5o Quadro - S. O. S.
5°. Quadro
s. o. s. Mesmo cenário — Em cima dansa»se con» tinuamente — Ao fundo dos estaleiros, arranha»céos iluminados — Cidade indus= trial — Noite — Do outro lado da platéa, uma divisão naval — Sinais — Foguetes de guerra — Holofotes.
CENA I
Lord Capone e Mister Byron
M IS T E R B Y R O N — Save our souls! L O R D C A P O N E — Save our ships! M IS T E R B Y R O N — M e tirem d ’aqui! L O R D C A P O N E — A h ! Minhas metralliadoras de C hicago! U M A V O Z (de um com ido no caes) — Camaradas! A burguezia subestima a nossa capacidade de viver. So mos uma classe que nasceu sob o chicote dos horá rios capitalistas. Sabemos trabalhar! Saberemos co mer ! O U T R A V O Z — Abordae a barca podre de São Pedro que submerge e faz agua! Desmantelae a velha so ciedade ! L O R D C A P O N E — Save our souls! M IS T E R B Y R O N — Save our ships!
( Tumult0 no caes).
V O Z E S D O C A E S — Abaixo a ordem burgueza! A b aixo! V iva o poder proletário!
CENA II
Os mesmos, Pedro, Icar
S A O P E D R O — Onde está Sobieski ? João Sobieski ! Uma muralha contra a barbarie ! Vamos erguer as barricadas da civilização. Quem viu Sobieski ! L O R D C A P O N E e M IS T E R B Y R O N — Ninguém. IC A R — Quero ir á missa. Neste paiz não ha mais egrejas. E u quero rezar. M e regenerar. S A O P E D R O — Deixa de besteira. E ’ preciso agir. Estou sendo desacatado. Esta noite, me fizeram le vantar. Chamaram-me ao telefone. A ’s 2 horas da madrugada. Sabe para que? Para me mandar á merda. Eu. São P edro! L 0R :D C A P O N E e M IS T E R B Y R O N — Foram os bolchevistas ! IC A R —- Tem um homem fazendo discurso no cáes ! S A O P E D R O —• A h!' E ’ o Soldado Vermelho de John Reed ! Estamos perdidos ! V O Z D O S O L D A D O -V E R M E IT d O — Eu não que ro saber de filosofia nem de arte. O que eu sei é que ha duas classes — opressores e oprimidos ! Bur gueses e proletários! S A O P E D R O (tomando do sen alto falante e dirigindo- V se ás massas) — Vocês não estão prep>arados para tomar o poder. Pleitearei novas reformas sociaes ! V O Z E S D O C A E S — Tapeação! Conhecemos o jogo desesperado da biirguezia! A V O Z D O S O L D A D O -V E R M E L H O — Para comer e trepar todos os homens e.stão preparados!
( Ouvem -se disparos de canhão. D o fu n do da platéa bombardeiam).
S Ã O P E D R O — A revolução atingiu os fortes. Mas ainda estamos senhores da situação. Porque ainda possuinios a magia e um dancing. 'jCleopatra não abandonou o seu posto no primeiro andar. Cora gem ! Saulo, inspira-me! Sem mistério não se arranja nada! Sem magia! Sem tapeação! Saulo que falta me fazes! Tu que entendias de gnose e de guerra! I M IS T E R B Y R O N — Saulo! L O R D C A P O N E — Saulo! IC A R — Ninguém responde. Só os canhões é que fa lam . . . M IS T E R B Y R O N — Faze uma magica, Simão Pedro! L O R D C A P O N E — Alamos rezar tuna ladainha. IC A R — O melhor é a gente se confessar! S Ã O P E D R O (num extase, trepado num salva-vidas) — Com o as vagas da multidão se elevam.
Dementes, furiosas Não ha salvação Só luna! Uma só!
M IS T E R B Y R O N e L O R D C A P O N E — Só uma! IC A R — uma só! S Ã O P E D R O — Contra a ventania das massas! i: Dementes, furiosas Não ha salvação Só uma! Uma só!
M IS T E R B Y R O N , L O R D C A P O N E e IC A R — SÓ um a! Uma s o !
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S A O P'EIDRO — Cristo caminha sobre o mar! M IS T E R B Y R O N e L O R D C A P O N E — Cristo cami nha sobre o mar! IC A R — E ’ a epopea da navegação! S A O P E D R O — A s estrelas cairam. O sol escureceu. A lua espatifou o leme da minha barca! Não ha salvação Sinão na estrela matutina. Cristo, por favor, aparece sobre o mar ! M IS T E R B Y R O N e L O R D C A P O N E — Cristo, apa rece sobre o mar! IC A R (assestando um oculo de alcance) — Lá vem um deslizador ! S A O P E D R O (atira-se na direção da amurada)' — E ’ ele ! Vem de idroplano ! M IS T E R B Y R O N — Não é ! É o infante Dom Henri que ! IC A R — Traz uma bandeira vermelha! S A O P E D R O — La gran puta que los parió ! A avia ção naval nos traiu! L O R D C A P O N E — Cristo não aparece sobre o mar. S A O P E D R O — Sobieski ! Onde estás Sobieski ?
(Sereias uivam. N a cidade acende-se um cartaz luminoso onde se lè: “ Proletários de todo 0 mundo uni-vos” . H olofotes. E s trondos. Bombas aereas).
L O R D C A P O N E — M ãe! M IS T E R B Y R O N — M ãe! D oce mãe! S A O P E D R O — O poeta soldado roubou os meus raios. Centurião romano, me a ju d a ! L O R D C A P O N E — Papae N o e l!
M IS T E R B Y R O N — M efistofeles ! L O R D C A P O N E — Socorro ! Alan-Kardec, me tira daqui/ M IS T E R B Y R O N — Eu 'Sou socialista! Eu adiro! L O R D C A P O N E — Fiol dun can ! IC A R — Eu sou proletário! Fui assassinado por um fa scista. S A O P E D R O {reanimando-se) — Vocês estão desmorali zando o mar! Coragem! D ebout les rats! Galvanize mo-nos ! Somos a erança de Roma ! O Vaticano suces sor do Império ! É preciso salvar a civilização mesmo que a humanidade pereça. L O R D C A P O N E — Sempre foi o meu ponto de vista. M IS T E R B Y R O N — V iva a Civilização e morra a hu manidade ! IC A R — Viva e morra! M IS T E R B Y R O N — V iva a lança! L O R D C A P O N E — Viva o casse-tête ! IC A R — Viva o cajú-purgativo! S A O P E D R O — V iva a Fome ! IC A R — Viva V . Excia., o papa ! S A O P E D R O — Obrigado meus filhos ! Agradeço a vossa solidariedade ! Vamos dar uma lição a esses frenéticos ! V O Z E S D O C A E S — T odo poder aos soviés ! Viva o pro letariado em armas! L O R D C A P O N E — A h ! minhas metralhadoras de'Chica go ! Que raiva ! Eu só posso cuspir !
V
CENA III
Os mesmos, Cleopatra, o Mestre que se tor» nou o Tigre do Mar Negro, o Soldado Ver=* melho de John Reed, marinheiros terríveis, povo.
{Tum ulto enorme invade a barca)
IC A R — Socorro, Alm irante! O dancing parou. Cleopatra vem ai fugindo, cercada duma sucia de marinheiros que querem desacatal-a!
(Cleopatra aparece, cercada de marujos feroses e de povo. Uma cobra enleada no corpo. Atira-se para São P ed ro ).
S Ã O P E D R O (defendendo-a) — Para traz, infiéis! É uma
rainha! M IS T E R B Y R O N — Viva a Rainha V itoria! (entoa com Lord Capone o “ God save the gracious Q ueen” ! acom panhado pela orquestra do dancing). C L E O P A T R A (banhada eni lagrimas) — Senhor! Se nhor ! Perdoae a minha timidez, S Ã O P E D R O — Irei onde fores! Meu destino está preso ás tuas galeras! C L E O P A T R A — Perdoa a minlia fraqueza! Sou m ulher! n S Ã O P E D R O — És rainha! O M E S T R E (aparecendo ao fundo e falando aos marinhei ros) — Escutae a palavra dos vossos condutores, É preciso atiçar as faiscas da luta de classes! É preciso m fazer sair da indignação popular um imenso incêndio! É preciso levantar os trabalhadores contra a infamia e a desagraça do mundo capitalista. O imperialismo pro-
cura resolver as suas contradições pelo fogo e pelo ferro! Trabalhadores do mundo, soldados e marinhei ros 1 Levantae-vos e lutae contra a gu erra! Guerra á guerra imperialista! Refleti sobre as privações, a misé ria, as creanças esfaimadas, as montanhas de cadáve res, os mutilados e os orfâos que a guerra ex ig e ! Levae ás amplas massas o vosso grito de rebelião I ••Ü
O S O L D A D O V E R M E L H O D E JO H N R B E D — Ca maradas ! Levantae-vos contra os incendiários da guer ra I Resisti á tortura com que a burguezia ensanguenta as nossas organizações e as nossas casas. Resisti ao ter ror branco. Lembrae-vos do que Lenine dizia: As clas ses condenadas pela historia agem sempre assim ! P ro letários de todo o mundo, uni-vos! O M E S T R E — Marinheiros da velha Barca podre de São Pedro, levantae-vos! Levae o espirito de rebelião ao fundo das fornalhas, onde torraes as vossas veias para dar conforto aos ricos! Quebrae as vossas cadeias seculares. (O tumulto redobra)
Galés da velha sociedade capitalista, uni-vos! M ari nheiros e soldados atirae contra os vossos oficia es!
{O uvem -se as primeiras estrofes da In ternacional entoadas pelo p ovo).
L O R D C A P O N E — Socorro! M IS T E R B Y R O N — Me tira daqui! L O R D C A P Q N E — Abram esta gaiola! Darei tresen- tos mil dolars ganhos com o meu trabalho! M IS T E R B Y R O N — Cristo! L O R D C A P Q N E — Jesus! S Ã O P E D R Ò : (a Icar) — Cava um salva-vidas para e la ! Vamos cair n’^ u a !
C L E O P A T R A {fa z-se picar pela cobra) — Este é o meu salva-vidas! {cae ao solo) S Ä O P E D R O — Socorro! Uma injeção an ti-ofidica!
( 0 tumulto cresce. O s marinheiros aivan- • çam para São Pedro que procura defender j o corpo de Cleopatra. A Internacional ! toma conta da Barca e do M un do) ]
PANO