A Pegada na Avenida
O gigante ficou imóvel por tempo suficiente para que todos percebessem o tamanho dele em partes. Primeiro os pés, afundados na grama alta, cada um maior que o pátio lateral do templo. Depois as mãos, abertas ao lado do corpo, com unhas gastas por trabalho e pequenos cortes secos nos dedos. Por fim o rosto, jovem demais para aquela altura absurda, inclinado sobre os humanos com a mesma cautela de uma criança diante de uma caixa cheia de insetos raros. Harauto manteve as mãos erguidas. Atrás dele, Renji organizava soldados feridos com gestos mínimos, Senda segurava o braço quebrado de um marinheiro, e Minae recolhia crianças para longe do portão sem tirar os olhos da criatura.
O gigante disse alguma coisa. A voz chegou grave, lenta, cheia de consoantes arrastadas, e fez telhas soltas vibrarem no chão. Ninguém entendeu. Um bebê começou a chorar no colo da mãe. O gigante recuou meio passo, assustado pelo som pequeno, e esse meio passo bastou para derrubar parte de uma árvore próxima. O tronco caiu no capim com estalo pesado. Pessoas se encolheram. Harauto desceu um degrau, ainda com as mãos visíveis, e apontou primeiro para o próprio peito. "Harauto", disse, sem gritar. O gigante franziu a testa, levou a mão ao próprio peito e respondeu com duas sílabas que soaram ásperas. Minae repetiu baixinho, tentando prender o som. "Ka... rum? Karum?"
Antes que alguém tentasse outra aproximação, uma segunda voz veio do campo, distante e mais dura. O jovem gigante virou a cabeça na direção da planície. Seu rosto mudou. Medo, culpa, urgência. Pegou a cesta caída, esmagando parte da grama, e afastou-se com passos rápidos que sacudiram o templo. Na pressa, deixou cair uma fruta amarela, redonda, do tamanho de uma caldeira. A fruta rolou até bater no muro quebrado e abriu rachadura doce no ar, cheiro de melão, casca verde e leite. Crianças olharam para ela com fome imediata. Renji levantou a mão para impedir qualquer corrida. Harauto olhou para o rastro deixado pelos pés do gigante. Cada marca formava uma bacia funda, com grama deitada em círculos e água brotando pelo fundo.
Takamori aproximou-se com a caixa de chá contra o peito. "Devemos recolher todos para dentro e fechar os portões." Harauto olhou para o templo. O portão principal tinha dobradiça partida, metade do muro caíra, e o telhado deixava passar luz por três aberturas novas. Fechar portões naquele lugar serviria apenas para dar forma conhecida ao medo. "Primeiro água, feridos e contagem", respondeu. Takamori respirou com dificuldade, sujo de poeira até as sobrancelhas. "A etiqueta imperial recomenda que se estabeleça centro de comando." Minae, que passava levando duas crianças pela mão, apontou para a grama alta. "A etiqueta imperial sabe onde fazer xixi sem virar almoço de bicho?" Harauto quase respondeu. Senda respondeu por ele: "Centro de comando começa pela latrina."
A frase organizou o pátio melhor que qualquer proclamação. Senda dividiu os marinheiros entre feridos, perímetro e água. Renji colocou seus soldados para retirar pedras das escadas. Minae montou uma lista com carvão riscado em uma tábua: vivos, feridos, crianças sem responsável, idosos, documentos, comida. Jiro levou pescadores para examinar a fruta gigante antes que alguém comesse. Takamori ficou ofendido por receber a tarefa de registrar nomes, até perceber que sua caligrafia era a única capaz de sobreviver ao pânico sem virar rabisco. Harauto ajudou a remover uma viga caída de cima de uma mulher presa pela perna. Ela o chamou de príncipe só depois de estar livre. Antes disso, chamou de moço.
No começo da noite, descobriram que o bloco de terra onde o templo pousara ficava ligado por uma encosta irregular a outro fragmento maior, talvez parte de Tóquio. Entre os dois havia um campo de grama alta, pedras negras e poças de água morna. Do lado distante, luzes fracas tremiam entre prédios tortos. Senda usou a luneta e reconheceu um trecho da capital pelo contorno de um viaduto quebrado. Harauto sentiu o corpo inteiro responder antes da razão. O palácio podia estar naquele fragmento. O imperador, a fila do carvão, a escola do menino, o depósito aberto, todos talvez estivessem a menos de uma hora ou a uma morte de distância. Renji recomendou esperar até o amanhecer. Minae disse que esperar sem saber se havia água do outro lado também era risco.
Decidiram enviar uma patrulha pequena. Harauto iria, o que gerou protesto imediato. Renji alegou dever de proteção. Takamori alegou continuidade dinástica. Senda alegou que mãos feridas seguravam mal corda. Minae não alegou nada; apenas olhou para Harauto de cima a baixo e perguntou se ele conseguiria correr sem cair na própria capa. Ele tirou a capa e entregou a um monge. "Agora consigo." A patrulha saiu com duas lanternas cobertas, três cordas, uma garrafa de água, facas, o mapa dobrado de Minae e uma faixa branca amarrada em vara de bambu. Não sabiam se sinal de paz valia naquele mundo. Valia ao menos para lembrar a si mesmos que pretendiam tentar.
A grama chegava ao peito de Harauto e acima da cabeça de Minae. O campo tinha vida própria em escala cruel. Besouros do tamanho de punhos passavam entre folhas grossas. Um verme pálido surgiu debaixo de uma pedra e desapareceu em túnel úmido. Pólen grudava na pele e ardia nos olhos. A cada dez passos, Renji parava para ouvir. Sons vinham de longe: um rangido prolongado, talvez árvore; batidas espaçadas, talvez passos; um canto grave que podia ser vento entre pedras ou língua de gente enorme. Minae marcava o caminho quebrando talos e prendendo fitas vermelhas tiradas da própria bolsa. "Se precisarmos voltar correndo, sigam o vermelho", ela disse. "Se o vermelho acabar, sigam meu palavrão."
O primeiro fragmento urbano apareceu de repente. Um pedaço de avenida afundara na planície, inclinado, com postes dobrados e faixas brancas ainda visíveis sob poeira. Harauto reconheceu os trilhos de bonde desativado e uma placa azul caída: Avenida Hibiya. Uma parte da capital tinha vindo junto, arrancada com asfalto, bueiros, raízes de árvores ornamentais e uma banca de jornal esmagada. No meio da avenida, ocupando quase toda a largura, havia uma pegada. Não de lama simples, porque o asfalto cedera em placas. A marca afundava a rua em forma de calcanhar, arco e dedos, quebrando os trilhos e abrindo água de cano rompido nas bordas. Harauto parou antes de chegar perto. A pegada vinha de outro gigante, maior que o jovem da cesta.
Minae ajoelhou e tocou a borda da marca. "Recente." Renji mediu com passos. Do calcanhar ao dedo maior, precisou de vinte e sete. Senda anotou em papel molhado. Jiro, que insistira em acompanhar a patrulha por conhecer cheiro de água ruim, examinou o líquido que subia pelos trilhos partidos. "Doce", disse depois de provar uma gota e cuspir. "Cano da cidade." Aquela informação simples doeu em Harauto. Água de Tóquio ainda corria sob a avenida, perdida para uma pegada. Alguém do outro lado talvez abrisse torneira e recebesse ar. Alguém talvez estivesse preso em prédio sem saber que a rua diante de casa tinha sido pisada por uma criatura capaz de não notar um bairro.
Um gemido veio do quiosque esmagado. Renji ergueu a mão, e todos ficaram parados. O som repetiu, humano, abafado. A patrulha correu até a banca de jornal. Debaixo de placas de madeira e revistas molhadas havia um homem com o peito preso por uma viga fina, ainda consciente. Vestia uniforme de entregador municipal. Minae o reconheceu antes de Harauto. "Shun?" O rapaz abriu os olhos inchados. "Minae?" Ela praguejou, arrancou uma tábua e mandou Renji levantar a viga em três tempos. Harauto segurou o ombro do entregador enquanto Senda enfaixava um corte na cabeça. Shun disse que havia dezenas de pessoas no prédio de escritórios perto da estação, talvez centenas no subterrâneo. Disse também que um pé descera na avenida quinze minutos depois da queda.
"Viu quem pisou?" perguntou Senda. Shun respirou pelo nariz, buscando ar sem mover costelas. "Velho. Ou parecia velho. Tinha vara. Bateu no chão antes de andar. Não olhou para baixo." Renji olhou para a marca no asfalto. Um gigante cego ou apenas distraído seria tão letal quanto um inimigo. Minae deu água a Shun em tampa de garrafa. "O palácio?" Harauto perguntou antes de conseguir segurar a pergunta. Shun apontou para o norte com esforço. "Vi muro branco quando a poeira baixou. Depois ouvi sino. Não sei qual." O sino podia ser templo, escola, abrigo ou palácio. Era suficiente para continuar.
Levar Shun de volta custaria tempo e braços. Deixá-lo ali seria condenação. Harauto decidiu improvisar maca com duas lanças e pedaços da banca. Renji criticou a perda das lanças; depois prendeu os nós melhor que todos. Minae recolheu jornais secos para acender fogo depois. Em uma capa amarrotada, ainda se lia uma manchete antiga sobre retomada econômica que jamais chegara. Harauto guardou a folha sem saber por quê. Talvez para lembrar que promessas impressas também podiam acabar debaixo de uma pegada. Senda marcou a avenida com carvão no mapa: Hibiya, água rompida, sobrevivente, pegada de ancião gigante, direção norte.
Antes de voltarem, ouviram vozes humanas vindas de um prédio inclinado. Não gritos. Vozes organizadas, chamando nomes por andar. A entrada principal estava bloqueada por vidro e metal retorcido. Minae encontrou uma porta lateral, mas uma mesa caída impedia abertura total. Harauto e Renji empurraram juntos. Lá dentro, o ar cheirava a poeira de concreto, papel molhado e banheiro quebrado. Vinte e três pessoas ocupavam o saguão: funcionários de arquivo, duas crianças de uniforme escolar, um homem com terno rasgado, uma enfermeira com bolsa de remédios e uma senhora carregando um gato dentro de caixa de impressora. Ao ver Harauto, alguns se curvaram por hábito, outros continuaram sentados, cansados demais para monarquia.
Harauto não pediu reverência. Pediu lista. A enfermeira chamava-se Natsuko e já tinha separado feridos por gravidade em folhas de reunião. Uma criança segurava o lápis. Havia gente presa no segundo andar, elevador caído no poço, escada bloqueada por armário. Renji quis retirar todos logo. Natsuko apontou para a rua. "Com aquela pegada? Aqui tem parede. Lá fora tem pé." Senda concordou parcialmente. O prédio podia ruir se outro tremor viesse. A avenida podia receber novo gigante. Harauto procurou solução visível. O saguão tinha janelas altas, cortinas grossas de pano sintético antigo, divisórias e cabos. "Cordas pelas janelas dos fundos", disse. "Retirada pelo beco até a marca vermelha de Minae."
Minae abriu um sorriso rápido. "Minha rota ganhou nome oficial." Ela e Senda subiram para o segundo andar com Renji, enquanto Harauto ficou no saguão ajudando Natsuko a preparar feridos para remoção. Uma senhora pediu notícia da capital. Harauto respondeu que partes da cidade tinham sobrevivido e que o palácio seria procurado ainda naquela noite ou na manhã seguinte, conforme os feridos permitissem. Não prometeu reencontro. Prometer antes de rota era falta de respeito. A mulher aceitou a resposta e lhe entregou a caixa com o gato para liberar as mãos. O animal, ofendido por existir dentro de um escritório quebrado em outro mundo, arranhou a tampa e miou contra o peito do príncipe.
A retirada levou quase duas horas. Pessoas desceram por janelas com cintos, cortinas trançadas e cabos de impressora. A palavra trançadas incomodou Harauto sem motivo literário algum; parecia coisa de mundo antigo reaproveitada pelo novo, e talvez fosse apenas isso. Natsuko saiu por último, com a bolsa de remédios entre os dentes enquanto ajudava um homem a apoiar o pé torcido. Shun, deitado na maca, perdeu consciência duas vezes e voltou nas duas. Quando a coluna humana chegou à avenida, todos pararam diante da pegada. A senhora do gato fez sinal religioso. Uma das crianças perguntou se o dono daquele pé voltaria. Minae respondeu: "Se voltar, a gente sai da rua antes."
O caminho de retorno ficou lento. Feridos, crianças e idosos transformaram a grama em labirinto de respirações curtas. A noite subia depressa, e insetos luminosos começaram a aparecer entre as folhas, pequenos faróis verdes que acendiam e apagavam perto demais dos rostos. Um deles pousou na manga de Takara, a criança que segurava o lápis, e deixou uma marca brilhante no uniforme. Ela tentou sorrir. O gesto deu a Harauto uma coragem prática. Se havia criança capaz de sorrir com um inseto desconhecido no braço, adultos podiam carregar mais uma maca. A planície, entretanto, respondeu com um som de passos pesados ao norte.
Renji mandou todos se abaixarem. A coluna inteira mergulhou na grama. Harauto ficou de joelhos ao lado da maca de Shun, segurando a boca do entregador com delicadeza quando ele gemeu. O gigante que passava vinha com outro corpo, outra idade, outra marcha. Viam apenas pernas grossas entre talos e uma vara de madeira batendo no chão antes de cada passo. A vara tocou a terra a poucos metros da rota marcada por Minae, abrindo buraco fundo. O gigante velho murmurava sozinho. A cada passo, folhas caíam das árvores baixas. Ele seguiu em direção à avenida sem notar a fila humana. Minutos depois, ouviram o estalo do asfalto cedendo de novo. Outra pegada, talvez sobre a primeira.
Ninguém se levantou até Minae contar cem em silêncio pelos dedos. Quando voltaram a andar, Harauto percebeu que parte da coluna olhava para ele de modo diferente. Antes, esperavam ordem por cargo. Agora, esperavam porque ele também ficara de joelhos na grama, com lama na roupa e mão ferida segurando um homem desconhecido. Aquilo não criava lealdade verdadeira. Criava uma chance de obediência útil durante a próxima hora. Ele aceitou sem romantizar. No mundo novo, autoridade começava onde alguém fazia o trabalho diante dos outros.
Chegaram ao templo depois da meia-noite. O pátio ganhara fogueiras baixas protegidas por pedras, tendas improvisadas com portas arrancadas e uma área de feridos iluminada por lamparinas. Takamori havia terminado a primeira lista: cento e oitenta e sete pessoas no bloco do templo, quarenta e duas feridas, onze desaparecidas, seis mortos confirmados. Ao ver a coluna da avenida, o conselheiro empalideceu e pegou outra tábua para escrever. Natsuko assumiu a área médica sem pedir cargo. Senda entregou a ela os remédios do posto naval. Renji colocou guardas na borda da grama. Minae bebeu água direto de uma jarra e cuspiu metade por rir quando o gato da senhora fugiu para dentro do altar.
Harauto reuniu todos que ainda conseguiam ficar em pé. Não subiu em pedra alta. Ficou no mesmo chão quebrado, entre a maca de Shun e a fruta gigante que Jiro enfim declarara comestível depois de testar em si mesmo uma lasca mínima. "Encontramos parte da Avenida Hibiya", disse. "Há sobreviventes em prédios, água rompida e pelo menos um gigante velho caminhando sem olhar para baixo. Também há caminho até a cidade." Pessoas se moveram ao ouvir cidade. "Ao amanhecer, vamos abrir rota marcada, trazer feridos e procurar o palácio. Hoje, ninguém sai sozinho. Ninguém acende fogo alto. Ninguém come planta sem Jiro ou Natsuko verem primeiro. Quem sabe escrever ajuda Takamori. Quem sabe carregar ajuda Senda. Quem sabe correr ajuda Minae."
Takamori ouviu o próprio nome no meio da lista comum e não protestou. Talvez por cansaço. Talvez porque o pátio inteiro olhava para ele esperando utilidade, não nobreza. Harauto continuou. "Se virem gigante, não gritem primeiro. Abaixem. Observem para onde ele olha, onde pisa, o que carrega. Um deles nos viu e fugiu. Outro pisou na avenida sem notar gente. Ainda não sabemos quem é perigo e quem é pessoa assustada em tamanho maior. Até sabermos, sobreviveremos por distância, silêncio e registro." Senda assentiu. Minae repetiu as instruções para quem estava longe. A senhora do gato pediu para ficar perto das crianças. Harauto aceitou e ganhou, sem planejar, sua primeira guarda infantil.
Depois da fala, Jiro cortou a fruta gigante com facão e distribuiu pedaços pequenos. A polpa era densa, doce demais, suficiente para devolver cor a alguns rostos. Natsuko proibiu exagero, lembrando que comida nova também podia virar doença nova. Harauto comeu um pedaço do tamanho de dois dedos e guardou outro para Takamori, que fingiu desinteresse até morder. Minae levou uma lasca a Shun, ainda febril. Renji recusou, depois aceitou quando Senda disse que capitão desmaiado ocupava espaço médico. Por alguns minutos, a Terra de Gigantes teve gosto de fruta estranha dividida com faca suja.
Harauto só voltou ao portão do templo quando todos encontraram algum tipo de repouso. A planície estava escura, salpicada por insetos luminosos e sombras de árvores altas. Ao norte, além da grama, a Avenida Hibiya permanecia invisível, mas ele sabia que a pegada continuava lá, segurando água de cano, pedaços de trilho e a escala brutal daquele lugar. Guardou a notícia para dentro: o Japão tinha sobrevivido à ruptura, mas suas ruas agora podiam ser marcadas por um passo distraído. A diferença entre reino e migalha cabia em uma sola.
Takamori surgiu ao lado dele com a caixa de chá. Dentro estavam a carta de Aiko, a bússola quebrada e o registro rasurado. "Alteza", disse, usando a palavra com menos cerimônia que de manhã. "Se encontrarmos o palácio, seu pai precisará saber que a cidade não pode ser governada pelos mapas antigos." Harauto olhou para o campo onde o jovem gigante desaparecera. "Meu pai já sabia desconfiar de paredes. Talvez faltem pegadas para convencermos o conselho." Takamori segurou a caixa com mais força. "E a princesa?" Harauto levou a mão à ficha azul guardada no bolso, depois à carta dentro da caixa. "Aiko procurou o Pilar antes de nós. Se ela caiu neste mundo, vai procurar o ponto mais alto, a maior luz ou a maior mentira. Amanhã seguimos pela avenida."
Antes que voltassem para o pátio, um som veio da grama baixa perto da fruta cortada. Renji ergueu a espada. Minae apareceu com uma lamparina coberta. Do capim saiu o jovem gigante da cesta, agora agachado, tentando parecer menor sem sucesso. Trazia nas mãos uma tigela de barro rachada, cheia de água limpa. Colocou-a devagar no chão, longe o bastante para não tocar ninguém. Depois apontou para a própria boca, para a tigela e para os humanos. Harauto deu um passo, parou na distância que aprendera com a pegada e inclinou a cabeça. O gigante repetiu as duas sílabas de antes, batendo no peito. Desta vez Minae ouviu melhor. "Kael-Rum", sussurrou. O nome ficou no ar sem tradução, maior que medo e menor que promessa.