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Inspirações do Claustro

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Inspirações do Claustro

Capítulo 22 · Inspirações do Claustro

O monge

22 de 38 ≈ 29 min de leitura

(SÉCULO XIX) I De embate aos sinos, pelos vãos da torre, Noturnas aves correm. Surdo dobro Era quase seu choque incerto e vago Nos ocos bronzes. A soidão profunda Aumentava o pavor, crescendo a noite. Ali a mente, em êxtase prendida, Prolongava estes sons, pensando neles. Ninguém vivia: a profundez do sono Tinha co'os mortos irmanado os vivos. Eu te saúdo, viração da noite, Frescor suave e triste! As tuas penas São duras setas de gelado ferro, Que, os cabelos riçando, entra por eles, E nulifica o cérebro, passando, E vai ao coração que pensa angustias. Fácil não toca a neve aqui no peito. Não toca? — Sim: mas não enrija as fibras, Mas não extingue o sentimento nunca. Vem recolher-se aqui, fugindo ao gelo, Inteiro, inteiro o espírito, — de fraco. Eu te saúdo, viração da noite! Que som me trazes de pesados passos, Quebrando esta soidão! Nestas desoras Podem viver somente o louco e o vate. Não! nem um deles. Viração da noite, Transporta-me seu nome. O louco e o vate Não amam sós as trevas e o silencio. Também o desgraçado estima a noite. II Bela aragem da noite! uns lábios de anjos Não é que te respiram? Teus anelos Não são de um gênio bom que Deus nos manda? O teu sereno arfar alembra aos homens Quase um gozo do céu. Lá noutras eras Algum sentiu-te assim, desfez-se, em lágrimas, Pensou poeta e plácido em teu seio, Sobre teu dorso esperdiçou seus males, Consolou-se talvez, — e crente e altivo Chamou-te quase um Deus.— Mentiu-te ao todo? Donde o consolo que nas asas libras Tácito e santo assim, descer-nos pode, Se não de lá do céu? Dentro em minh'alma Eu sinto, eu sinto o impulso de adorar-te. Sê minha musa, oh viração da noite! Leva-me, pois, extasiado e livre Aos lares do infeliz. Se alguém se queixa, Quero co'os dele compartir meus males. III Vejo uma cruz: entrelaçado nela Férreo cilício com sangüíneas manchas. O livro do cristão na tosca mesa Os queixumes de Jó mostrava aos olhos. Esplendidas de pranto as próprias letras Estavam inda, — e a página molhada Das torrentes de dor de alguém que leu-a Quase por se imprecações falava, Quase bramia, ao ver-se. A luz, tremendo, De espaço a espaço a crepitar, gemia, Como entendendo a voz que enchia outrora De maldições, de lágrimas, de preces Os campos de Hus. Oh plaga que geraste Uma alma pura de poeta e de anjo, Salve por mim! Tu pelo Eterno foste Abençoada um dia, antes que livre A mão de Satanás te ardesse a terra. Segunda vez abençoou-te o Eterno, E deste a grama e o cipariso e as flores. Por mim, solo imortal, três vezes salve! Talvez pensava assim, cruzando a cela, Extasiado um monge. Eu vi seu rosto, E li seu coração, seu pensamento. Eram-lhe as faces maceradas, lívidas Co'os livores da dor. Forçados sulcos Cavou-lhe fundo o percorrer do pranto. Não foi o tempo que encolheu seus visos. De enorme vastidão — dos gregos copia — Parecia-lhe o cérebro um gravame, Que apenas sustentava. Os cílios grossos Dos olhos o fuzil lhe escureciam, Mais do que a nuvem que não cobre o raio E passeava em rápidas pegadas, Falando às vezes, e parando a instantes. IV Cristo — exclamou — tu padeceste um dia Quanto, milhões de séculos vivendo, Não podia sofrer somente um homem: Porém remiste a humanidade inteira. Eu, parte dela, sou remido, — e sofro Debaixo de teu nome. O meu martírio, Férreo fantasma que pesado marcha Co'o vagar do que vai degraus da forca Que mãos de infames lá no céu prenderam, É vão, é vão. O sangue, que destilo Gota por gota das rasgadas veias, Cai inútil no chão. Regada dele A linda ervinha, horripilando, expira. Eu mesmo, eu vejo arrepiar-se a terra, Se uma golfada deste sangue a ensopa. Tudo reprova o sacrifício estéril! Deus! teu filho deixou teu seio eterno Para salvar a humanidade, —e eu sofro Debaixo de teu nome inúteis penas! Déspotas d’alma, déspotas do peito Sujeitaram à dor, à raiva, ao crime Os símplices do Cristo. A natureza, Norma por Deus nos corações plantada Aquém e além da vida, em rudos tratos, — Não, não morreu, — mas transformou-se ao todo. Nas praças de Sião, montões de povo De vário modo entre clamor seguiam O herói da redenção. Falando aos homens Co'esse estilo aos Demóstenes ignoto Pronunciou uma palavra, — e as selvas, As solidões, os leoninos antros Pareceram gemer co'o peso de homens. As cidades cristãs, co'a mão na face, Com redomas de sangue em torno aos olhos, O flébil grito de Raquel sem filhos Levantaram de novo. Órfãs mesquinhas Aos altos da montanha em ânsias sobem. Clamam de lá pelo cantor dos trenos. Cansam em breve, — e descansar procuram Sobre o tronco do cedro. O espectro negro... Seu nome — ASSOLAÇÃO — ... co'a imensa mole Surgiu de um boqueirão que abriu o inferno. Seu colo reclinou lá no oriente, E co'a ponta de um pé bateu no ocaso, Onde inclinado o sol tremeu três horas. E as cidades cristãs, co'a mão na face, Com redomas de sangue em torno aos olhos, Espavoridas, por seus filhos clamam, — Clamam, fugindo e lamentando embalde. Voltai, voltai das solidões, das selvas, Piedosos cristãos. Alguém mentiu-vos, Alguém vos disse o que não disse o Cristo. Deus não é misantropo: estima a todos, Como outrora os formou nos campos de Ásia. Por seus dedos miríficos formado Foi a família o molde do universo. Conselho aos anjos — não liame eterno — Foi do Cristo a palavra. Ímpios devotos, Piores que os ateus, mancharam tudo. ‘Té com seu Deus hipócritas sofismam. Deus não é misantropo: estima os homens, Como outrora os formou nos campos de Ásia. — Não sofismamos, não. Essa palavra Lede-a no livro eterno: intacta existe. Ninguém, ninguém pôde aumentar-lhe um ápice. São imutáveis sempre as letras dele. Lede outra vez, e meditai mais serio, E depois conclui.— Sim! que eu conclua O opróbrio a vós ou a blasfêmia ao Cristo! Oh! que infames que sois! Co'a face em risos Podeis guardar tão atro fel no peito! Quereis a conclusão? — tomai-a, hipócritas, Tomai-a em mim. Não vedes nos meus olhos Fervendo a insânia? e exasperado o monge ‘Té ao meio da fronte alçava os cílios.— Não vedes manchas de livor de ferro No côncavo das faces, onde outrora Pintou-me a natureza ardentes rosas? Não ouvis minha voz? profunda e rouca, — Como encontrando espedaçados órgãos, No peito forma-se e lá mesmo expira. Quereis saber a causa? ouvi-me, hipócritas. V Em bagas de suor banhado o rosto Estava o monge. Os encrespados cílios Ora emendavam-se ao topete acima, Ora desciam ocultando os olhos, Como dois fachos moveis, suspendidos Na vastidão da palidez da fronte Por uma oculta linha. As mãos, o corpo Tremiam... que abismei-me! Estanque e mudo Algum tempo ficou. Depois olhando Em derredor de si, qual ante o povo Lá na tribuna o orador prepara, Para romper, os ademães co'a idéia, Abriu de novo os ressequidos lábios C'um gesto que punhal cortou-me as fibras. Antes de abrir-se-me a paixão no peito, Quando em botão as afecções me estavam, Fui arrojado aos cárceres eternos. Inda incerta a razão, tímida e néscia, Balbuciava apenas. Tenra infante Pronunciava, arremedando os homens, Qualquer primeira voz que ouvia acaso: Perdido viajor, no campo à noite Ao longe divisando a luz que a terra De seus hálitos pútridos acende, Lá vai, lá corre em ânsias após ela, E chega, e topa co'a ilusão, co'o nada. Fantasia infantil era-me tudo. Julgava o pirilampo estrela em terra, Anjos do mar a rútila ardentia, Palácio de ouro o sol, estofo as nuvens, Mágica fada a virgem que eu amava, Que eu temia depois, fugindo dela Co'o peito aceso de paixões ignotas, Que parecia-me aguçadas dores, Tanto que eu cria na justiça humana, Tanto que eu respeitava a Deus e aos velhos! E um velho... um velho...— atroador remorso, Se és um suplício, vinga-me daquele, — Um velho me falou. Qual no deserto, Querendo Satanás tentar ao Cristo, Subindo ao alto, lhe amostrava o mundo, Tal sequioso me agarrara o velho Para apontar-me ao céu. Depois tremendo — Ímpio! nem o porvir falta ao remorso, — Mostrou-me o templo não — mostrou-me horrendo Um edifício negro, erguido e vasto, Manchando o azul do céu. Que vês, infante? Ele mo perguntou. Que vejo? — aquela Pasta de lama escurecendo os ares. Amas o céu? E porque não, bom velho Não é tão belo o céu? O anil que o pinta Não é melhor de perto? A estrela dalva, Que vem correndo assim antes da aurora, Não é, talvez, um pássaro de prata, Que eu poderei prender, chegando a ele? Não é um berço tão bonito a lua, Que sempre, e sem que pare, embala a infantes? Não posso um dia, de manhã, sozinho, Sem acordar ninguém, chegar-lhe à beira, Algumas gotas aparar de orvalho, Lavar-lhe aquelas nódoas, — e mais bela Torná-la depois disto? — Ah, velho, escuta: Eu quero o céu: mas dizem que p'ra tê-lo É preciso morrer? Pobre inocente, Não é preciso, não. Querê-lo basta. Querer somente e entrar. Não vês, infante? Vai-se p'ra lá por terra: — a porta dele Ei-la visível acolá bem franca. Tão feia, velho? — a porta dele — aquela Pasta de lama escurecendo os ares? Por fora, infante... E, velho, é só por fora? Mas ah! por fora eu vejo o céu tão lindo! E toda a tarde me chamava o velho, E me apontava ao céu, — qual no deserto, Querendo Satanás tentar ao Cristo, Subindo ao alto lhe amostrava o mundo. E acostumou-me: — e eu já chamava aquela Pasta de lama escurecendo os ares Co'o nome, oh! sim, de céu. Infante ainda Blasfemei, blasfemei co'os lábios do ímpio. Tu foste criminoso, oh velho indigno, De meus nefandos obrigados atos. VI És réu, és réu, — Atroador remorso, Se és um suplício, vinga-me daquele. Tu, anjo aterrador, que o sono travas Do mau que apenas adormece, e acorda Ânsio, torvado nas visões que inspiras, Á minha justa voz das trevas surge, Corre, vem com teu séquito de fúrias, Tu, ministro das cóleras do Eterno. Povoa o leito seu de horríveis serpes, De visões, de tortor: — vinga-me dele. Basta-lhe só na vida este castigo, O mais tenha-o depois no inferno mesmo. E vim depois, — e num furor sagrado, Louco religioso, entrei num templo. Com lágrimas de amor — devota insânia! — Prostrei-me soluçando ao pé das aras, No jaspe dos degraus. Ali co'o choque Do corpo ardente em flamas de delírio Sobre o frio do chão, senti... Quem pode Verter esse mistério em língua de homem? Não! ali, sem ação, caído ao longo, Não, não morri. Minh'alma tão somente Sem idéias parou: pensar não pôde. Sumiu-se, aéreo pó, a inteligência. Ficou-me o coração fervendo em sangue, Vulcão represso, — e congelado o corpo Unido ali co'a pedra. Estatua em terra, Ídolo gêsseo que do altar caíra, Não sei que mundo foi, não sei que abismo Que confuso habitei. Súbito estrala Funéreo canto que evocou-me à vida, Dizendo — morto — em destroçadas vozes. Depois alguma destra ergueu-me o corpo, E vi... Não sei que vi... Cegou-me os olhos O vítreo grosso das sanguíneas lágrimas. Pulvérea sombra de subtil memória Faz-me pensar que li. Prece ou contrato Não sei que foi. Um juramento eterno Fiz ao Senhor sobre os altares dele? Não lembra-me, não sei. Somente o dizem Estanhos homens, de negror vestidos, — Homens? quem sabe se demônios eram? Serafins infernais, do inferno falam, E seu irmão, satânicos, me chamam! Co'a voz tremenda, ameaçando as fúrias, Dizem que fiz um imortal protesto, Que há de seguir-me ao céu que ouviu-me as vozes, Que há de seguir-me aos penetrais do abismo. Clamam — infames! — que co'as próprias unhas Rasguei, abri o coração ao Cristo, E com seu sangue borrifei meus lábios, E com seu sangue sigilei meu pacto. Quando, esgotada essa visão terrível, Visão que a dor me realiza e a raiva, Olhei-me a mim, desconheci-me quase. É bem real, Pitágoras, teu sonho! O Démon que inspirava-te era um anjo. Dos arcanos do céu alguns tiveste. As almas dos mortais transmigram, passam De corpo em corpo, ou duma essência em outra. Corpo nem alma os mesmos me ficaram. Homem que fui não sou. Meu ser, meu todo Fugiu-me, esvaeceu-se, transformou-se, Vivo; mas acabei meu ser primeiro. Lábil reminiscência inda me antolha Fugazes sombras da passada vida. Para maior suplício, aqui num quadro Esses dois tempos comparados vejo Ante mim sempre, que os refuso embalde. Eu te creio, Pitágoras, nos sonhos! As almas dos mortais transmigram, passam De corpo em corpo, ou duma essência em outra. Se eu não morri, sou trânsfuga da vida. Dista, dista de mim minh'alma antiga. A toga férrea que estreitou-me os artos, Como azinhavre devorou-me as carnes Osso, esqueleto, pelas fibras prezo, Vou caminhando, — e caminhando rinjo. Folga, Loyola: — eu preenchi teu mando. Até te entrego o teu supérfluo «quase.» Eu sou cadáver, sou! — Olha-me e julga. É pouco ainda este sofrer tão duro Feito por vós, hipócritas sagrados? Não basta aqui a conclusão das dores? Vossos troféus, que em lágrimas se ensopam, Enegrecidos, úmidos de sangue, Cruor gotejam dos rasgados peitos, Que lancinados dos seus topes pendem, — E a glória vossa não se farta iníqua, E não vos pode encher vítima tanta? Polifemos cruéis, milformes hidras, Monstros piores que os horríveis monstros Que a mão de Homero bosquejava o medo, Portentos de terror — quereis mais pasto? Pois sim! —Abri as leoninas garras, E destampai vosso infernal sarcasmo! De vosso instinto a furiosa insânia Vou talvez saciá-la. Ouvi-me ainda. VII Marmóreo cárcere apertou-me os ossos Carcomidos, esquálidos, sem forma, — E o dom que extrema os animais e os homens Aqui perdi-o. Oh tu, filho do Eterno, Ouve meu brado acrisolado e puro No lar do coração — que aflito o amaste! Uma palavra te pulou dos lábios, Gládio de fogo, onipotente e santa, — E nela voa a liberdade aos povos. Uma palavra também salta em chamas, Gládio de súlfur, peçonhenta e grande, Desse rival que Tântalo te emula, — E nela voa a escravidão dos povos. Filho do Eterno que impossíveis podes ‘Té quando em burla deixarás teu reino? Cai debaixo do inferno o mesmo Empíreo! Deus! em teu nome Satanás impera! Aqui nos claustros os demônios moram, — E o monge verga ao desespero o colo, E julga mão divina a mão que o toca, E blasfema do Cristo, e as aras cospe, E a cruz e a Bíblia entre delírios pisa. A crença augusta que no peito aperta, Que no leite materno haurira infante, Que nos cristais da dor sair procura, Disse — Sois livres — indistinta aos homens, E diz ao monge — Escravo! — E o monge insano Pisa mais uma vez a cruz e a Bíblia. Tal o furor que a escravidão excita! Tal sou, tal è o monge, — ente não-homem A quem privou-se a liberdade, — e nela Privada topa a consciência em nada. O crime e a raiva no seu peito habitam. Cobrem-lhe a face mascaras de louça, Onde um sorriso angélico se imprime Nos templos e nas praças. Em sua alma Contínuo instigações malvadas fervem. Que celerados espantosos planos Não têm nascido aqui! Frontais anosos, Tetos sombrios, seculares muros, Respondei-me, falai. Em vosso espaço Co'o dia emenda-se a mudez da noite? Oh! quanto prova este silencio eterno! Se eu fora ao mundo arremessado acaso, Em qualquer pólo, no torrão, no gelo, A estas horas meditara em crimes? Blasfemara de Deus perante a lua, Cujo orvalho. me queima? O leito, o sono Ser-me-ia travado â meia-noite? Mais aflitivo que o labor de escravo, Ócio infamante, eu te renego em balde! Geram-se os vícios em teu mole seio, E te beijando, e te cingindo o colo, Boceja, estira-se a lascívia, — e dorme. Trucida as almas solidão forçada, Barbariza, asselvaja. As pandas azas Bate a virtude, e nas famílias pousa. Tenra plantinha, nos desertos nasce Um certo amor que abandonado expira, Ou torrentes de tóxicos dimana. Aqui o coração se volve em raio, Os ossos em punhais, a mente em fúria. Aqui em fel a inspiração se embebe. Aqui de opróbrio a candidez se mancha. Aqui converte-se a virtude em crime. Mas ah! lá chama às orações o sino! Um sacrilégio mais! Senhor! perdoa! Vou emendar imprecações com salmos. Vai em teu templo reboar meu brado, Que aos céus não sobe, cavernoso e rouco. Minha voz, minha voz conspurca as aras, Irônica e gelada. Em atro cofre Ardem-me dentro renegados gritos. Cada palpite maldições me clama. Blasfêmia pulsam-me as artérias todas. Senhor! eu não sou réu, — tu bem o sabes, De sacrilégio tal! Perdoa ao ímpio, — Ao ímpio feito por mais ímpios que ele. Agora ride, hipócritas sagrados! Eis-aqui vossa obra. Algozes, vede-a! É cruel, como vós; mirai-vos nela. Não mais clameis que edificou-a o Cristo. Contumélia infernal! — Senhor! teu filho Fora teu filho, se criasse os males? VIII Na torre havia-se calado o sino, E o eco apenas ressoava ao longo. Também o monge emudeceu com ele, Fechou a cela, e caminhou soturno Pelas naves afora. Um som compresso, Quase carpido, na abafada cela, Ficou ainda a refletir-lhe as vozes. E eu ali, embevecido em ânsias, Fiquei chorando, —e lamentei-lhe a sorte. Aos montes do Senhor ergui meus olhos, E disse uma oração. Rezando ainda, Senti nas veias afluir-me a calma, — E cri que o monge a conseguiu comigo. Inda corria a viração da noite Com fresca madidez. Pedi-lhe as azas, E fui saudoso a meditar meus carmes.

Inspirações do Claustro

Sinopse

Inspirações do Claustro, de Junqueira Freire, é um livro brasileiro de poesia romântica publicado originalmente em 1855 e ampliado na segunda edição de 1867. A obra reúne o prólogo do autor, juízo crítico e poemas marcados pela experiência do claustro, conflito espiritual, imaginação religiosa e lirismo ultrarromântico. Esta edição gratuita do Literunico oferece leitura online em capítulos HTML, obra em domínio público, fonte BLPL/UFSC validada, espelhos completos de conteúdo e metadados reforçados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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