Broadway Toda a América · Capítulo 4 de 10
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Broadway

Broadway

BROADWAY a Mario de Andrade CHATO, pardo-cinzento, o chão f luctua lento, molle, o chão escorre vagaroso, contráe-se em blocos súbitos, estica-se em flechas longas, trepidantes, dispara, de repente, em riscos elásticos, gira, rodopia, turbilhona e ferve num vapor subtil de linhas e movimentos.

Aquelle chão carrega todas as imaginações. do mundo! Aquelle chão carrega isbas da Ukrania, vinhas de Bordeus, parques do Tâmisa, saveiros do Volga, âmbar, coraes, madréporas das Antilhas, guano de Mollendo, cannaviaes de Cuba, juncos de Shangaí, cafezaes de Ribeirão Preto, chifres do Pampa, fornos de Essen, fornos de Newcastle, óleos de Tampico, salitres de Iquique, barbatanas da Terra-Nova, mares coalhados de ferros e madeiras, terras gordas, ilhas com batuques, tan-tans e redes mollinhosas, montanhas verdes, montanhas de oxydos e cristaes, rios onde boiam troncos, plantas, cobras e tartarugas, florestas de plumas, pennas e folhagens, praias, canaes, mangues, luzes do trópico, luzes do polo, desertos, civilizações.

Aquelle chão é uma paisagem em marcha. Chão que mistura as poeiras do Universo e onde se confundem todos os rythmos do passo humano!

Chão épico, chão lirico, chão idealista, chão indifferente de Broadway, largo, chato, pratico e simples como este roof liso, suspenso no ar, este roof, onde um saxofone derrama um morno torpor de senzala debaixo do sol,

New-York. 1923.

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