Leia agora
Cantos à beira-mar

Universo da obra

Cantos à beira-mar

Capítulo 8 · Cantos à beira-mar

Dirceu

8 de 55 ≈ 3 min de leitura

À memória do infeliz
poeta Tomás Antônio Gonzaga.

“Há de certo alguma
harmonia oculta na desgraça, pois todos os infelizes são inclinados ao canto.”

C. Roberto

Onde, poeta, te conduz a
sorte?

Vagas saudoso, no
tristonho error!

Longe da pátria... no
exílio... a morte

Melhor te fora, mísero
cantor.

Bardo sem dita!...
patriota ousado

Quem sobre ti a maldição
lançou!.?.

Cantor mimoso, quem
manchou teu fado?

E a voo d’águia te
empeceu, — cortou?

Quem de tua lira
despedaça as cordas,

As áureas cordas de
infinito amor?!

Essas mesquinhas,
virulentas hordas.

A voz d’um homem, que se
crê senhor!...

E tu, que cismas
libertar — em anseio

O pátrio solo — que a
aflição feria

Que à lísia curva o palpitante seio.

E a fronte nobre para o
chão pendia.

Da pátria longe, teu
suposto crime

Vás triste, aflito a
espiar — Dirceu!

Quem geme as dores, que
teu peito oprime?

E as tristes queixas? — só
as ouve o céu.

Mártir da pátria!
Liberdade, amor

Foram os afetos que
prendeu teu peito...

Gemes, soluças, infeliz
cantor.

Vendo teus sonhos — teu
cismar desfeito.

Ela! a estrela, que teus
passos guia!

Ela — os afetos de tu’alma ardente!

Ela — tua lira de gentil
poesia!

Ela — os transportes de
um amor veemente!

Marília!... A pátria — teu
amor, tua glória,

Tudo, poeta, te
arrancaram assim!

Dirceu! Teu nome na brasília história,

É grata estrela de
fulgor sem fim.

Qual teu crime, oh!
trovador?

É crime acaso o amor,

Que a sua pátria o filho
dá?

Foi já crime em alguma
idade,

Amar a sã liberdade!

Dirceu! Teu crime onde
está?

É crime ser o primeiro
Patriota brasileiro,

Que a fronte levanta e
diz:

— Rebombe embora o
canhão,

Quebre-se a vil
servidão,

Seja livre o meu país!

Nossos pais foram uns
bravos;

Nós não seremos
escravos,

Vis escravos nesta
idade:

Rompa-se o jugo
opressor:

Eia! avante, e sem temor

Plantemos a liberdade!

Ah, Dirceu, tu te
perdeste!

Mártir da pátria — gemeste

De saudade, e imensa
dor!

Choraste a pátria
vencida:

Tanta esperança
perdida...

Perdido teu terno
amor!...

E vás no exílio
suspiroso, e triste

Gemer teu fado no
longínquo ermo;

Até a morte do infeliz —
amiga,

Aos teus tormentos te
ofereça um termo!

Brumas as noites na
africana plaga

Mais te envenena da
saudade a dor...

Secam teus prantos o
palor da morte,

A morte gela no teu
peito o amor...

Cantos à beira-mar

Sinopse

Leia gratuitamente Cantos à beira-mar, de Maria Firmina dos Reis, livro de poesia brasileira em domínio público publicado em 1871. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 55 poemas em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte BLPL/UFSC validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Cantos à beira-mar

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Cantos à beira-mar

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Cantos à beira-mar

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Cantos à beira-mar Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 8 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Cantos à beira-mar

Todos os capítulos 55 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir