Universo da obra
Universo da obra
(ERA DE 1823) Canção dedicada às virgens da Soledade Com fervor os guerreiros vitoriosos As de primor subido, ufanos colhem, Capelas imurcháveis, em que noites Lidaste, e inteiro um dia, Ângela igreja. PARAGUASSU. Foi Deus — e não outrem — que os braços dos nossos Regeu no conflito, — regeu na vitória. Foi Deus — e não outrem! bendito o seu nome, Que aos nossos deu honra, deu fama, deu glória! Capelas formemos das vestes das aves, Das penas das lindas araras rubentes. Capelas formemos p'ra as frentes sublimes Dos nossos guerreiros, dos nossos valentes. E os nossos valentes por Deus, — pela pátria Façanhas obraram de eterna memória. Foi Deus que inspirou-as: — bendito o seu nome, Que aos nossos deu honra, deu fama deu glória! Capelas formemos das folhas da pátria, Das folhas virentes do quente café... — Que cachos tão rubros, que flores tão alvas, Que as virgens colheram-lhe agora de pé! Irmãs, trabalhemos, concordes e sempre Durante esta vida fictícia, — ilusória. Deus ama, Deus manda, Deus benze o trabalho, Deus paga o trabalho co'os prêmios da glória. Os jovens guerreiros entrando em triunfo As testas adornem co'as nossas capelas. As nossas capelas são verdes, bem verdes, São feitas por dedos de castas donzelas. Os jovens guerreiros que venham tingidos Das folhas da pátria, — da pátria vanglória. — Que venham ao templo do Deus infinito, Que deu-lhes triunfos e cantos de glória. Ao templo, oh guerreiros! — ao templo do Eterno, Que aos povos opressos liberta num dia! Joelhos em terra! — que vão nossas vozes Unir-se co'as vossas em doce harmonia! Louvores àquele que humilha os senhores, Que os servos humildes levanta da escoria: Que os cetros arranca de altivos monarcas, Que ao povo escolhido deu honra, deu glória! O Deus das batalhas nos dias antigos Viu servos seus filhos, — e servos de estranhos: Viu servos seus filhos, — olhou seu opróbrio, Olhou-os carpindo seus males tamanhos. E o Deus das batalhas fechou seus imigos Em urna insondável, marítima, equórea! — Louvores, guerreiros! ao Deus das batalhas, Que deu-vos triunfos e cantos de glória! — Assim nós diremos aos nossos guerreiros, Quando eles entrarem nos templos sagrados. Hosana, oh donzelas! — o Cristo remiu-nos: Não mais nossos templos serão profanados! A face medonha dos bárbaros crimes Não mais será vista na brásila historia. Os crimes fugiram co'os homens da guerra, Na pátria ficou-nos o cetro da glória. Por arcos de folhas e flores da pátria Os nossos guerreiros terão de passar. E nós, das janelas mais altas do coro, Mais flores havemos sobre eles jogar. Não somos romanos: — troféus não erguemos, Nem louros, nem pompas de fútil vanglória: Só folhas da pátria—cafés e pitangas — Tais são nossos arcos, — tal é nossa glória! A pátria saudemos! — e o nome de pátria Juntemos, guerreiros, ao nome de Deus. Não sentem, não sabem, não dizem tal nome Os ímpios somente, — somente os ateus! Irmãs, trabalhemos: — formemos capelas P'ra as testas dos filhos da nobre vitória. — Também seus triunfos, seus cantos são nossos, Também nos pertence metade da glória!
Inspirações do Claustro, de Junqueira Freire, é um livro brasileiro de poesia romântica publicado originalmente em 1855 e ampliado na segunda edição de 1867. A obra reúne o prólogo do autor, juízo crítico e poemas marcados pela experiência do claustro, conflito espiritual, imaginação religiosa e lirismo ultrarromântico. Esta edição gratuita do Literunico oferece leitura online em capítulos HTML, obra em domínio público, fonte BLPL/UFSC validada, espelhos completos de conteúdo e metadados reforçados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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