Capítulo LXII
Rubião despediu-se. No corredor passou por elle uma senhora alta, vestida de preto, com um arruido de seda e vidrilhos. Indo a descer a escada, ouviu a voz do Camacho, mais alta do que até então:—Oh! senhora baroneza!
No primeiro degráo parou. A voz argentina da senhora começou a dizer as primeiras palavras; era uma demanda... Baroneza! E o nosso Rubião ia descendo a custo, de manso, para não parecer que ficára ouvindo. O ar mettia-lhe pelo nariz acima um aroma fino e raro, cousa de tontear, o aroma deixado por ella. Baroneza! Chegou á porta da rua; viu parado um coupê; o lacaio, em pé, na calçada, o cocheiro na almofada, olhando; fardados ambos... Que novidade podia haver em tudo isso? Nenhuma. Uma senhora titular, cheirosa e rica, talvez demandista para matar o tedio. Mas o caso particular é que elle, Rubião, sem saber porque, e apezar do seu proprio luxo, sentia-se o mesmo antigo professor de Barbacena...