14 - Regras do Jogo Tudo Acaba em Pizza · Capítulo 18 de 21
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14 - Regras do Jogo

Invadi meu quarto, fula da vida. Bati a porta com força e alguns livros tombaram da estante. Os saltos quase furavam o chão a cada passada, descarregando o peso da grosseria dele.

Não acreditava naquele filho de uma égua dizer na minha cara que eu queria dormir com todos da banda. Arrr! Raiva, idiota, estúpido, grosso! Mal sabia ele que eu dormi com o Luiz antes dele, idiota! Ogro!

No banheiro, arranquei os brincos, o colar e a pulseira. A porta do quarto bateu e imaginei logo a curiosa da Babi do lado de fora, faminta por detalhes do tapa.

Deixei o banheiro e voltei para o quarto, decidida a expulsá-la também.

Era tudo culpa dela!

Dei de cara com Eduardo, plantado com cara de paisagem, encostado na minha porta fechada, olhando os livros no chão. O olhar questionador veio direto para mim.

— Sai daqui! — Limitei-me a apontar para a porta, ordenando sua volta imediata por onde entrou. A raiva era tanta que eu poderia lhe enfiar outro tapa agora mesmo.

Eduardo continuou me encarando com aquela seriedade, e simplesmente desviei o olhar, sem conseguir sustentar o contato. Fui irritada na direção dele e alcancei a maçaneta ao lado para expulsá-lo.

— Eduardo! — exclamei, transbordando espuma pela boca. Ele esquivou-se e firmou o corpo contra a porta, bloqueando minha saída. Parei por um instante, respirando fundo, mas os nervos continuavam no limite.

A pressão dos seus dedos na minha cintura foi súbita e o mundo inclinou até o choque contra o peito dele interromper a queda dos meus saltos.

— Me larga! — exigi, encarando sem nem piscar. Se ele pensava que eu estava brincando...

Bem, eu não estava para gracinhas hoje.

Sorriu torto, como se pouco importasse qualquer palavra dita por mim. Babaca, arrogante!

— Você me bateu! — cortou secamente.

— Você mereceu! — respondi sem me deixar intimidar. — E se não me largar eu vou te bater mais ainda!

Aquele deboche me tirou do sério; ousado, grosseirão! Que audácia entrar no meu quarto depois de me ofender daquela forma?

— Me larga! — gritei, descarregando a fúria bem na cara dele.

Ergui os braços e soquei o seu peito sem parar, embora soubesse que cada golpe era inútil. Ele deixou. Esperou. Só então a mão direita subiu pela minha nuca enquanto a esquerda envolvia meu corpo, apertando-o contra seu quadril. O contraste dos dedos frios contra o calor da minha nuca disparou um choque que desarmou a sustentação das minhas pernas. Os dedos correram pelos meus cabelos e prenderam com força, puxando-os para trás.

A tensão nos fios forçou meu rosto para o alto, arrancando um som involuntário que a garganta não conseguiu conter. Ainda sob esse domínio, senti meu tronco inclinar levemente para trás. Fiz uma careta de dor enquanto ele sustentava a pressão.

— Quando foi que você se tornou essa menina travessa? — Colou o rosto no meu pescoço sentindo o meu cheiro. Arrastou aos poucos a barba por fazer enquanto subia para a altura da minha orelha. — Eu quero a exclusividade desse vestido. Não quero te dividir com ninguém — sussurrou com a voz imperativa, expirando o ar calmamente no meu ouvido. — Todas as vezes que você usá-lo, eu quero te levar pro meu quarto.

Meu corpo se contraiu implorando pelo toque dele. Anestesiada, o tempo parou enquanto assimilava a informação.

Ele estava com ciúmes?

Olhei para o seu rosto coberto de desejo. Ali estava, me comendo com os olhos. Sim, era verdade. Diante dessa situação incomum, vibrei internamente, fiz a dancinha do "uhull" na minha mente. Antes de perder a lucidez e cair nesse joguinho de sedução, chegara minha vez de provocar. Afinal nesse jogo, jogam dois!

Minhas mãos subiram devagar pelos seus bíceps, cravei as unhas na sua pele. Em resposta senti que diminuiu a força do puxão e mordeu os lábios de um jeito muito sensual.

O roçar das roupas entre nossos corpos ditava um novo ritmo, enquanto a distância desaparecia por completo. Os seus olhos foram para o meu decote, o tecido da camisa dele subia e descia em um ritmo frenético sob o meu busto, até que um tremor percorreu seus ombros e as pálpebras cederam.

— Nunca mais me ofenda desse jeito — sussurrei do mesmo modo imperativa, encostando meus lábios em sua boca de leve.

Apertou minha bunda e invadiu minha boca de uma vez, ignorando qualquer sinal de decência.

O toque apressado da sua língua me fazia delirar; precisava do seu corpo, sentindo-me prestes a explodir a qualquer momento sem recolhê-lo todo para mim.

Meu coração palpitava, e eu sabia que gritava dentro de mim, avisando dos riscos de cair completamente apaixonada por aquele homem. Já era, já estava caidinha por ele.

O tecido do vestido acumulou-se em suas mãos, subindo até que o ar frio tocasse a pele da minha coxa e os dedos encontrassem o elástico da renda.

— Ai está ela! — murmurou afastando um pouco os lábios dos meus, ainda de olhos fechados jogou a cabeça para trás encostando na porta, soltou o ar com força. — Então ela existe. — Forçou os olhos fechados, e contraiu os lábios. Seu coração pulsava acelerado como o meu; desceu a cabeça levemente para me fitar com os olhos famintos. — Acho melhor ir embora, se não vou acabar arrancando ela com os dentes.

Não consegui esconder o sorriso de satisfação que atravessou os meus lábios. Bem que a Babi avisou: eu iria deixá-lo louco querendo me comer de novo.

— Se os caras não estivessem me esperando, se a gente não corresse o risco do seu irmão entrar aqui a qualquer minuto, eu juro que ia ter você até essa casa cair. — completou olhando nos meus olhos, e eu entendia seu desespero; ele me queria, estava todinho na minha mão.

Desenrolou os dedos da lateral da minha calcinha, soltou o meu vestido devagar permitindo que ele caísse e cobrisse toda a minha perna novamente, apoiou as mãos na minha cintura e me empurrou para trás calmamente, com um olhar triste, odiando cada centímetro daquela decisão.

Fez uma cara de alívio ao afastar as mãos, bufou como um robô programado e colocou a mão na maçaneta. Girou. Abriu. Saiu. Fechou. Tudo sem soltar o contato visual por um instante. Ele se foi, deixando o silêncio pesado para trás.

Só então o corpo cobrou a conta: o coração ainda pulava nervoso, as pernas vacilavam e o tremor nas mãos denunciava o estrago.

Caminhei até a cama e desabei ali mesmo, soltando um suspiro longo.

O que foi isso?

Mal tive tempo de processar quando Babi surgiu pela porta, jogando-se na minha cama.

— Me conta tudooo!

— Não consigo, Babi! — Respondi ainda sem fôlego.

— Te salvei três vezes hoje, assim que o vi subindo aqui fiquei lá embaixo de cão de guarda até ele sair. Mamãe tentou subir para falar com você, Papà também e por último o Caio.

— E o que você falou para eles?

— Que você e o Eduardo estavam conversando, disse que ele se arrependeu do que falou depois da mãozada que tomou na cara e veio se desculpar. — Ela levantou a sobrancelha. — O que foi que ele disse para você dar um tapa nele?

— Me chamou de Maria palheta, por causa do Luiz. E disse que está rolando um bolão para saber se eu estava com ou sem calcinha, por causa desse vestido.

Ela caiu na gargalhada. É claro, é a Babi: sempre consegue se divertir com os meus momentos constrangedores.

— E depois?

— Ele veio me beijar, disse que quer ser o único a ter o privilégio de me ver usando esse vestido, e por fim conferiu que eu estava de calcinha.

Ela abriu a boca chocada.

— E...??

— E nada. Ele saiu.

— Não rolou nem uma rapidinha?

Virei os olhos e ignorei a pergunta. Babi saiu cantarolando. Fiquei jogada na cama repassando tudo, com um sorrisinho bobo e sonhador nos lábios.

Se ele estava arrependido pela noite de ontem, hoje demostrou que me queria de novo.

Soltei um sorriso maligno. Daqui pra frente eu lembraria a ele, a todos os segundos que estivéssemos juntos, o quanto ele me quer.

🍕 RECADO DO CHEF – PRATO DO DIA: CALCINHA CONFIRMADA, JUÍZO SUSPENSO 🍕

Obrigada por devorar mais um capítulo da nossa cozinha literária!

Hoje o forno saiu completamente do controle e serviu:

🔸raiva legítima descarregada em socos no peito,

🔸cabelo puxado com a força exata de quem sabe o que está fazendo,

🔸ciúme finalmente admitido — em sussurro, na orelha, sem escapatória,

🔸calcinha confirmada com as mãos antes de qualquer bolão ser pago,

🔸Babi de cão de guarda lá embaixo, segurando a família na porta,

🔸e uma porta fechada lentamente, com contato visual até o último segundo.

Tudo servido com o coração acelerado, as pernas bambas e um sorrisinho maligno estampado no rosto.

Às vezes a vitória não é ele ficar. É ele ir embora querendo ficar.

🍕 Pergunta da Pizzaria:

👉 Ele saiu... mas quem estava mais no controle aqui?

👉 Natalie tem o Eduardo na mão... ou está se convencendo disso pra não admitir que está igualmente perdida?

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A casa agradece — e a calcinha também cumpriu seu papel hoje. 🍕🩷

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