Leia agora
Cantos à beira-mar

Universo da obra

Cantos à beira-mar

Capítulo 47 · Cantos à beira-mar

Embora eu goste

47 de 55 ≈ 3 min de leitura

Embora eu goste de
escutar sozinha,

O mago acento da ternura
tua:

Embora em meus
transportes eu te adore,

Embora sobre mim teu ser
influa;

Embora eu folgue por te
ver risonho,

Cativo ao meu querer, a
mim rendido;

Embora amor te abrase o
peito em sonho,

E meu peito o adivinhe
enternecido;

Embora venha a flor
desses teus lábios,

Essa frase sonhada, e
misteriosa;

Essa palavra mágica, que
enleva

Como perfume de
orvalhada rosa;

Embora em escutá-la eu
despertasse

Deste longo torpor, — desta
apatia;

Embora de meu peito
transbordasse

Em ondas de prazer louca
alegria;

Sepulta-a no mais imo da
tua alma,

Volvê-la à custo embora —
ao coração:

Imponho-te o silencio,
que me imponho,

Embora eu sinta por te
amar — paixão.

Talvez, sim, que
minh’alma te compr’enda;

Talvez que nos estreite
um só querer;

Talvez... mas, ah!
porque rasteira grama

Intentas, louco! de seu
leito erguer!...

Não sabes que isolada
ela vegeta

Deserdada por Deus de
afeto, e amor?

Ah! não lhe toques, — não
lhe dês teu pranto:

Deixa-a isolada,
emurchecer de dor.

A hora em que nasci
sumiu-se o disco

Do sol luzente — e uma
estrela pura

Não fulgiu no lençol
azul do céu,

Amenizando-me a
existência dura:

E avara de gozos foi-me
a infância,

Para os demais idade
venturosa...

A primeira expressão da
minha vida,

Foi do infindo pesar — dor
venenosa.

A custo hei arrastado os
longos dias

De penosa aflição já bem
eivados;

Custei-me a dominar — não
formo queixas

Contra o capricho de
meus agros fados.

Deixa que eu sofra sem
que o saibas tu,

Paixão ardente me ondear
no peito:

E que se exalte o
coração de afetos,

E que se estremeça por
amor sujeito.

Deixa em segredo repetir
minh’alma

Que o meu ouvido não me
escute o acento,

Que és o doce enlevo do
meu peito,

O bem que me absorve — o
pensamento.

Mas nunca intentes
arrancar-me aos lábios

De amor a misteriosa
confissão.

Impossível me fora...
oh! impossível! –

Sem que o saibas é teu —
meu coração.

Posso dar-te a
existência — a vida inteira;

Contigo partilhar
ventura, ou dor;

Mas, nunca a teus
ouvidos murmurara

Com mago acento esta
palavra — amor!

Embora em repeti-la eu
despertasse

Deste longo torpor,
desta apatia;

Embora de meu peito
transbordasse

Em ondas de prazer minha
alegria.

Sepulto-a no mais fundo
de minh’alma,

Volva-a a custo embora —
ao coração;

Imponho-me o silêncio
que te imponho,

Embora sinta por ti
amor, paixão.

Cantos à beira-mar

Sinopse

Leia gratuitamente Cantos à beira-mar, de Maria Firmina dos Reis, livro de poesia brasileira em domínio público publicado em 1871. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 55 poemas em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte BLPL/UFSC validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Cantos à beira-mar

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Cantos à beira-mar

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Cantos à beira-mar

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Cantos à beira-mar Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 47 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Cantos à beira-mar

Todos os capítulos 55 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir