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A menina Lisa

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A menina Lisa

Capítulo 2 · A menina Lisa

Uma criada que sai a recados

2 de 19 ≈ 17 min de leitura

—Adriana! Adriana! vejam lá se ela aparece! Adriana! Ah! esta rapariga é insuportável! Nunca vem quando se precisa de ela! E depois, não há com que chamar! aqui porém deve haver uma campainha... Adriana!...

Uma rapariga gorda, fresca, bem feita, cara vulgar, nariz mais grosso que comprido e cabelo loiro-arruivado, aparece enfim à porta de um quarto que podia passar por um camarim, e no qual estava uma senhora estendida, como que desmaiada, em cima de uma poltrona, enquanto que outra senhora, mais nova, mas pouco bonita e cujo vestuário elegante não conseguia fazer esquecer a sua fealdade, lhe batia na mão, sempre chamando em altos gritos a criada grave.

—O que é minha senhora? pergunta a menina Adriana, que parece não se ter apressado nada; a senhora está a gritar! grita como se houvesse fogo em casa!...

—O que é, pois não vê? é a sua ama que acaba de perder os sentidos, depois de ter dado um grito muito grande; como ela se agita... como se põe interiçada...

—Ah! sim, eu conheço isso; a senhora está com o seu ataque de nervos, com o seu faniquito; isso dá-lhe quando é contrariada, ou quando tem alguma altercação com o sr. Casimiro.

—Deu-lhe isso ainda agora depois de ter lido uma carta que a menina acaba de lhe trazer. Mas enfim, quando Ambrosina tem o seu ataque de nervos, a menina faz-lhe tomar alguma coisa, penso eu, não a deixa sem socorro?

—De certo, minha senhora, faço-lhe tomar a limonada que o médico lhe receitou. E isso faz com que a senhora torne a si ao cabo de alguns minutos.

—Pois bem! dê-lhe a tal limonada; ande depressa, porque ela parece sofrer muito, esta pobre Ambrosina. Sabe onde ela tem essa limonada?

—Sei sim, minha senhora, sei, certamente que sei... Ai! Jesus! agora me lembro...

—De que?

—Ai! valha-me Deus! sim, a senhora tinha-me dito ontem que lhe fosse buscar outra garrafa. É verdade... agora me recordo...

—Como? pois não há limonada em casa?

A criada grave, que tem ido abrir um armário, traz de lá uma garrafa branca, mas que está de todo vazia, e vem mostrá-la à amiga de sua ama, dizendo:

—Aqui tem, veja, não lhe minto, não resta nem uma gota.

—E não foi ontem encomendar mais?!...

—Esqueci-me, a culpa é da porteira, que me demorou para me falar do gato quando eu saía, o gato desapareceu-lhe há dois dias.

—Mas não se trata do gato da porteira, o que é preciso é socorrer sua ama. Tem a receita para essa limonada?

—Tenho sim, minha senhora, porque eu tinha tenção de ir ontem à botica, devo-a ter ainda na algibeira.

E a menina Adriana mete a mão na algibeira, tira de lá primeiramente algumas passas de uva, e sorri-se dizendo:

—É aquele toleirão do caixeiro da tenda que sempre me há de meter alguma coisa no bolso. Por mais que eu lhe diga: Deixe-me sossegada, guarde as suas passas, não quero brincadeiras...

—Mas que é da receita? não se trata agora do que a menina diz ao caixeiro da tenda.

—Ah! deve ser isto!...

Adriana desembrulha um papel e lê o anuncio de uma loja nova em que se oferecem as fazendas com oitenta por cento de abatimento; depois atira com o papel para o lado, dizendo:

—Ora! fui lá, minha senhora, mas são uns mentirosos, não vendem nada novo, venderam-me umas calças de pano que tinha sido virado.

—Ah! compra calças de pano para si?

—Nada, era para o irmão de uma patrícia minha.

—Mas então perdeu a receita, desgraçada!

—Não minha senhora; olhe, aqui está, aqui a tem, tinha embrulhado com ela uns torrões de assucar que me deu o moço do botequim.

—Agora corra depressa à botica. É muito longe?

—Não minha senhora, é aqui perto, no fim da rua Meslé, uma bonita botica, no prédio novo, que dá quase para a rua do Templo. Ah! é uma das melhores de Paris.

—Contanto que o remédio não leve muito tempo a fazer.

—Oh! não, minha senhora, não leva. E depois, direi que tenho muita pressa, para me despacharem logo; aqueles senhores da botica são muito amáveis, muito obsequiadores.

—Vai já muito depressa, não é verdade?

—Sim, minha senhora; é só pôr uma touca na cabeça, e vou imediatamente.

—Para que precisa de touca? Não pode ir assim mesmo como está?

—Oh! a senhora não quer que eu saia em cabelo; diz que não é bonito.

—Mas sua ama não o saberá.

—Perdão, podia alguém encontrar-me e vir dizer-lhe que me viu na rua sem touca! A senhora despedia-me logo: mas esteja descansada, não gasto em isso muito tempo.

A criada grave corre ao seu quarto, que é nas águas-furtadas, pega em uma touca, põe-na na cabeça, vê-se a um espelhinho, mas não fica satisfeita; tira a touca, procura outra no fundo de uma caixa de papelão, experimenta-a, torna a ver-se ao espelho; depois, passado um momento de hesitação, tira ainda esta e torna a pôr a primeira; de esta vez contenta-se com ela, e desce enfim os cinco andares, para ir buscar o remédio para sua ama, que tem muito tempo para estar desmaiada.

Mas, quando vai passar por diante do cubículo da porteira, grita-lhe esta:

—Menina Adriana! menina Adriana! ah! uma boa notícia...

—Então o que é, sr.ª Bedou?

—Achei já o meu gato; o pobre Pagnole! Achei-o. Olhe! aqui o tem.

—É verdade; e aonde é que estava?

—Ah! eu lhe vou contar o caso, é uma história completa. Entre cá um instantinho.

—Não posso, vou à botica buscar um remédio para a senhora, que está incomodada, está com o seu ataque de nervos.

—Bem sabe que ela é propensa a esses ataques. Imagine que foi aquele maroto, aquele patife do quinto andar, o tal que se diz literato...

—Ah! o sr. Denegrido.

—Sim, foi aquele malvado que, para se vingar de eu no outro dia não lhe ter aberto a porta às duas horas da manhã... A menina compreende que um homem que mora em uma água-furtada de cento e sessenta francos, tenha o atrevimento de recolher para casa às duas horas da manhã? E ademais nunca me deu a mais pequena gratificação! Pois bem! ele é que tinha o Pagnole fechado em casa, onde estou bem certa que nunca lhe dava de comer; por isso este pobre mártir emagreceu tanto em estes dois dias. Felizmente a criada do procurador do segundo andar ouviu-lhe os gemidos, e veio dizer-me: «Parece-me que o seu gato está fechado em casa do literato. Subi em um pulo até ao quinto andar e reconheci a voz do meu querido bichano. Bati, teria arrombado a porta se ele não a abrisse. Ele gritava-me: «Não estou ainda levantado.»—«Pois levante-se,» respondi eu.—«Não estou vestido.»—Que me importa a mim isso?! pensa que tenho vontade de o retratar?! O homem afinal abriu a porta; o gato veio logo lançar-se-me nos braços. Afianço-lhe que o tal Denegrido há de ser despedido no fim do seu arrendamento; demais, ele não paga, não tínhamos tenção de o conservar.

—Até logo, sr.ª Bedou.

—Quando voltar lhe direi o que o escrevinhador me disse para se desculpar de ter fechado o Pagnole. Imagine...

—Sim, sim, quando voltar.

A menina Adriana acha-se enfim na rua. Quando passa por diante da tenda, um dos caixeiros, que parecia estar a espreitá-la, toma-lhe o passo, dizendo-lhe:

—Aonde é que vai com tanta pressa? parece que corre em um velocípede.

—Ora! que tolice! como se as mulheres pudessem andar em velocípedes! o que é pena, porque seria uma coisa muito comoda para nós fazermos os nossos recados.

—As mulheres podem muito bem andar em velocípede, o caso é acostumarem-se.

—Vamos, sr. Cebolinha, deixe-me passar, não tenho tempo para conversar agora.

—Oh! a menina comigo nunca tem tempo, mas ontem, às dez horas da noite, bem a vi estar de paleio com o moço do botequim do boulevard, as casas do boulevard S. Martinho, na margem esquerda têm todas uma saída para a rua Meslée, é comodo...

—E então? sim, bem me lembro, efetivamente, estive a falar com o Alexandre, a senhora queria tomar um capilé de leite antes de se deitar, porque tinha tossido um pouco, e pensava que aquela bebida lhe faria bem à constipação, ia eu então ao café encomendar o que a senhora queria, quando encontrei na rua o Alexandre.

—Ah! não é maú o tal capilé, acho-o porém muito açucarado...

—O quê? o que é que o senhor quer dizer com esse ar de mangação?

—Quero dizer que se a sua ama a esperava para se deitar, teve tempo para adormecer antes de tomar a tal bebida, a menina demorou-se uma boa meia hora na rua com o moço do botequim.

—É que ele provavelmente tinha muito que me contar.

—Se é de aquela maneira que ele faz o seu serviço, não tarda que o despeçam.

—Bem se importa ele com isso! não tem vontade nenhuma de ficar onde está; vai tomar um café e estabelecer-se por sua conta.

—Oh! então o caso é diferente. E a menina é que vai para o balcão?

—Ora! quem sabe! tem-se visto coisas mais de espantar.

—O Alexandre vai tomar um botequim por sua conta! Ah! ah! ah! essa é forte de mais, pode-se juntar com o capilé.

—Sr. Cebolinha, o senhor é muito maldoso, diz mal de toda a gente, desacredita todo o bairro. É uma coisa muito trivial, todos os dias se estão a estabelecer os moços de botequim por sua conta, isso vê-se a cada passo!...

—Sim, mas os que fazem isso são aqueles que têm feito economias, que têm forrado alguma coisa do seu ordenado, e não os gastadores, os extravagantes como o seu Alexandre.

—Porque é que diz: o seu Alexandre? Ele é tanto meu como de qualquer outra! o rapaz deve-lhe alguma coisa, para o senhor estar assim a dizer mal de ele?

—É verdade que sim; deve-me ainda uma libra de mel que lhe vendi para adoçar as suas tisanas, quando esteve doente, e, como o patrão me tinha proibido de lhe dar fiado, sou eu que terei de pagar.

—Ora! ele lhe pagará o seu mel. Olhe, lá o chamam, ande, volte para a loja.

—A menina volta?

—Nunca! o senhor tem muito má língua.

A criada contínua o seu caminho; mas cem passos mais adiante encontra-se com outra criada quase da mesma idade e que está vestida com muita garridice.

—Ah! és tu Rosa!

—Boas noites, Adriana. Aonde vais com tanta pressa?

—Vou à botica buscar uma limonada para minha ama, que está com o seu ataque de nervos.

—Ainda estás em casa da tal sr.ª Montémolly?

—Ainda.

—Gostas de lá estar?

—Hum! não muito, não se diverte a gente quase nada; mas também não se está aperreada, pode-se sair e voltar tarde; é o que a casa tem de bom.

—E tua ama é senhora capaz?

—Ora! não sei bem... ela dá-se por viúva.

—de um general sem dúvida? todas elas são viúvas de um general; é uma das suas manias...

—Não, a minha diz que o marido era banqueiro. O que é certo, é que ele deixou-lhe fortuna: ela tem pelo menos quinze mil francos de renda, talvez mais alguma coisa; nós não fazemos dívidas, pagamos tudo a dinheiro de contado. Oh! temos bom governo.

—Que idade tem a tua sr.ª Montémolly?

—Ela diz que tem trinta e quatro anos, mas eu dou-lhe trinta e oito, também mais não; foi muito bonita, e está ainda bem conservada.

—E tem muitos adoradores?

—Não! infelizmente! porque se assim fosse, havia de divertir-se a gente muito mais, e seriam maiores os lucros.

—O quê! pois tua ama renunciou aos amores, ainda em idade de agradar!

—Não! é que não percebes; minha ama não renunciou ao amor, muito pelo contraio, ela ama, oh! ama apaixonadamente um rapaz, um belo moço, o Casimiro Dernold, que vem quase todos os dias fazer-lhe companhia, que é musico, que é pintor também... enfim, que faz tudo quanto quer, mas que, segundo eu creio, não quer fazer outra coisa senão divertir-se! A senhora está doida pelo tal Casimiro, não pensa senão em ele, não sonha em outra coisa, não se importa com mais ninguém. É por isso que não dá atenção a todos os que procuram fazer-lhe a corte. É verdadeiramente fiel ao amante, a ponto de adoecer, de sentir as mais vivas inquietações, se ele não chega à hora do costume. Ah! minha querida Rosa! que asneira é amar um homem assim; e como a gente é muito feliz em não se prender! Não pensas como eu?

—Já se vê que sim! eu dou atenção a todos quantos me falam; por isso não tenho um instante de meu. Quando não converso com este, é porque estou conversando com aquele! Ah! ah! é muito mais divertido! E que idade pode ter esse Casimiro, amante de tua ama?

—Vinte seis a vinte sete anos, talvez.

—E tua ama tem trinta e oito! ele deve-lhe fazer muita falcatrua!...

—Não sei, em todo o caso, a senhora vigia-o muito, é ciumenta como uma pantera! fá-lo seguir; é mister que ele lhe dê conta do que faz cada dia, hora por hora.

—Pobre rapaz! olhem que vida! Eu antes queria estar nas galés!...

—Por isso ele algumas vezes respinga, grita, manda bugiar a senhora. Oh! então, são cenas terríveis! A senhora chora, ou pega em um punhalzinho que traz escondido no seio, e diz que se vai matar...

—Bom! eu conheço essa gíria! não tenhas medo de que se mate!...

—Olha, há um mês, quando ela soube que o seu Casimiro tinha estado no Mabille, quis cravar o punhal no peito; mas, ao que parece, dirigiu mal o golpe, porque não se feriu senão na orelha, que verteu algum sangue!

—Ah! ah! ah! ela quer-se apunhalar pela orelha. É uma grande farcista a tua ama. E esse Casimiro é rico também?

—Rico! ele! pelo contrário, não tem nada de seu. Então não percebeste a situação, e porque é que ele é escravo da senhora?

—Ah! sim, percebo agora; é ela quem o sustenta.

—Exatamente; tem-no seguro pela fome. Se o rapaz tivesse dinheiro, estou bem certa de que ela o não prenderia muito tempo.

—Olha, Adriana, não sei se tu és como eu, mas para mim os homens que não têm nada de seu, não prestam!...

—Eu não faço caso nenhum de eles! Ora! um homem viver à custa de uma mulher... é andar o mundo às avessas! Por ventura o homem não foi feito para ganhar dinheiro e a mulher para o gastar.

—Pois, minha rica, há ainda muitas mulheres bastante tolas que se deixam depenar pelos derriços. Olha, aí tens a Bochechuda, tu conheces a Bochechuda?...

—Quem? A Luizita?

—Sim, mas todos lhe chamam a Bochechuda, porque parece ter sempre as faces inchadas. Enfim, há já algum tempo, a Bochechuda travou conhecimento no baile Pilodo com um bonito rapaz, que lhe diz que é da mesma terra. Dança com ela todas as danças mais finas, mesmo as que ela não sabia. Depois convida-a para um jantar no campo no domingo seguinte; ela aceita; vai jantar com o seu novo conhecimento, que bebe como uma esponja; depois, quando chega a ocasião de pagar a conta, aquele senhor declara à Bochechuda que não recebeu da terra um dinheiro com que contava, e pede-lhe que lhe empreste com que pagar a despesa. Ela tinha felizmente levado o porte-monnaie. Empresta vinte francos ao tal sujeitinho, que paga e não lhe dá o troco. O jantar tinha custado apenas nove francos e dez soldos. Volta com ela a pé, não lhe oferece mais nada e larga-a muito cedo, com o pretexto de que tem um trabalho de escrituração a fazer para um tendeiro a quem serve de guarda-livros. A Bochechuda, que não gosta de ir para casa cedo em um domingo, põe uma touca nova e vai ao baile Pilodo com uma vizinha. Quem é que ela encontra lá? o seu parasita, o seu novo conhecimento, que fazia a corte a uma mulher e lhe pagava ponche com o troco da moeda de vinte francos que ela lhe tinha emprestado...

—Ah! a peça é bem pregada! e o que fez a Luizita?

—É tão tola que se foi embora chorando. Mas o mais curioso da história, é que, no domingo seguinte, o tal sujeitinho tornou-lhe a pregar a mesma peça. Jantam em uma casa de pasto, e na ocasião de pagar a despesa o patife diz que não tem dinheiro.

—Ah! isso é forte demais! e ela pagou outra vez?

—Pagou, mas pelas suas próprias mãos, e guardou o troco. Desde esse dia, nunca mais tornou a ver o seu parasita.

—Pobre Luizita! mas eu não a devo lastimar, que ela é muito presumida. E tu, Rosa, ainda estás em casa dos mesmos patrões?

—Dos Dupont? oh! não, graças a Deus! deixei-os! não era gente fina, aquilo não me convinha! A senhora ia à praça, ela é que me comprava tudo: O patrão descia ele mesmo à adega; sabia a conta das garrafas. Não se podia fazer nada com aquela gente! eram uns piolhosos, minha rica! Fechavam o assucar e os licores; aquilo não me podia convir. Eu tinha aceitado aquela casa enquanto me não aparecia outra; eu bem sabia que não ficaria lá muito tempo.

—E hoje estás melhor?

—Ah! minha rica, tenho um belo comodo! estou em casa de um homem só, um patrão rico, generoso, nada apoquentador, negocia por gosto, somente para se entreter. Temos uma bela casa aqui perto, na rua Béranger, seis casas em um segundo andar. Fiz com que o senhor tomasse um criado para esfregar; ele não o tinha, mas percebeu que eu não podia fazer tudo.

—Tens boa soldada!

—Seiscentos francos, sem contar as gratificações, os presentes!...

—Teu amo dá-te presentes! sempre és muito feliz!

—É verdade, ainda ultimamente me deu um rico lenço de seda da Índia!

—Que idade tem o teu patrão?

—E' um homem que anda pelos seus sessenta anos, mas não parece, está ainda muito bem conservado!...

—Ah! entendo... estás em casa de ele para todo o serviço. Ah! ah! esses cômodos é que são bons!...

—Ah! tu pensas tolices... pois enganas-te, afianço-te que não é isso...

—Ora adeus! então por que te dá ele presentes?...

—Ah! não digo que ele às vezes não goste de brincar um pouco, de rir, de me deitar os braços à roda da cintura, mas a coisa não chega nunca aonde tu imaginas.

—Deves perceber que isso para mim é-me indiferente; estás no teu direito de fazeres o que quiseres, assim como o teu patrão, visto que não tem mulher a quem dar satisfações. Ele é viúvo ou solteiro?

—Olha! não sei, que ainda lhe não perguntei isso... mas preciso sabê-lo...

—Ai! Jesus! minha ama que está à espera do remédio... e eu aqui a dar à língua contigo.

—Ninguém pode levar a mal que a gente converse o seu bocado; nós não nos encontramos todos os dias!

—Pois sim, mas agora vou de corrida à botica. Adeus! Rosa!

—Até outra vez, Adriana.


A menina Lisa

Sinopse

Leia gratuitamente A menina Lisa, de Paul de Kock, em versão portuguesa anônima publicada em Lisboa em 1907. Esta edição Literunico preserva o prefácio e os 18 capítulos integrais, com normalização ortográfica conservadora para PT-BR moderno.

A menina Lisa

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