O Violino Mágico Histórias da Avózinha · Capítulo 5 de 51
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O Violino Mágico

Dário era um bom mocinho, alegre e esperto, estimado por todos que o conheciam. Um dia despedindo-se de sua família e de seus amigos, saiu de casa, para ganhar honradamente a vida. Ele era o mais velho dos cinco filhos que tinha o tio Pedro; e como a miséria lhes batia à porta, forçoso foi que o moço saísse, para não sobrecarregar o pai, em prejuízo dos irmãos menores, e também para ver se melhorava de sorte. Ao despedir-se, o pai lhe dera por toda fortuna uma moeda de prata; e ele julgou-se rico, porque não conhecia o valor do dinheiro. Caminhava alegremente pela estrada que conduzia à cidade, quando encontrou um velhinho, abrigado à sombra de uma árvore, gemendo e chorando. Dotado de excelente coração, Dário tratou desveladamente do enfermo, e deu-lhe a sua única moeda de prata. O velhinho, agradecido, disse: – Já que foste tão caridoso, vou fazer-te um presente. Aqui tens este violino. todas as vezes que o tocares, quem o ouvir não poderá resistir ao desejo de dançar. Dário saiu satisfeito com o presente, e pouco adiante, encontrou-se com um judeu, homem avarento, que espoliava todo o mundo, emprestando dinheiro a altos juros, em troca de bons e valiosos penhores de prata, ouro e pedras preciosas, que nunca mais entregava aos respectivos donos. Naquele mesmo instante o judeu acabava de perder um vintém, e procurava-o aflitamente, como se se tratasse de imensa fortuna. O moço ofereceu-se para ajudá-lo; e, como tinha boa vista, enxergou a moeda de cobre caída no meio dos espinhos. Ia apanhá-la, mas o avarento não o consentiu, pensando que Dário fosse capaz de roubá-la. – Ah! judeu, disse Dário consigo mesmo: desconfias de mim! Deixa estar que mo pagarás... Esperou sentado; e, assim que viu o miserável dentro dos espinhos, começou a tocar o violino. O judeu, escutando aqueles harmoniosos sons, começou a dançar; e quanto mais Dário tocava, tanto mais ele saltava, quase sem fôlego, rasgando a roupa, ferindo-se nos espinhos. – Pára!... Pára!... cessa esse violino do diabo! Pára, que já não posso mais! berrava o judeu, desesperado, sempre a dançar. O rapaz, porém, continuava sempre a vibrá-lo. – Pelo amor de Deus, pára com essa música, que te darei uma bolsa de ouro!... disse, enfim, o avarento. – Ah! isso é outro modo de falar! respondeu o mocinho, emudecendo o mágico violino, depois que o judeu atirou a bolsa.

No dia seguinte, chegando à cidade, Dário foi preso. O judeu tinha ido queixar-se que havia sido roubado por ele. O moço foi condenado à morte. No momento em que subia para a forca, pediu que lhe permitissem tocar pela última vez o violino. O avarento, que estava ao pé do cadafalso, gritou logo: – Não o deixem tocar mais!... Não o deixem tocar!... O juiz, porém, que não via razões para recusar, acedeu. Dário começou a vibrar o violino, e imediatamente todos – juiz, carrasco, soldados, homens, mulheres, velhos e crianças – todos começaram a dançar. – Basta! gritava o juiz. – Basta! gritava o povo. Dário cessou a música. O juiz convenceu-se que o rapaz não era criminoso, perdoou-o, e mandou enforcar o judeu.

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