O Macaco E O Moleque Histórias da Avózinha · Capítulo 25 de 51
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O Macaco E O Moleque

Iaiá Romana era o apelido porque toda a gente conhecia uma velhinha que possuía uma bela roça, onde havia além de muitas outras frutas, uma bela plantação de bananeiras.

Quando as bananeiras estavam carregadas de cachos, a velha não tinha por quem mandar tirá-las, se sorte que ficavan maduras, e eram comidas pelos passarinhos, ou apodreciam. Um dia, apareceu-lhe na roça um macaco, que lhe disse: – Ó tiazinha, por que é que a senhora não colhe essas bananas, que já estão maduras, e não as põe na dispensa? Se não tiver quem lhe faça esse serviço, aqui estou eu, ao seu dispor. Romana aceitou o oferecimento. O macaco, porém, assim que se pilhou trepado nas bananeiras, começou a comer as maduras e jogar as verdes para a velha, que , desesperada, jurou vingar-se. Desde esse dia, vivia constantemente a procurar um meio de apanhá-lo. Qual! O bicho era esperto, e ela ficava sempre lograda. Mas, um dia, a velha lembrou-se de fazer uma figura de alcatrão, fingindo um moleque, e colocou-lhe um tabuleiro de bananas bem madurinhas no cabo, como, se as estivesse vendendo. Poucas horas depois apareceu o macaco. Supondo que era mesmo um pretinho, pediu uma banana. O moleque ficou calado. – Moleque, dá-me uma banana, senão levas um sopapo! gritou. O moleque permaneceu calado, e o macaco desandou-lhe a mão, ficando com ela grudada no alcatrão. – Moleque, larga a minha mão, senão levas outro sopapo!... repetiu o macaco. E o moleque sempre calado. O macaco soltou outro bofetão, e ficou com a outra mão grudada. – Moleque! moleque! larga as minhas duas mãos, senão levas um pontapé!... berrou o mono, enfurecido. Como é bem de ver, o moleque calado estava e calado continuava. O macaco deu-lhe um pontapé, ficando com o pé preso. – Moleque dos diabos, larga meu pé que te dou outro pontapé! exclamou. E o moleque calado. O macaco deu outro pontapé, e ficou com os pés presos. Aí não se conteve mais, e disse: – Moleque dos infernos, larga os meus dois pés e as minhas mãos, senão te dou uma umbigada! E o moleque calado. O macaco deu-lhe uma umbigada, e ficou completamente agarrado ao alcatrão. Assim que o viu preso, Iaiá Romana apareceu, foi ao mato, cortou umas varinhas, e começou a dar-lhe com toda a força uma sova enorme, enquanto ia dizendo: – Eu não te disse, macaco, que havias de me pagar? Toma lá agora, para não vires caçoar comigo! O macaco tanto se debateu, que afinal conseguiu se livrar do alcatrão, e nunca mais quis graças com a velha Romana.

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