Capítulo 17 - É tudo culpa do pós-sexo! (PARTE II) Tudo Acaba em Pizza · Capítulo 21 de 21
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Capítulo 17 - É tudo culpa do pós-sexo! (PARTE II)

Seu rosto estava pálido e vazio. Minha irmã se perdeu desde o dia em que eu fui embora. Me sentindo um traste, peguei-a pelo braço e a abracei forte.

— Não estou te dando esporro! Eu te amo. Só estou preocupada com você — disse em seu ouvido.

— Não quero ficar mais aqui. Me leva embora. — Ela pediu, voltando os olhos para o chão.

A carinha de cachorrinha abandonada me venceu. Além de seduzir qualquer otário, Babi sabia fugir de uma bronca por cima da situação. Respirei fundo. Bárbara nunca demonstrou esse nível de solidão por minha causa. Ela sempre foi sincera quanto às saudades, isso eu sabia. Nunca, porém, ao ponto de me fazer sentir culpada por não estar presente em sua vida.

— Vamos pra casa do Eduardo tirar a areia e depois vamos para o Mc Donald’s.

— Eba! — Bárbara gritou de alegria e foi pro lado do Eduardo com pulinhos curtos. Ele a abraçou e falou alguma coisa em seu ouvido. Ela o fitou com um olhar enigmático e ouvi dizer:

— Eu sei! Eu a amo também.

— Já estão indo, pirua? — Ingrid voltou da água. Balancei a cabeça confirmando. Seus braços me receberam e ela deixou um beijo de despedida na minha bochecha. — Queria ter conversado mais com você. Quero saber tudo sobre o primeiro dia de trabalho e sobre o Don Juan advogado gostosão — Ela empinou o indicador passando a ordem, balançando-o de um lado para o outro como se quisesse que eu acompanhasse. Depois, terminou gingando o corpo e rebolando, insinuando, provavelmente, um caso meu com o Juan.

Dei-lhe um tapinha no braço e a mandei sossegar, olhei pro lado e o Eduardo parecia entretido com o Nekinho em uma conversa pessoal, não deu a menor atenção para a besteira da Ingrid; minha irmã terminou de arrumar suas coisas e apareceu pronta do nosso lado. Nos despedimos de todos e seguimos a pé até a casa do Eduardo, a areia grudando entre os dedos a cada passo.

A casa recebeu a gente com o cheiro de protetor solar requentado pelo sol da tarde. Ao passar pela porta, lembrei-me do último dia em que estive ali. Respirei fundo e disfarcei o quanto aquilo me abalava.

Revezamos o banho na pressa de quem já sentia o cheiro de batata frita no ar. Troquei de roupa, o cabelo ainda pingando, enquanto Babi brigava com o secador do Eduardo; por sorte ninguém demorou e fomos para o Mc Donald’s. Não era minha comida preferida, ainda mais naquela fase de tentar ser saudável, mas cabia no bolso e alegrava qualquer adolescente. Nada como um programa de comida rápida em um ambiente cheio de jovens.

Eduardo escolheu um sanduíche da copa do mundo. Eu fiquei no Big Mac tradicional, Babi no Mcchicken. Cartão na mão, prontos para a atendente simpática do caixa. Sem esperar, recebi dois beijos na bochecha, um do Eduardo e outro da minha irmã, que pareciam ter combinado de me apertar juntos, enquanto a mulher do caixa nos olhava assustada. Mais um mico do dia para a minha lista. Não bastava dar um show na praia, ainda precisava aguentar o excesso de carência dos dois ao mesmo tempo na frente de estranhos.

— Desculpa por isso! — comentei com a atendente, entregando-lhe o cartão. De posse das bandejas levamos até a frente espelhada onde havia uma mesa disponível. Daquele local dava para ver a rua, um tanto movimentada, já que estávamos próximos de uma praça, vários restaurantes e até um hospital. Estacionar por ali àquela hora virava um jogo de sorte. Comemos em silêncio, até Babi abrir a boca para uma pergunta idiota, me deixando numa situação constrangedora.

— Tem show hoje?

Eduardo balançou a cabeça fazendo que sim por trás do enorme sanduíche. E não se assustem: ele comia apenas um porque provavelmente não quis abusar de mim. Quando era ele quem pagava, se fartava com pelo menos dois sanduíches e ainda comia o resto do meu.

— Você vai com ele? — Minha irmã abriu a bocarra dela de novo e eu pensei em formas diferentes de estrangular essa pirralha intrometida.

— Não. Claro que não.

— Por que não?

Com a boca ainda cheia, Eduardo olhou pra mim e falou: “Hm, uhm uhm naom”, mexendo o nariz pra frente. Entendi que ele tinha dito: “É? Por que não?”

— Por que não.

— Você convidou ela? — Dessa vez a idiota falou intimidando Eduardo. Ai, meu Deus, ela não tinha semancol mesmo! Alguém devia calar a boca dessa garota, por favor. O que ela pensava estar fazendo, marcando um encontro para mim? Ele terminou de comer e limpou os dentes de uma maneira nada sexy.

— Vai comigo, Rainha dos Quatro Queijos? — falou sorrindo, mas eu neguei, como se fosse a pessoa mais ocupada e requisitada do mundo. O que eu obviamente não era, mas bastava que ninguém soubesse, principalmente a linguaruda da minha irmã.

— Eu não posso.

— Por que? Você foi pra Pachá com o Luiz, por que não pode ir nesse show com o Eduardo? — Babi falou, e eu me controlei absurdamente para não voar no pescoço dessa traíra. Eduardo me encarou como se esperasse uma explicação, o guardanapo esmagado entre os seus dedos sem nenhuma sutileza. Não queria virar Maria palheta aos olhos dele, mas minha irmã abriu a boca e despejou um tanto de lixo, plantando discórdia sem dó.

— O Rio é longe — fiz corpo mole — Eu tenho que estudar, estou cansada. Vou trabalhar na segunda. — Revirei os olhos. Eduardo mordeu o sanduíche em silêncio, o rosto sério, tentava se mostrar em vantagem com o Luiz desde o dia em que o infeliz prometeu, para o bolão da noite, conferir se eu estava de calcinha ou não. Era só isso.

— Você nunca foi a um show comigo. — Retrucou, passando um novo guardanapo na boca para tirar o ketchup que fugira de seus lábios. Fui levada aos meus pensamentos, imaginando outras formas melhores de tirar aquele ketchup de sua boca; sacudi a cabeça, de olhos fechados, me obrigando a parar de pensar em coisas além do meu alcance, e me concentrei em voltar para a realidade e dar a resposta merecida. Um pouco de verdade, nesse caso, já que pelo visto ele andava se esquecendo da minha participação especial de toda uma vida acompanhando sua carreira desde o colégio.

— Ah, Eduardo, não seja injusto comigo, eu já fui a vários shows com você. — Como ele tinha coragem de falar isso? A vida inteira andando atrás da banda, para cima e para baixo, me deixou quase parte dela. Não alguém importante, com função definida, mas a menina dos conselhos: de roupa e de som. Queriam saber o que eu achava. Era a primeira a ouvir as músicas novas, antes de qualquer outra pessoa.

— Estou falando que você nunca foi a um show comigo. — Ele repetiu, balançando o queixo para si. Minha irmã sorriu em vitória, achando ter conquistado o seu primeiro emprego de cúpido, e eu fiquei meio estática, confusa.

— Q-quê?

— Você nunca foi a um show como minha acompanhante.

Minha irmã me cutucou com cotoveladas; fiquei sem saber o que dizer. Será que ele estava me chamando para um encontro? Ele não faria isso, casado como estava. Faria?

— Eu… — tentei expressar alguma coisa, infelizmente sem nenhum sucesso. Minha cabeça simplesmente parou. Será que ele estava me convidando mesmo para sair? Não tinha coragem de falar isso em voz alta.

— Vai todo mundo, a Fabi, a Ingrid, a Bruna e a Luana — ele continuou, só para constar: Bruna e Luana eram fãs, responsáveis pelo fã-clube deles, com quem o Luiz e o Pedro normalmente tinham um rolo. Pelo menos era o que eu sempre imaginei.

— Eu não sei — hesitei.

— Vai ficar de doce? Qual é, Natalie, nós somos amigos, para com essa palhaçada. — Disse terminando de comer, jogou o guardanapo na caixinha do sanduíche num movimento como de cesta de basquete pontuada. Jogou-se para trás e esticou as pernas para a frente, batendo os pés na minha irmã, que lhe devolveu em forma de chute, sorrindo.

— Ela vai! — Bárbara disse. Deixei o corpo ceder na cadeira, fraca demais para brigar com a nova intromissão da minha irmã.

— Tá. — Exalei, pensando em como eu mesma tinha me metido naquilo. Éramos amigos, ok? Mas do jeito que éramos antes? Com benefícios? Ou o quê? Acho que andava me prendendo demais nesses pensamentos sobre o Eduardo. Contei nos dedos quantas vezes eu tinha repetido a mesma pergunta sobre ele naquela tarde. Ele deixava acontecer e me tratava normalmente, ao que parecia. Simples. Eu deveria agir assim também, né?

Sei lá, era difícil.

Ele sorria sem mostrar os dentes, e eu não sabia se aquele sorriso vinha da sinceridade por estar satisfeito ou só de aceitação. Como era possível perder a forma de decifrar alguém que se conhece bem só por conta do pós-sexo?

🍕 Combo Família com Extra de Ciúme 🍕

Obrigada por devorar mais um capítulo direto do forno emocional da nossa história! Hoje a casa trocou o forno de pizza pelo fritador de batata, mas o tempero de sempre continuou o mesmo.

🍽️ Menu Especial do Capítulo

🔸Entrada: Bárbara chorosa na praia e um abraço de irmã que quase virou sessão de terapia salgada de água do mar

🔸Prato principal: Combo de McLanche servido com dois beijos simultâneos e uma atendente de caixa traumatizada pra vida toda

🔸Acompanhamento: Ingrid cutucando com o tal Don Juan advogado gostosão, enquanto ninguém aqui confirma nem desmente nada

🔸Salada: Bárbara solta o verbo sobre o Rio e o Luiz, e Eduardo mastiga em silêncio com cara de quem guardou rancor pra sobremesa

🔸Sobremesa: convite pro show servido quente, “você nunca foi comigo” no ponto certo, e um guardanapo de ketchup que quase virou cena de filme

🔸Digestivo: um “tá” que sai mais forçado que refrigerante choco, e a cliente ainda tentando entender o próprio cardápio do coração

Esperamos que esse combo tenha te deixado com aquela vontade de voltar pro drive-thru só pra saber o final.

🍕 Pergunta do Chef para você:

👉 A Natalie vai realmente aparecer no show ou vai inventar mais uma desculpa esfarrapada de última hora?

Comenta aí embaixo ⤵️

A casa agradece — e a Bárbara também, porque intrometida sabe como ninguém abrir o apetite dos outros.

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