Granada, Madrid, Escorial e Toledo
Campos de beterraba. Granada branca. Os olmos do parque sobem entre muralhas. Alcázar de la Alhambra. No Patio de la Alberca, o guarda oferece ra minhos de murta. Depois, a dextra em concha. A arquitectura musulmana sublimiza a Sala de los Embajadores. Cada janela é um impossi- Ivel de Arte. 1 — Hay que ver la vista! ' O Albaicin, sobre as casas caiadas como mu lheres, tangem sinos católicos. Sombras no Ge- neralife. Buracos de gitanos no monte raspado. Argentinos pulam de goso no Patio de los Leones, crianças pobres em torno de árvores de Natal rico. Apalpam as colunas. Cheiram as pa redes. Estalam os dedos. Exclamações. As manchas avermelhadas da bacia de már more, na Sala de los Abencerrajes (o guarda ga rante), são pingos de sangue da família de Hamet, que toda ela ficou sem cabeça porque Hamet (o guarda sorri) pandegou com a mulher de Boabdil. Adultério de cinco séculos atrás (o guarda agra dece). Mas a porta, sim, é notável. Carlos V merece bolos da posteridade, pelo seu palácio-atentado.
Dois sujeitos cospem no Jardin de Machuca. Gitanas carregando gitaninhos. Fedendo. Amontoando vermina. Vestindo trapos. Contando miséria. Pedindo dinheiro. — Una limosnita, buen mozo! Os gitaninhos são fome, ossos, gafeira. — Quiere que le diga la buena sorte, mi guapa? O marido da turca atira duas pesetas. — Gracias, marques! Que Dios nunca le dé dolor de cabeza en compania de su senora! Nem um aeroplano no céu desaproveitado.
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Vííltt" Q b Y
I 1. centro
Parada dos bondes vermelhos. CUATRO CA- MINOS — SOL — PROGRESO. Carabineiros de chapéu de oleado. COMPLETO. Mantilhas po bres. Carros. Borrifos de gente. Cartazes. POZAS- SOL-ATOCHA-DELICIAS {por la Callc de Lega- nitos). Um chinês. Puerta dei Sol. A Calle de Alcalá desce, monumental. Corri da de quadrigas inexplicáveis no alto dos prédios brancos. Na calçada da esquerda, el pinar de las de Gómez, o atrevimento dos machos eno.doa as mulheres. Vendedores de fósforos. DROGUERIA DE LA VERDAD. A rapariga pára na porta da livraria. E o ve lho, cara contra cara: — Enorme! A Gran Via, com outros nomes, sobe cheia. Pentes. Brincos. Leques. Oficiais relaxados. A orquestra do café toca Coii macho salero. — Escucha, mi guapa... O guarda atrapalha o trânsito. Blasfêmias, anúncio luminoso gira, gira, pára, gira, gira, para. Pregões. Pobres.
Galle de Preciados. O menino puxa o rabo do cachorro. Cascas de laranja. ANTIGUA CASA DEL CRISTO. Em cima: COMESTIBLES. Em bai xo : ON PARLE FRANÇAIS. Puerta dei Sol.
2. eí escoriai
Solo chamuscado. As colinas parecem came los deitados. Aridez amarela. Muros de pedra. Covis. Os carneiros são caroços da terra sêca. Rochedo avançado da Guadarrama, a mole descomunal do Real Monasterio de San Lorenzo dei Escoriai. Grelha de granito. Delírio de gran deza. > — La octava maravilla dei mundo. ’ O maior esforço do máu gosto universal. Imensidade de pedra. Petrificadora. A porta só se abre para os enterros reais. O coro desafina perdidamente. — El Pudridero. Fechados dentro dos muros de prisão, é aqui que os reis apodrecem. Os quarenta e oito altares perdem-se no gi gantismo da cruz grega. Bronzes dourados. O pa vimento do Coro Alto treme sob os pés do agos- tinho calcado.
__ Se fije Ustd. en la grandiosidad de toda esto! ^ Horrível. Mas enorme. E o crucifixo de Benvenuto Cellini.
3. don juan O pano vermelho grita na plataforma. Sol dados ranzinzas fazem cordão. Figurões de fra que. Oficiais medalhados. A gente, pouca, espia. __ S. M. el Rey que vá a S. Sebastián. Êle aparece de roupa cintada c andar janota. Dá dois pulos e trepa no carro. Um velho sem entusiasmo diz: — Viva el Rey! O Rei ri. No silêncio. Os figurões formam um bolo preto. Chapéus no alto. O Sud-Expreso guin cha e sai. No carro-restaurante, a divisão envidraçada tem as cortinas corridas. Mas o Rei levanta a cor tina da direita. Encosta o queixo filipino no vidro. Gira o olhar pelas mesas. Pára na das inglêsas louras. Pára. Depois, vai descendo a cortina bem de vagar, olhando, bem de vagar, grelando. Sensação.
Setembro de 1925.
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o Castillo de Galliana (la mora más cele brada de toda la moreria) esfarela-se na paisa- í^cm de terreiro varrido. •
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t h Y A cosinha da casa do Greco é aperitivo. Zum bidos. Gerânios. A mulher do guarda. Os filhos ai # . da mulher do guarda. Sete. E os doze apóstolos nas télas esfumaçadas, enfileiradas. Ruas de emboscada. Becos de conspiração. Ladeiras de nigromância. Bafo de muitos séculos. Gente de preto. Só de preto. Janelas gradeadas. Portas de castelo. — Buenos dias, senor marquês. Parece um capado. Na Parroquia de Santo Tomé (ver para crer), El entierro dei conde de Orgaz é um presente do i'issr'i Greco á pintura do futuro. 'í '«Vil-'• A miséria estende as mãos encardidas deante da Catedral. 0 sacristão é analfabeto. E o manto da Virgen dei Sagrario tem oitenta mil pérolas 'IJ ' verdadeiras. O microcéfalo de batina, com as unhas enlu- tadas, vai tocando nas ânforas de ouro, nos peito :I. rais de esmeraldas, nas custódias de safiras, nas imagens de coral. f ' ' 5 1 1 !'; ‘ O côro inconcebível provoca interjeições. Os t.,i. líí' I . tesouros atravancam as naves. Também as beatas curvadas. — Tiene Ustd. el permizo para ver el altar mayor? Los forasteros lo deben sacar antes de todos. Con tres pesetas, si senor. Pra quem quizer.
Só uma velha reza, de olhos fechados, na Capilla de la Puríssima Concepción. Cofres de esmolas. Candelabros iluminados. Na Puerta dei Reloj, a menina apanha tôcos de cigarro. Dois ingleses de olhar parado. Calle de la Vida Pobre. O asno de Sancho zurra. A Puente de San Martin com torreões e len das. O Tajo enlaça Toledo. Muralhas abarcam todo um passado. — El A. B. C.I Edición de la manana! Rio de Janeiro, 14. La Convenciôn ha adapta do, por unanimidad, la candidatura dei Sr. Was hington Lms, para la presidência de la República, y la de la senorita de Vianha, para la vicepresi- dencia. O coxo briga com o menino do cégo por cau sa da esmola do homem magro. •% EN ESTA CIUDAD ESTÁN PROHIBIDAS LA MENDICIDAD E LA BLASFÊMIA. — Se calle, hombre, por Diós y la p u . .. per- d ó n . .. y la Virgen! E a autoridade acaricia o refle. y
Setembro de Í925.
moralidade
Nossocéotemmaisesfrellas, Nossasvarzeastemmaisfiôres, Nossos bosquestemmaisvida, Nossavidamaisamores. A. GONÇALVES DIAS Canção do Exillo
fim