os lábios um no outro, imitando o ruido que elle faz quando atira-se aos peixinhos para pegal-os á tona d'agua. Apparecendo elles, varam-os com a frecha, certeiramente disparada, e curvando-se para a agua, agarrados ao mutá, com o mesmo arco, aproveitando o angulo entre a extremidade da corda e da madeira pelo qual fizeram passar a frecha de bubuia com o peixe morto, o colhem. Sinão descem prestos e com a canòa ah junta o apanham.