Universo da obra
Universo da obra
Dedicada ao ilustre
literato maranhense o Sr. Dr. João Clímaco Lobato.
Sincera gratidão.
Oh! Brasil, eu te saúdo,
Vasto império do
cruzeiro!
És na América o
primeiro,
És minha pátria gentil,
O grande, o nobre tu és.
A pátria de heroica
gente,
Que seus avós não
desmente,
Sequer na vida uma vez!
Glória a ti!... que os
bravos filhos
Bem te vingam denodados
A teu brado alevantados,
Foi qual pó que o vento
ergueu!
E das balas se sorrindo
Passam Mercede, e Cuevas!
Legando seu nome aos
evos;
A ti, de glória, — um
troféu.
É que da armada ao
exercício,
Do general ao soldado.
Só se escuta o mesmo
brado;
Eia! Vencer ou morrer!
Então pulsam destemidos
Os peitos de infindos
bravos,
Vão remir milhões de
escravos,
Indo a pátria defender.
Avultam Mariz e Barros.
Afonso, Marcilio Dias.
Mil outros que em nossos
dias
Douram as páginas da
história!
E caem co’a fronte
exausta;
Mas que importa? Seu
nome,
Ganha o Brasil um renome
É padrão de eterna
glória!
Avante! avante — lá
ficam
Destroços, ruína...
embora!
Humaitá, eis soa a hora,
Da ruína tua final!
Já sob tuas muralhas,
Por sob balas, clamores,
Passam galhardos
vapores,
Como brisa em fundo val.
Chove a metralha à
porfia
Sobre a armada
brasileira;
Mas a auriverde bandeira
Não se curva altiva
está!
Qu’importa que o inimigo ocupe,
Superior posição?
Não teme a armada o
canhão
Da misérrima Humaitá.
Viste o bravo Mauriti,
Honra, e glória do
Brasil!
A arrostar metralha a
mil.
Sempre tranquilo a
passar?
Era o gênio das
batalhas,
Aquele jovem guerreiro!
Nelson, eis um
brasileiro,
Que vem teu nome
ofuscar,
Era belo vê-lo assim
Alheio a todo o vapor
Desse hediondo fragor,
Que nele é glória
afrontar:
Era vê-lo corajoso,
Sob as imigas muralhas,
Qual semideus das
batalhas,
A passar e repassar!
Oh! Brasil, eu te saúdo,
Vasto império do
Cruzeiro!
És na América um
luzeiro,
Eu te saúdo, oh Brasil!
Prossegue em tua
carreira,
Vinga teu brio ofendido,
E do monstro envilecido
Curva a fronte negra, e
vil.
Dize a essa antiga Roma
Que não lhe invejas os
brilhos;
Sim, que tens heróis por
filhos,
Por divisa — Liberdade!
Que esmagar sabes um
déspota,
Sabes vergar um tirano,
Que no solo americano,
Ostenta ferocidade.
Mas, que levas generoso,
Depois da guerra — o
perdão!
Que vais quebrar o
grilhão
Desses míseros escravos!
Que vais levar-lhes — bondoso
Paz, amor, fraternidade,
Instrução, lei,
liberdade,
Fazê-los povo de bravos.
Vai desmentir esses ecos
Da soberba Inglaterra,
Que te faz mesquinha
guerra,
Que te diz — conquistador!
Vai mostrar à Europa
inteira,
Que no solo americano
Não se consente um
tirano,
Não se sofre um ditador.
Dize que os povos
escravos
Vais levar com lealdade
Não ferros, mas
liberdade,
Progresso — não
opressão.
Vai quebrar as vis
cadeias,
As algemas de seus
pulsos,
De amor em doces
impulsos,
Vais dizer-lhe: És meu
irmão!
Avante! Eu te saúdo,
Vasto império do
Cruzeiro,
Que à voz de Pedro
Primeiro
Despertaste assim
gentil!
Oh! minha pátria
gigante,
Esmaga o fero Solano,
Mostra ao povo americano
Quanto és nobre, oh! meu
Brasil!
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