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Cantos à beira-mar

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Cantos à beira-mar

Capítulo 24 · Cantos à beira-mar

Poesia

24 de 55 ≈ 3 min de leitura

Dedicada aos bravos da
Campanha do Paraguai, especialmente ao invicto tenente-coronel Francisco Manoel
da Cunha Junior.

Remonta a antiga era — inda
o Brasil

Não tinha a lusa gente
avassalado,

E já o nosso céu de puro
anil,

Cobria um povo herói, um
povo ousado,

É sempre o mesmo gênio
brasileiro,

Brioso, nobre, ardido, e
guerreiro.

Foi ele quem guiou vossa
bandeira.

Nos combates, nas lidas,
nas vitórias!

Foi quem na luta
ingente, e altaneira.

Doou-vos o troféu de
eternas glórias!

Soldados da moderna
liberdade,

Glória do vosso valor, e
heroicidade!

E vós, que de tal brio
foste herdeiro,

Que da pátria sequer não
desmentiste

A risonha esperança...
vós, guerreiro,

Que impávido ao perigo
resiste,

Que compreendeste assaz
vossa missão,

Recebei, Cunha Junior,
esta ovação!

Se o valor nos combates
te guiava,

Se o pátrio amor te
despertava os brios,

Se a voz da artilharia
te animava,

Sem te empecer o passo esteros, rios;

Deixa que nossos votos
vão provar-te

Da nossa gratidão
mesquinha parte.

Deixa cantar-te, herói
de Aquidabã,

Deixa cantar-te, exímio
maranhense,

Que honraste a terra
antiga de Cumã.

Que honraste o torrão Guimaraense!

Deixa comemorar tuas
façanhas,

Quem ama alto valor,
glórias tamanhas!

Deixa cantar-te, herói
de Tuiuti,

Distinto de Humaitá,
forte em Angustura!

Bravo em Luque, em Sauces, e Avaí,

Onde tantos acharam
sepultura!..

Deixa cantar teus
feitos, oh! guerreiro,

Deixa louvar-te excelso
brasileiro!

Mas consente que junte
no meu canto

Ao teu nome, — dos
mortos a memória,

D’queles
que nos pedem infindo pranto.

Porque a morte os colheu
em afã de glória

Deixa que um ai sentido
de saudade.

Vá quebrar-lhes da
estampa a soledade...

Foram todos heróis — como
vós fostes

Dos louros das batalhas
adornado!

Intrépidos leões do sul,
e norte,

Tinham por timbre
esforço denodado...

A eles — de saudade o
nosso pranto,

E a vós, guerreiro
invicto, — o meu canto.

Cantos à beira-mar

Sinopse

Leia gratuitamente Cantos à beira-mar, de Maria Firmina dos Reis, livro de poesia brasileira em domínio público publicado em 1871. Texto preparado em HTML para leitura online no Literunico, com 55 poemas em capítulos, capa nova no padrão Literunico, fonte BLPL/UFSC validada, busca, redes sociais e pesquisa por IA.

Cantos à beira-mar

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