Capítulo LXXXVII Quincas Borba · Capítulo 87 de 201
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Capítulo LXXXVII

Rubião chegou ao fim da rua da Saude. Ia á toa com os olhos espraiados e desattentos. Rente com elle, passou uma mulher, não bonita, nem feia, singella sem elegancia, antes pobre que remediada, mas fresca de feições; contaria vinte e cinco annos, e levava pela mão um menino. Este atrapalhou-se nas pernas do Rubião.

—Que é isso, nhonhô? disse a moça, puxando o filho pelo braço.

Rubião inclinara-se ao pequeno, para amparal-o.

—Muito obrigada, desculpe, disse ella sorrindo; e comprimentou-o.

Rubião tirou o chapéo, e sorriu tambem. A visão da familia apoderou-se delle outra vez.—«Case-se, e diga que eu o engano!»—Parou, olhou para traz, viu ir a moça, tique-tique, e o menino ao pé della, amiudando as perninhas, para ajustar-se ao passo da mãe. Depois, foi andando lentamente, pensando em varias mulheres que podia escolher muito bem, para executar, a quatro mãos, a sonata conjugal, musica séria, regular e classica. Chegou a pensar na filha do major, que apenas sabia umas velhas mazurkas. De repente, ouvia a guitarra do peccado, tangida pelos dedos de Sophia, que o deliciavam, que o estonteavam, a um tempo; e lá se ia toda a castidade do plano anterior. Teimava novamente, forcejava por trocar as composições; pensava na moça da Saude, modos tão bonitos, creancinha pela mão...

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