O Cágado E O Urubu Histórias da Avózinha · Capítulo 37 de 51
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O Cágado E O Urubu

O cágado e seu companheiro urubu foram convidados para uma festa no céu. O urubu, querendo debicá-lo, disse: – Então, compadre cágado, já sei que vai à festa e eu quero ir em sua companhia. – Pois não, respondeu o outro, contanto que você leve a sua viola. Separaram-se, ficando o urubu de ir à casa do cágado, para irem juntos. No dia seguinte, logo muito cedo, o urubu apareceu. O cágado estava à janela, e assim que o viu voando, escondeu-se. O outro entrou, e foi a mulher quem o recebeu. Convidou-o a passar para a sala de jantar. – Venha cá para dentro tomar uma xícara de café. Deixe aí a sua violinha, que ninguém a quebra. O cágado, assim que o urubu passou, meteu-se dentro da viola. – E seu marido, comadre? – Ora, mandou pedir mil desculpas, mas já foi adiante. O urubu, acabando o café, pegou na viola sem nada desconfiar, abriu vôo e chegou ao céu. Perguntaram-lhe pelo cágado, sabendo que haviam combinado vir juntos. – Qual! Pois vocês pensam que ele vem? Quando lá embaixo ele nem sabe andar, quanto mais voar! Pilhando-o distraído, o cágado saiu da viola e apareceu no meio dos outros, que se admiraram muito ao vê-lo. Dançaram e brincaram até tarde. Acabada a festa, usando do mesmo estratagema, o cágado meteu-se dentro da viola. O urubu descia voando, quando o cágado se mexeu sem querer.

32 Ironizar.

– Ah! é assim que você sabe voar? Pois voa mais depressa, exclamou o companheiro virando a caixa. O cágado despenhou-se daquela imensa altura, e, quando vinha cegando à terra, vendo que ia se esborrachar sobre uma pedra, começou a berrar: – Arreda, pedra, senão eu te esborracho! Quem caiu foi ele, que se achatou completamente, ficando com a forma que ainda hoje conserva.

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