Universo da obra
Universo da obra
À memória do infeliz
poeta Tomás Antônio Gonzaga.
“Há de certo alguma
harmonia oculta na desgraça, pois todos os infelizes são inclinados ao canto.”
C. Roberto
Onde, poeta, te conduz a
sorte?
Vagas saudoso, no
tristonho error!
Longe da pátria... no
exílio... a morte
Melhor te fora, mísero
cantor.
Bardo sem dita!...
patriota ousado
Quem sobre ti a maldição
lançou!.?.
Cantor mimoso, quem
manchou teu fado?
E a voo d’águia te
empeceu, — cortou?
Quem de tua lira
despedaça as cordas,
As áureas cordas de
infinito amor?!
Essas mesquinhas,
virulentas hordas.
A voz d’um homem, que se
crê senhor!...
E tu, que cismas
libertar — em anseio
O pátrio solo — que a
aflição feria
Que à lísia curva o palpitante seio.
E a fronte nobre para o
chão pendia.
Da pátria longe, teu
suposto crime
Vás triste, aflito a
espiar — Dirceu!
Quem geme as dores, que
teu peito oprime?
E as tristes queixas? — só
as ouve o céu.
Mártir da pátria!
Liberdade, amor
Foram os afetos que
prendeu teu peito...
Gemes, soluças, infeliz
cantor.
Vendo teus sonhos — teu
cismar desfeito.
Ela! a estrela, que teus
passos guia!
Ela — os afetos de tu’alma ardente!
Ela — tua lira de gentil
poesia!
Ela — os transportes de
um amor veemente!
Marília!... A pátria — teu
amor, tua glória,
Tudo, poeta, te
arrancaram assim!
Dirceu! Teu nome na brasília história,
É grata estrela de
fulgor sem fim.
Qual teu crime, oh!
trovador?
É crime acaso o amor,
Que a sua pátria o filho
dá?
Foi já crime em alguma
idade,
Amar a sã liberdade!
Dirceu! Teu crime onde
está?
É crime ser o primeiro
Patriota brasileiro,
Que a fronte levanta e
diz:
— Rebombe embora o
canhão,
Quebre-se a vil
servidão,
Seja livre o meu país!
Nossos pais foram uns
bravos;
Nós não seremos
escravos,
Vis escravos nesta
idade:
Rompa-se o jugo
opressor:
Eia! avante, e sem temor
Plantemos a liberdade!
Ah, Dirceu, tu te
perdeste!
Mártir da pátria — gemeste
De saudade, e imensa
dor!
Choraste a pátria
vencida:
Tanta esperança
perdida...
Perdido teu terno
amor!...
E vás no exílio
suspiroso, e triste
Gemer teu fado no
longínquo ermo;
Até a morte do infeliz —
amiga,
Aos teus tormentos te
ofereça um termo!
Brumas as noites na
africana plaga
Mais te envenena da
saudade a dor...
Secam teus prantos o
palor da morte,
A morte gela no teu
peito o amor...
Leia gratuitamente Cantos à beira-mar, de Maria Firmina dos Reis, livro de poesia brasileira em domínio público publicado em 1871. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 55 poemas em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte BLPL/UFSC validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.