Advertência Toda a América · Capítulo 1 de 10
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ADVERTÊNCIA EUROPEU! Nos taboleiros de xadrez da tua aldeia, na tua casa de madeira, pequenina, coberta de hera, na tua casa de pinhões e beiraes, vigiada por filas de cercas parallelas, com trepadeiras molles balançando e florindo; na tua sala de jantar, junto do fogão de azulejos, cheirando a resina de pinheiro e faià, na tua sala de jantar, em que os teus avós leram a Biblia e discutiram casamentos, colheitas e enterros, frente às tuas arcas bojudas e pretas, com lãs felpudas e linhos encardidos, collares, gravuras, papeis graves e moedas roubadas ao inútil maravilhoso; deante do teu riacho, mais antigo que as Cruzadas, desse teu riacho serviçal, que engorda trutas e carpas; Europeu! Em frente da tua paisagem, dessa tua paisagem com estradas, quintalejos, campanários e burgos, que cabe toda na bola de vidro do teu jardim; deante dessas tuas arvores que conheces pelo nome — o carvalho do açude, o choupo do ferreiro, a tília da ponte — que conheces pelo nome como os teus cães, os teus jumentos e as tuas vaccas;

Europeu! filho da obediência, da economia e do bom-senso, tu não sabes o que é ser Americano! Ah! os tumultos do nosso sangue temperado em saltos e disparadas sobre pampas, savanas, planaltos, caatingas onde estouram boiadas tontas, onde estouram batuques de cascos, tropel de patas, torvelinho de chifres! Alegria virgem das voltas que o laço dá na coxilha verde, alegria virgem de rios-mares, enxurradas, planícies cósmicas, picos e grimpas, terras livres, ares livres, florestas sem lei! Alegria de inventar, de descobrir, de correr! Alegria de criar o caminho com a planta do pé! Europeu! Nessa maré de massas informes, onde as raças e as línguas se dissolvem, o nosso espirito áspero e ingênuo fluctua sobre as cousas, sobre todas as cousas divinamente rudes, onde boia a luz selvagem do dia americano!

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