Universo da obra
Universo da obra
Pelo falecimento do venerando ancião — Frei José de S. Bento Damásio, a 10 de setembro de 1854. I Mais um tumulo aberto! Amada lira, Tempera as cordas de tristeza e luto. Ah! não te esqueça teu dever funéreo! Nossa missão é esta. Internemos na pedra um ai, um carme, E alabastros de preces. Cantemos sempre os males que se findam No liminar da morte. Merece cantos uma dor que expira. Quem hoje desce à profundez do nada Foi infeliz, — foi monge. II Mas ah! que imagem me arrebata estranha A tétricos abismos! Quem és? — arcanjo ou fada? — As longas vestes Vítreas, tão de cristal, os ares quebram E refrangentes choques! Que cor, que face transparente, anílea, Qual índigo de louça! Que cor, que face, que platíneos olhos, Quais pálidas estrelas! Onde me arroubas, ai! que caos, que abismos Que gelos glaciais, que moveis plagas, Que campos flutuantes! Quantas campas aqui quebram-se e correm! Quantos crânios, —que horror! — de sânie sujos, Surgem medonhos delas! Eis! de um lado levantam-se, frangendo, De negras togas adornados todos, Altivos esqueletos! Ah! estoutros, porém, forcejam, lutam, Tremendos uivam, por querer debalde Transpor-se do sepulcro, Algum grilhão, talvez, lhes prende as plantas Lá na raiz da rocha, Anjo, demônio, deusa, encanto, ou fada, Ah! dize-me o que vejo! Que crânio imundo em desespero apontas, Demônio, deusa, arcanjo! Não reconheço-o não. A pátria minha Não é aqui. A região dos mortos, Zona do céu, do inferno, elísio, averno, Gurgite infindo, tenebroso ou claro, Pegos de luz ou turbilhões de trevas, Não me pertencem inda. Outra nação, aqui, de essência estranha, Este lugar ocupa. Deixa-me, pois, voltar demônio ou anjo. Transporta-me outra vez ao ser que tinha. Não tenho ainda o meu dever completo. Minha missão me chama. Concede-me um instante, um verso, um canto, Uma improvisa nênia. Quem hoje desce à profundez do nada Foi infeliz, — foi monge... III «Não cantarás,» aterradora brada A meu ouvido a fúria. «Não cantarás» me repetiu, inchado, E rebentou, tinindo. Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Lingüística
Inspirações do Claustro, de Junqueira Freire, é um livro brasileiro de poesia romântica publicado originalmente em 1855 e ampliado na segunda edição de 1867. A obra reúne o prólogo do autor, juízo crítico e poemas marcados pela experiência do claustro, conflito espiritual, imaginação religiosa e lirismo ultrarromântico. Esta edição gratuita do Literunico oferece leitura online em capítulos HTML, obra em domínio público, fonte BLPL/UFSC validada, espelhos completos de conteúdo e metadados reforçados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.