7o Quadro - A Verdade na Boca das Creancas
7.“ Quadro
A verdade na boca das creanças
A cena representa o hall de uma creche no paiz socialista — Brinquedos atuaes — Cava los mecânicos.
CENA I
Tres creanças soviéticas
A l . ® C R E A N Ç A — Antigamente havia cavalos nas ruas. Puxavam carros e arados nos campos. A gente mon tava neles. A 2.“ C R E A N Ç A — Mentira! A 1.® C R E A N Ç A — Havia sim. Eu li. Até os burguezes creavam cavalos para fazer um jogo nos dias de fes- ,ta. Os cavalos corriam e quem ganhava tinha um prê mio que naturalmente ia para o dono.
enfatuados. Reunialm-se em clubes tori:>es para jogar o dinheiro roubado aos operários. A 2.® C R E A N Ç A — Que fim tiveram eles? A l . ® C R E A N Ç A — Foram fuzilados com os outros exploradores 'do povo. Depois de fazel-o suar a se mana inteira, induzia-no a colocar também os seus salarios no jogo das corrid a s.. .
guerra? A 3.® C R É A N C A — Havia sim. Quando a humanidade não estava ainda evoluida e dividia-se em estados
nacionaes, fazia-se a guerra. Durante muitos séculos, os cavalos foram utilizados nas batalhas. A 1.*^ C R E A N Ç A — Coitados! A 3.^ C R E A N Ç A — Eram conduzidos para a carnifi cina com os soldados, afim de defender os interesses dos ricos e dos proprietários I A 2.^ C R E A N Ç A — Proprietários? Que negocio é esse? i A l . “ C R E A N Ç A — Foram os homens que se ai3ossaram da terra pela força, pelo ludibrio ou pela herança, para fazer os despojados trabalharem para eles! A 2.“ C R E A N Ç A — Mas o sólo não era de todos? A 3.“ C R E A N Ç A — Não era não. Nem as maquinas. E os burguezes lutaram séculos para que. esse regimem continuasse. Quando as crises apertavam, prom o viam guerras patrióticas afim de massacrar o povo. Os filhos dos ricos não iam para as trincheiras. As fámilias dos trabalhadores e dos pobres, transfor madas em familias de soldados, perdiam os seus che fes e filhos. Os resultados das guerras eram distri buídos entre os ricos. O s soldados que voltavam cégos, mutilados ou sem emprego, eram abandonados pelos seus sinistros emprezarios e acabavam mendi gando nas pontes e nas portas das egrejas. . . A 2.“ C R E A N Ç A — Igreja? '♦V A 3.“ C R E A N Ç A — Sim, igrejas, bobinha! N ão vê que para manter a exploração das massas que trabalha vam, os exploradores de acordo com piratas que se chamavam sacerdotes, inventavam que havia um sêr supremo e terrível que enchia a pança dos ricos na terra e para os pobres reservava o o é o . . . A 1.“ C R E A N Ç A — Conseguiam prometendo illusões e castigos, que o povo não se revoltasse contra a misé ria que lhe impunham as classes ricas. . . A 2.“ C R E A N Ç A — Mas o povo se rev oltou .. ,
\ 1.“ C R E A N Ç A — Ora. iDecerto. A teoria de Marx penetrou nas massas e se tornou força social, O.s ricos e politiqueiros que ficaram vivos e não quize- ram trabalhar comnosco, ,envelhecem hoje onrada- mente esmolando nas portas das uzinas socialistas.. . \ 3.“ C R E A N Ç A — Era um mundo |>avoro&o. A mu lher também foi escrava. Exercia-se sobre ela até o direito de morte. Isso deixou de figurar nas leis, mas a justiça de classe sempre estava á disposição dos ricos e dos maridos corneados. . . V I . “ C R E A N Ç A — Defendiam a herança. Por isso se batiam pela monogamia que se apoiava nas duas mule tas do regimem — a prostituição e o adu ltério... V 3.“ C R E A N Ç A — O nosso Engels disse uma coisa estu penda a proposito do começo da monogamia, e da escravidão da mulher, que foram o apanagio da pro priedade privada. . . \ 2.“ C R E A N Ç A — O que foi que Engels disse?
ela coroou a cabeça do vencedor!
d'o cavalo de corrida, do cavalo camponez e do ‘ ‘ ca valo” — doença! V 2.“ C R E A N Ç — H oje não ha nada mais disso.
por, A socialização e a paz. \ 2.® C R E A N Ç A — Custou muito a passagem de um mundo para o outro? \ 3.® C R E A N Ç A — O sacrificio de milhões de vidas. Os trabalhadores conquistaram o podej* palmo a palmo, paiz por paiz. A maior parte dos que iniciaram a luta não chegaram ao fim delia. Mas deixaram um mundo novo para nós e para os seus filh os!
CENA II
Os mesmos, o 'Medico, Mme. Icar, Pe= dro, Icar V ,1 i O M E D IC O — Façam o favor de passar. Só faltam e x a -, minar estas tres creanças. Vejam se algumas dellas ou i todas são os seus filhos desaparecidos... M M E . IC A R {examinando atentamente as creanças) — J'í Não reconheço á primeira vista. Dá licença que con verse com eles? O M E D IC O — Á vontade! M M E . IC A R — Minhas creanças! Vocês não se lembram: que tinham uma familia? A l . " C R E A N Ç A — Nossa familia é a sociedade socia - 1 lista. A 3." C R E A N Ç A — Eu tive uma familia que vivia no conforto, mas minha casa era um inferno. Meus paes brigavam todos os dias, se detestavam e se traiam. Eu mesmo era filha dum amigo da casa. Mas meu pae ou antes o marido de minha mãe não fazia escandalo . por causa da posição social que occu p a v a .. . Ã 1." C R E A N Ç A — A minha situação era um pouco dife rente. Era filha do i>atrão com a criada da casa, a mesma casa d e la .. . A 3." C R E A N Ç A — Sim, somos irm ãs! E u estava des !I tinada a receber a erança do pae dela. E ela a traba lhar para mim a vida inteira, por ser o que eles cha mavam de “ filha legitima” . N o entanto ela é que era a filha dele! O M E D IC O — Um quadro da sociedade burgueza. A erança dividia as classes. A paternidade era assegu rada pelo casamento monogamico. Para haver explo-
radores e explorados. E chamavam a isso defender a h onra! M M E . IC A R — Nada te faltava no entanto! A C R E A N Ç A — Faltava tudo porque faltava a paz e a verdade! M M E . IC A R — Mas davam-te educação? * A 3.® C R E A N Ç A — Uma educação, mentirosa e errada. Enganavam-me que existia Deus. O meu pae oficial era o mais desonesto e ambicioso dos homens. R ou bava lá fóra, garantido pelas leis burguezas e roubava em casa o salario das empregadas que .seduzia. Deus perdoava-o e protegia-o porque ele dava dinheiro aos padres. M M E . IC A R — Perdeste a religião bem cêdo. A 3.’' C R E A N Ç A — Na escola soviética mostraram-me qual é o papel de todas as religiões. Narcotico do povo para fazel-o esquecer a própria miséria. Para ensi- nal-o a não se revoltar contra os seus exploradores iludindo-o com a vida futura que não existe. M M E . IC A R — Mas teus paes procuraram incutir-te bons isentimentos. . . A 3.“ C R E A N Ç A — Sentimentos os mais torpes, os mais fa lsos! O da caridade que manda restituir aos des graçados uma migalha de que eles nos dão no trabalho diário. Só para que eles não se revoltem e exijam o que é deles. O amor sentimental, complicado, maso quista e absurdo. Todos os recalques catalogados pelo professor Freud. A falsa virtude, a ipocrisia, a libidi nagem. . . M M E . IC A R — Isso são p eca d os... A l . ® C R E A N Ç A — Pecados que o Deus dos ricos per doa facilmente. E que só os pobres não podiam ter no vosso m u n d o .. . {M m e. Icar chora nos braços de São P ed ro ).
IC A R —•Meninas, ha mais coisas no céo e na terra do que sonha a vossa vã filosofia! Se a natureza vive ainda em vós, respeitae essa pobre mãe! A l . " C R E A N Ç A — Ela talvez seja um fantasma honesto. Nós é que não poderemos seguil-a porque não temos ,nenhuma vontade de nos divertir com almas d ’outro mundo ! A 3." C R E A N Ç A — Matamos a inquietação e o mistério e,som » os felizes! A 2." C R E A N Ç A (ao medico) — Quem são esses velho tes? O M E D IC O — São o mundo antigo. O mundo que des- 7.'S truimos para dar a vocês livre respiração social. A 3." C R E A N Ç A — O que é que.eles querem? O M E D IC O — Jogaram na loteria Nobel e andam á pro cura do prêmio. A 1." C R E A N Ç A — Ela é casada? O M E D IC O — É viuva de guerra. Com o espera receber dinheiro, apresentaram-se esses dois malandros dizen do ambos que eram o marido morto. Alegam ter per dido a memória nos embates da guerra. São desme moriados para fins de herança. A 3." C R E A N Ç A — •Ela ficou com quem? V O M E D IC O — Arranjou uma bigamiazinlia tipo capi talista. Entendem-se. S A O P E D R O (intervindo) — Senhor m edico! Admiti no:S'Sa ignorância. Vim os de um paiz longinquo e pas- l'I , tsadista. A s vossas organizações nos espantam. . . Que- riamos conhecer o que se passa em vosso mundo. . . O M E D IC O — Tenho o maior prazer em informal-os. S Ã O P E D R O — Estas creanças não tem mais familia? A 3." C R E A N Ç A — Temos uma familia melhor. A fam i lia socialista.
o M E D IC O — V ejo que o caro barão desconhece com pletamente a istoria umana. Parece um professor de Direito de 1933. A familia é uma instituição que mu dou a cada fase nova da sociedade. Para os senhores naturalmente, a familia só podia ser a familia coroa da de tipo germ ano-cristão. . . A 2.® C R E A N Ç A — Destinada só a defender a herança •Ü e a divisão de classes. . . A 3.® C R E A N Ç A — Regimem de mentira domestica. A l . ® C R E A N Ç A — E de corrupção social! S A O P E D R O — Eu desejava somente saber quaes os resultados dessa transformação, desse milagre. . . O M E D IC O — N ão foi milagre. Nada é misterioso na aplicação pratica da ciência social. Não temos mais as desigualdades e as infamias produzida spela heran ça burgueza. Eliminamos com isso 90 % das tragé dias sociaes. Não temos mais adultério. N ão temos prostituição; Eliminamos as nevroses, os assassina tos, as depravações que eram apanagio da burguezia. A sifilis desapareceu, a loucura se extinguiu. Fecha mos as cadeias. Possuímos 2.0 0 0 maternidades gra tuitas. Temos 10.000 creches. Colocadas ao lado das fabricas, dos laboratorios, das universidades. Supri mimos a contradição e as lutas entre o campo e a cida de. Matamos o monstro empolado do urbanismo. L i quidamos o desemprego. S Ã O P E D R O {cetíco) — Desejtava conhecer algumas estatísticas. .. O M E D IC O — Perfeitamente. A linguagem das cifras é a que mais nos interessa. A construção do socialismo apresenta um considerável melhoramento moral, edu cacional e sobretudo material das massas operarias e kolkolsianas. A mortalidade baixou a 1/3 da cifra antiga. O aumento da população passa já de 5 por
l.CXDO. O numero de postos médicos, de creches e de leitos aumenta ano a ano. A melhoria sanitaria é no tável nas empresas socialistas gigantes e nas regiões nacionaes. Onde havia 60 leitos existem agora 2.525. Noutro que tinha 1.318 ha atualmente 16.403. Este ano houve 400 milhões de visitas aos dispensários do Estado. Todas as requisições dte medicamentos foram satisfeitas. Estiveram nos balenarios, nos sanatórios e nas estações de cura 700.000 (trabalhadores. Temos 85.000 médicos servindo o povo. Antigamente havia só 19.000 a soldo das classes ricas. O numero de lugares nas creches industriaes e da zona rural vae ser elevado a 830.000. Temos já 230 hospitaes ruraes e 329 dispensários. O numero de leitos nas creches de verão dos kolkoses atingiu a dois milhões. V ae ser % aumentado de 34 % o numero de médicos para creanças e adolecentes. A s cosinhas lateas coletivas aumentaram duas vezes e meia.
{U m a campainha retin e).
É o dia da inspecção isanitaria das creanças. . Não são esses os vossos filhos?
{S ilen cio).
M M E . IC A R — Talvez s e ja m .. . E^tão irreconhecíveis! A l . ® 'C R E A N Ç A — Somos os filhos concientes de um I, í mundo novo. íi' ' ' i A 3.“ C R E A N Ç A — N ão podemos gostar de fantasmas.
{Icar e São Pedro reconduzem M me. Icar soluçante).
PANO