Universo da obra
Universo da obra
Tupi, que dormia da paz
no remanso,
De plumas coberto, de
flecha na mão,
Escuta de guerra no
Prata uma voz,
Escuta uma luta de
estranha feição.
Desperta, e pergunta:
“Quem ousa acordar-me?”
Respondem-lhe: um
monstro insulta a nação!
Oh! ei-lo guerreiro,
brioso, pujante,
Chamando seus filhos com
voz de trovão,
E os brados se escutam
nas matas d’além,
Nas selvas longínquas,
nos montes na serra:
Mil homens se erguem,
mil homens repetem
O brado do gênio, que é
brado de guerra.
E marcham seus filhos
sedentos de glória,
Que bravos são eles,
heróis todos são!
— Entanto que o monstro
se nutre de sangue –
Ribomba no Prata brasílio canhão.
E uma após outra se
rendem cativas
Do vil Paraguaio
trincheiras a mil;
E renque de escravos
cadáver já são...
E ele! Vacila... já teme
ao Brasil.
É dura a fadiga... Por
ínvios caminhos,
Esteros imundos, pauis, lodaçal
Lá marcham os filhos do
bravo Tupi,
Dobrando galhardos,
ardor marcial.
A voz que os dirige é
voz do gigante,
De plumas coberto, de
flecha na mão;
É voz que se escuta do
Prata ao Amazonas,
Que os ecos repetem, que
é voz da nação!
E foram-se avante — guerreiros
avante
Que é firme seu passo,
só sabem vencer!
E o último asilo, que
resta ao tirano,
Se rende a seus brados: —
vencer, ou morrer!
E treme o abutre de
crimes coberto,
E o manto retinto do
sangue dos seus
Na selva espedaça, nas
moitas de espinhos.
Oh! quantos triunfos!
oh, quantas vitórias!
Villeta, Belaco,
soberba Humaitá!
O Chaco,
Angustura! oh Lopes! oh monstro!
Teu ódio, teus brios,
cacique, onde está?
E a fronte do gênio,
cingida de louros,
Altiva, potente — lhes
diz: Escutai!
Vingastes, meus filhos,
da pátria o insulto,
O Nero expulsastes...
meus filhos, — parai.
Oh! eu vos saúdo! — dourastes
a história
Já grata, e tão nobre da
terra da Cruz;
Agora aos que gemem nas
trevas cativas
Levai generosos mil
raios de luz.
Erguei-lhes a fronte eu o beijo a paz.
Dizei-lhes, meus filhos:
— tu és meu irmão!
E vinde eu os braços vos
abre o tupi.
De plumas coberto, de
flecha na mão.
Leia gratuitamente Cantos à beira-mar, de Maria Firmina dos Reis, livro de poesia brasileira em domínio público publicado em 1871. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 55 poemas em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte BLPL/UFSC validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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