Guilherme de Almeida e Felippe D'Oliveira Estudos brasileiros: 2a. série · Capítulo 3 de 10
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Guilherme de Almeida e Felippe D'Oliveira

GUILHERME DE ALMEIDA

A poesia moderna volta ás formas simples. A matéria com que trabalha o poeta de hoje é cada vez mais pura, mais cheia de realidade e mais intensa. Depois do generoso período romântico, de Byron, Chateaubriand e Põe, a Baudelaire, Verlaine e D'Annunzio, depois dessas grandes vozes de tragédia e desespero, que foram progressivamente crescendo de volume até ao diapasão futurista de Marinetti, começou a declinar o prestigio da grandiloqüência na poesia. Do mesmo passo, o lirismo caprichoso de alguns poetas menores, culminante na obra de um Banville ou de um Mendes, esgotou-se com a geração do parnasianismo fácil, na repetição dos mesmos sonetos, bailadas, odes e balladilhas, em que os jogos de palavras substituíam o calor das idéas varonis. Entre nós, porém, onde a critica literária é exercida, realmente, por um ou outro escriptor de verdade, é vulgar suppor, mercê da filaucia de divertidos paspalhões fantasiados de criticalhos, que a poesia moderna ainda não ultrapassou as brincadeiras dò "Toi et Moi" do menino Paul Geraldy. Mal dirigido, em geral, desconhece o publico letrado nomes que são vulgares na Europa e na America. A força indisciplinada e maravilhosa de um Whitman, a desabusada melancolia de um Moréas, a musa religiosa de um Charles Guérin, as rudezas bucólicas de um Francis Jammes, o humor de um Walter De Lamare, a doçura penetrante de um Govone ou de um Folgore são estranhas á maioria dos nossos intellectuaes. Na Itália, paramos em Steccheti, D'Annunzio e San Benelli, na França, em Samain e Rostand, na Allemanha, em Heine, nos Estados Unidos em Longfellow e no "Corvo", traduzido por Machado de Assis, na Bélgica, em Maeterlinck, e assim por deante. O resto do mundo, para nós, é um mysterio. Não admira, pois, que famoso escriptor latino-americano affirmasse que a poesia brasileira era um eterno soneto, continuamente emendado, ora para melhor, ora para peor, consoante ás preferencias das novas gerações. E' contra esse eterno soneto que reagimos presentemente. De facto, quem estudasse a nossa literatura poética, durante a ultima metade do século XIX e*o primeiro quartel do século XX, ficaria embaraçado se quizesse attenuar a venenosa ironia do mencionado conceito. O soneto era o vehiculo fatal de todas as coisas, a medida da inspiração amorosa e da inspiração industrial. Dependurava-se dos bondes, esgueirava-se da carteira dos amanuenses e pulava das balas de estalo. Passaporte para o casamento, para o suicídio ou para a celebridade suburbana, era sempre a chave mágica da fama. De tal modo se inveterou em nossos costumes, que ficámos, insensivelmente, á margem de toda a evolução literária do universo.

Assim, quando appareceram as primeiras manifestações de verdadeira poesia livre, impetuosa e pessoal dos nossos artistas modernos, os confeiteiros e os seus ingênuos apregoadores perderam o sangue frio que lhes era muito peculiar. Nada mais pittoresco e lisongeiro que essa batalha provocada pela gente moderna. Em torno dos homens novos se agruparam, numa ronda fúnebre de pesados pés e lentas cabeçorras de manipanços, todos os elephantes inúteis da nossa literatolice. O barulho das trombas fofas e o rumor das orelhas agitadas não atemorizaram ninguém, entretanto. As armas da gente moderna são os livros, armas perigosas, quando bem temperadas, porque não enferrujam.

O novo livro de Guilherme de Almeida é uma dessas tremendas armas. Ha, na "Frauta que eu perdi", o viço das musculaturas jovens. Guilherme de Almeida realizou esse prodígio que é reviver a Grécia sem o preconceito grego. Estamos affeitos a uma Grécia, que nos veio da tradição humanista do Renascimento italiano, onde todos os templos são brancos, todas as estatutas são serenas, todas as arvores são oliveiras e todas as collinas são Parnasos. A Grécia verdadeira, que surgiu dos crepúsculos da civilização do Egeu, que se levantou das ruinas de "Creta das cem cidades", essa ainda nos é pouco familiar. Conhecemos a Athenas de Winckelmann ou de Goethe, a dos doutores florentinos e a dos mercadores venezianos, e já é muito saber. A Grécia dos archeologos e dos anthropologos, de Evans, de Atkinson, de Hogarth, de Schliemann, de Schuchhardt ou de Seager, dos escavadores que foram despertar, debaixo da terra, o silencio dos reis, dos heroes e dos bardos, essa é invisivel aqui. Tanto nos falaram de "porporção" e de "medida" os manuaes francezes, os catálogos de museu e os discipulos de Renan, que, afinal, reduzimos uma civilização de dez séculos á Acropole, como se, por exemplo, toda a França se concentrasse no Trianon e nos parques de Versalhes. Mas, por Zeus, a Grécia é bella e eterna porque é profundamente humana, e, pois, barbara, livre, pura e criminosa, ao mesmo tempo! Os guerreiros de Homero são muito differentes daquelles que pintou e repintou o grecisismo acadêmico. Antes da peleja, manejando as suas lanças de bronze, a coberto dos enormes escudos e protegidos por cnemidas poderosas, elles se invectivavam sem malícia, e toda a seiva da sua terra de pedras ásperas enchia de ódio bruto as palavras massiças e desconformes que abalavam os ares da pugna. E' illusão innocente julgar que todos os mercadores de Athenas tinham nos lábios o mel de Platão, o subtil, ou que os escravos, á semelhança das criadas de servir do século XVII, em Paris, davam ás suas phrases o boleio das syntaxes eruditas. Essa Grécia é uma impostura dos pedantes, que não podem comprehender como Alcibiades, que usava cigarras de ouro nos cabellos, acabou, sem elegância, ás mãos de sicarios apostados para o crime.

Exterminemos de uma vez essa Grécia dos idyllios postiços, que os romanos transmittiram ao eruditismo occidental. Não ha literatura mais violenta que a da Grécia. Não ha paixões mais terríveis que as de Eschylo, nem risadas mais desabridas que as de Aristophanes. A cultura avisada de Guilherme de Almeida, felizmente, reintegrou, nas canções gregas da "Frauta que eu perdi", a verdadeira Grécia nos seus justos limites. Não é o espirito de Athenas, mas o de Alexandria, o que anima a sua obra. Poeta dos mais altos do nosso paiz, a sua poesia, tal a dos gregos de Luciano, tem a simplicidade sabia das inscripções anonymas. O autor de "Messidor" e do "Livro de Horas de Soror Dolorosa" chegou, através de uma disciplina extraordinária, ao fundo da sua personalidade. Os rythmos de maior agudez são um jogo para elle. Toda a multiplicidade infinita da vida cabe nas formas que elle inventa, e o mundo se renova continuamente no turbilhão das suas imagens. Não conheço maior criador de imagens em nossa literatura. Ha no que elle exprime a reminiscencia daquillo que vimos e não soubemos traduzir Os elementos brincam na sua imaginação. A exemplo dos orientaes, dos épicos da índia e dos voluptuosos da Pérsia, Guilherme de Almeida faz da sua poesia uma festa dos sentidos. E' um fogo latente de apparições successivas que arde, como nos milagres de Scherazada, em todos os seus cantos.

Ella è a rosa. Na sala do festim, ella é fina e alta entre todas. E é silenciosa. As tocadoras de flauta soltam as notas de prata que vibram no ar como cigarras rápidas. Os homens têm as mãos pallidas desfallecendo sobre os copos; ás vezes elles têm gestos que desnudam; e seus corpos são brancos como os membros dos deuses.

Ella é a rosa. E dansa. E está toda nua. E parece um véo, tanto o seu gesto fluctua. Ella é uma corola aberta; e as três manchas

[pretas da Deusa são três borboletas numa grande flor amorosa. Em torno delia, todos os olhos accesos, exaggerados de desejos, rodam como abelhas. Porque ella é a rosa.

A justeza do toque imprime á expressão do poeta um brilho claro de metal. Sua arte é uma vibração. A alegria de viver jorra das suas imagens, como um sangue ou como um vinho de perturbadora essência. A sorpresa das coisas primitivas, a graça das invenções ingênuas são o maior encanto dos poemas da "Frauta que eu perdi" Sobe dessas canções u m cheiro agreste de paisagens luminosas, um rumor de cannas humidas, de águas crespas onde saltam peixes, um aroma de onda lasciva e mollinhosa.

Estes lírios frescos, cheios de madrugada, esta maçã toda molhada e este favo de mel sobre estas folhas humidas, ainda todo sonoro das azas laboriosas, estas coisas simples foram as únicas que achei para trazer-te. Goza-as todas, bem longamente e com volúpia. Sente o perfume pastoral destes lírios alvos; os múltiplos contados desta folhagem nova; prova a acidez fina desta fruta, olha a côr de sol deste mel; escuta como a cera ôca do favo ainda tem uma musica de azas para os teus ouvidosl

Eis ahi a energia saudável das cousas simples. A forma que se renova continuamente, a imagem que vae criando indefinidamente a sua própria musica, a força do desenho real, que se não compromette com o artificio das syllabas medidas ou da rima engenhosa, eis o segredo da poesia moderna. Ao contrario do versificador paciente e agrilhoado, incapaz de inventar e de tirar de si mesmo o profundo mysterio da vida, o poeta moderno, como Guilherme de Almeida, desprendendo-se da rede enganosa das formas fixas, inicia uma nova família de "trouvères" A poesia volta á simplicidade, ao ar livre, aos jogos claros, á terra virgem. Guilherme de Almeida achou uma frauta digna de rythmar-lhe o vôo dos pés ligeiros.

FELIPPE D'OLIVEIRA

Uma tarde, em Tonalá, Roberto Móntenegro levou-me á casa de um velho cantador mexicano, mestre das melhores violas de todo o Estado de Jalisco. Oleiro de profissão, sua palhoça de adobe e piso de terra batida era um pequenino museu maravilhoso. No barro cosido e nas argilas endurecidas ao fogo temperado dos fornos primitivos, bailavam os rythmos livres da sua imaginação em ímpetos de fôrmas e cores, de volumes enérgicos, modelados por um inexgottavel e mysterioso lirismo geométrico.

Aquelle homem, que ali estava assentado, em frente da porta aberta sobre um pateo plantado de cardos massiços, tinha ainda nas mãos tremulas o frêmito dos potros selvagens, e nos pés, de músculos saltados como raízes, o pó de todos os planaltos, que elle varou em longas correrias. Juan Belmonte era o resíduo de uma época. Ninguém adivinharia, na sua palavra molle e arrastada, aquella voz de combate, aquelles gritos imperiosos que, no dorso das montanhas nataes ou na ondulação macia dos valles, moveram, em outros dias, como num taboleiro de xadrez, os ágeis peões de bronze das suas hostes improvisadas.

Cantador e guerreiro, pastor e alfarero, Belmonte era apenas um symbolo melancólico. Morria, com elle, uma virgem America de aztecas e mayas, de incas e guaranis. Seu gesto solemne e trágico recuava o espirito para o tempo da conquista. Sua narrativa, pittoresca e derramada, reproduzia a lingua entravada e florida de um chronista espanhol da éra dos Vice-Reis.

Belmonte criava, espontaneamente, uma atmosphera de claustro churrigueresco. Resurgia o épos da pedra colonial. Balcões e archivoltas, fontes rendadas e azulejos de talavera, torres e linteis, granitos, mármores e tezontles rubros revoaram no ar. E eu vi, através da sua guitarra, a America dos jesuítas e dos dominicanos, dos galeões armoriados e bojudos como carapaças de glyptodontes, a America das rumorosas massas de índios carregando blocos para as pyramides de Teutihuacán e para os templos de Cholula e Tepotzotlán. Belmonte era bem o varão de uma doce America, dramática e innocente, que não aprendera a rir Estava deante de mim o homem do feitiço, do totem, das mascaras inquietas, dos amuletos cruéis, da America sombria, que se preparava para morrer, que aspirava ao aniquilamento.

Em torno de nós, picado de luzes humildes, o pueblo, com os seus muros pré-colombinos, augmentava o meu espanto. A folha aguda dos magueyes balançava pesadamente pelos quintalejos. Só a lanterna de um Ford, lustroso de vernizes como um preto de Barbados, me libertou do pesadelo de Juan Belmonte .

A Lanterna Verde, de Felippe d'Oliveira, pôde libertar muita gente desse mesmo pesadelo. Nossa literatura soffre, hoje, o pesadelo de Juan Belmonte. Para fugir á rendilha churrigueresca dos nossos escriptores, resolvemos complicar a simplicidade. Inventamos uma nova- dimensão. A dimensão do espontâneo artificial. Reduzimos a America, por um calculo subtil, a uma Arca de Noé, cheia de bichos bocós, amarellões e aparvalhados nas suas duras articulações de pinho e de peroba. Continuamos, pois, a brincar de colônia, bem comportadinhos ao toque das Metrópoles matreiras. Quando, porventura, apparece um bicho novo, com vontade de pular, vae logo fazer uma estação de cura na Arca, e fica teso, de repente, como um peru de Natal, dentro do annel que o aperta e o immobiliza no chão. Felippe d'Oliveira é um cérebro americano. E' o homem do litoral, o homem que aprende, todos os dias, a viver. O homem que sabe rir. Filho do Pampa industrial, do Pampa cortado de chaminés e fios telegraphicos, dos paredões lisos dos armazéns de xarque, elle tem o movimento célere e ágil das machinas modernas. Sua intelligencia não hesita' no entrecruzamento das linhas. Nasceu para decidir. Revela o treino do commando, no improviso da ordem rápida:

Núcleo de convergência no bojo da noite oval. Lanterna verde (amêndoa phosphorescente dentro da casca carbonizada).

Longitudinal, centrifugo, o trem racha em duas metades a espessura do escuro e, cuspindo pela bocca da chaminé as estreitas inúteis á propulsão, atira-se desenfreado nos trilhos livres.

Mas se o machinista fosse daltonico a locomotiva teria parado.

Este primeiro poema do livro de Felippe d'Oliveira é um precipitado lógico das' suas qualidades mais activas. O mysterio da sua poesia resulta, geralmente, da força. E' a força a substancia mágica da sua criação. A sensação do inesperado, em sua obra, provém desses elementos de energia que se ajustam inopinadamente, para deflagrar em surpresa.

Perecebe-se immediatamente que a sua vida é um fruto que amadurece ao ar livre, vida brutal, mas sempre dominada pela intelligencia pura das cousas, rica de imagens sensoriaes, imagens que o raciocínio corrige, a cada momento. O exame do poema transcripto, offerece particularidades curiosas. Ha que notar, desde logo, a economia da matéria. Fugindo ao pitoresco descriptivo, o poeta despreza os elementos da simples transposição vulgar, com que qualquer outro armaria a equação de um quadro, para fixar o real.

Do mecanismo de certos movimentos regulares e precisos — massas que se deslocam, provocando atritos constantes — consegue elle desprender e isolar a própria suggestão da noite moderna. Noite de metaes que vibram, de trilhos de aço, rampas de concreto, plataformas giratórias, rodas, pontes, guindastes, cabreas, tubos que descarregam vapor accumulado, postes semaphoricos, luzes que circulam no fio de platina das Iampadas. Noite que se satura de dynamismos contínuos, que absorve as múltiplas velocidades do machinismo contemporâneo. Felippe d'Oliveira tem, ainda, a originalidade, entre os nossos grandes poetas modernos, de construir, muitas vezes, a imagem pelo som, pela mola disciplinada dos rythmos. Este verso, por exemplo, é o mais bello plagio do m a r :

A onda bate a cadência do seu gongo liquido.

Seu livro revela, também, o prazer do risco, a seducção dos equilibrios perigosos. Circo e Números de Magic Hall estão nesse caso. O poeta não esconde o gosto infantil de exhibir a musculatura ágil, o desenho vertiginoso do salto livre, da mão que arremessa a pedra, do corpo que se desloca para vencer o obstáculo. Sente-se que elle tem a fascinação das formas humanas projectando-se no espaço, criando milagres instantâneos de resistências impressionantes. O numero 3, do Circo, é um jogo extraordinário. Parece um divertimento de Picasso ou uma natureza-morta de Leger. São Los Krupinos:

Irmãos. Da mesma idade. Parelhos. Com a mesma cabeça reluzente de cosmético. Com o mesmo epithelio de maillot nos troncos iguaes.

Os púbis isoceles brilham de lantejoulas so[bre o velludo azul e se empilham. Cinco. Quatro. Três. Dois. Um.

A face da Pyramide Humana inscreve no cone do reflector um triângulo scintillante.

As peças se desmontam, se recolhem desarticuladas, uma a uma, para traz da cortina carmezim.

Brinquedo de armar que volta desarrumado

[para a caixa. As crianças se deleitam. As governantas acham bonito.

Parece um soneto.

Talvez não haja, neste poema, senão um brinquedo maravilhoso. Mas elle pode suggerir, sem duvida, o riso com que o artista se desforra da estupidez humana. Esse jogo de cubos, que se arma e se desmancha ao sabor da opportunidade, tráe a zombaria ao espirito de casta, ao snobismo de todos os palermas que reduzem o universo a um grupo de idéas primarias, a um schema de actos reflexos, a um automatismo de instinctos secundários. Puchkine escreveu um poema contra o inspector de quarteirão. No cérebro desse pobre diabo, o vicio do respeito á bierarchia se manifesta de tal modo, que todo o seu sêr vae, aos poucos, se transformando numa aguda enfermidade topographica. Elle acaba por traduzir todas as cousas em funcção do transito. E enlouquece, afinal, por não ter conseguido evitar o choque dos dois únicos transeuntes do seu cérebro: a avareza e a fome. Em Los Krupinos, entretanto, a sátira é muito mais limpa. Ha uma intenção exclusiva de poesia pura, que interfere com o real no ponto exacto.

Está claro que todo esse equilibrismo da poesia de Felippe d'Oliveira representa um Índice de força. O homem forte e a criança ágil são os únicos seres matinaes da terra, os únicos indivíduos que sabem brincar. Os poetas, como Felippe d'Oliveira, consolam a gente da estupidez do "homo sapiens", do homem que está sempre corrigindo as regras do jogo, mas que não sabe jogar. Eu não aconselharia ao mais avisado "homo sapiens" a desmontar esse brinquedo terrível que Felippe d'Oliveira construiu.

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