Universo da obra
Universo da obra
A sr.ª Proh não falta a contar esta aventura a seu esposo, e o professor exclama:
—Não introduza nunca pessoas estranhas nos seus lares, eu tinha-a prevenido; aí estamos com uma colher de menos, por sua culpa.
—Mas, senhor, a menina Lisa não é uma estranha... demais estou bem persuadida de que ela não levou a nossa colher.
—Então foi a colher que se foi embora sozinha.
—Eu apalpei-a, revistei-a bem por toda a parte e ela não a tinha.
—Pensou a senhora revistar tudo... há sítios misteriosos onde se escondem muitas coisas; pergunte aos ladrões onde escondem os diamantes que roubaram!...
—Oh! senhor, uma colher de sopa não se esconde como um diamante, ainda se fosse uma das pequenas!...
—Senhora, há pessoas que têm grandes facilidades.
Esta história da colher de prata desaparecida não tarda a saber-se em todo o prédio, e a ser o assunto de todas as conversações. Adriana, que a ouve contar no cubículo do porteiro, não falta a ir referi-la a sua ama, que a escuta muito atenta, mas sem fazer reflexão.
—A senhora deu obra a fazer àquela rapariga, diz Adriana, mas quando ela aqui vier trazê-la, terei o cuidado de não lhe tirar a vista de cima, e de não deixar por aí nada ao alcance da mão.
—Quando ela aqui vier, diz Ambrosina, ficará a menina no seu quarto até que eu a chame. Não se esqueça disto...
Adriana retira-se resmungando. O porteiro revistou o pátio e os canos das águas; está persuadido de que a menina Lisa não é culpada. O Fonfonzinho canta na escada:
E Rouflard, que ouve isto, apanha o rapazito pelos fundilhos das calças e suspende-o no ar, dizendo-lhe:
—Aposto que foste tu, velhaquete, que pregaste a peça; provavelmente foste buscar a colher durante a noite para tomares xarope.
—Não é verdade... eu durmo com o papá, não me levanto de noite; isso é bom para o senhor.
—Cala-te, sapo!...
Os gritos do rapazinho fazem acudir os esposos Proh, assim como o jovem pintor. Ao saber dos boatos que correm a respeito de Lisa, Casimiro fica furioso; dirige-se à sr.ª Proh:
—Espero, minha senhora, que não suspeite que Lisa lhe tenha furtado essa peça de baixela que lhe falta?
—Eu não digo que foi ela que a tirou, mas digo que foi quem a perdeu; acha que isto me possa ser agradável?
—Minha senhora, eu fico responsável por essa menina, e, aconteça o que acontecer, a senhora não perderá nada.
—E eu, exclama Rouflard, repito que a menina Lisa é incapaz de cometer uma ação feia! é um modelo de probidade, como de juízo, de prudência, de bondade. Quem trabalha sem descanso para sustentar uma velha paralitica, não deve um instante ser suspeitada.
—Mas parece que a velha tem um grande amor pelas colheres de prata, réplica a sr.ª Proh, porque ela própria me mostrou uma que a sua Lisa lhe tinha comprado...
—O que prova à senhora que ela não tem precisão da sua.
—Abundância de bens não prejudica, diz o professor.
—Aí está uma reflexão bem digna do sr. Prorata.
Os esposos Proh voltam para sua casa cheios de cólera. Casimiro apressa-se a subir a casa de Lisa. Acha-a com os olhos vermelhos de chorar; ela põe um dedo na boca mostrando-lhe a avó. Casimiro compreende que a rapariga oculta à pobre velha o caso da colher; vai sentar-se ao pé da donzela e pega-lhe na mão, murmurando muito baixo:
—Tem então ainda algum desgosto, Lisa, a menina que merecia ser tão feliz?
—Ah! sr. Casimiro, o senhor sabe sem dúvida a história da colher, ouço de aqui o filho da sr.ª Proh que a canta na escada.
—Sim... eu sei pouco mais ou menos...
—Mas não acredita que eu tenha querido tirar uma colher de prata à sr.ª Proh, não é verdade?
—Pois a menina pode fazer-me semelhante pergunta! acaso não sei eu o que a menina vale! ah! eu faço-lhe justiça, a sua alma é pura como o seu olhar...
—E a senhora Montémolly, tem-na visto? sabe o que ela pensa a este respeito?
—Não tenho visto essa senhora, não a encontro nunca, ela deve pensar como quase todos os outros inquilinos do prédio, que anda aqui brincadeira, ou antes maldade do rapazinho.
—Não, ele não veio ao quarto.
—Mas a menina não dormiu um só instante em toda a noite?
—Sim... dormi... até bastante tempo.
—Pois então alguém pôde entrar durante o seu sono, e tirar essa colher; mas esteja sossegada aposto que brevemente descobriremos essa pessoa...
São passados seis dias, e os Proh não acharam ainda a colher. Entretanto Ambrosina levou para sua casa a filha da sua amiga Florentina, enquanto esta foi tomar banhos do mar. A pequenita tem oito anos, e é muito bonita; mas sobrevem-lhe o sarampo, acompanhado de uma febre violentissima. A menina Adriana, que tem muito medo de que se lhe pegue o sarampo, não se aproxima do leito da doentinha senão de má vontade.
Então Ambrosina sobe de manhã cedo a casa de Lisa, que primeiramente se põe a tremer ao seu aspeto, mas logo se tranquiliza ao ver o sorriso de esta senhora, que lhe diz:
—Menina, venho pedir-lhe um obséquio; tenho em minha casa a filha de uma das minhas melhores amigas, que ma confiou enquanto dura uma viagem que ela era obrigada a fazer; tenho os maiores cuidados com a Adelinazinha; mas este anjinho está em este momento com sarampo e com uma febre ardentíssima; a minha criada, que tem medo do sarampo, não trata de ela muito bem. Enfim, a menina fazia-me um grandíssimo obséquio se quisesse vir passar esta noite à cabeceira da doentinha. Como sei que teve essa complacência para com a sr.ª Proh, pensei que se não recusaria a fazer outro tanto por mim.
—Sim, minha senhora, responde Lisa suspirando sim, passei uma noite à cabeceira da filha da sr.ª Proh, mas deve saber que desgosto isso me ocasionou; desapareceu em essa noite uma colher de prata, que não se achou mais; a sr.ª Proh bem sabe que não fui eu que lha tirei; mas, apesar de isso, quem sabe! há talvez ainda pessoas que suspeitam de mim.
—Este meu passo, deve provar-lhe que eu não sou de essas pessoas; ao contrário, pedindo-lhe que vá ficar de noite em minha casa, pensei que isso poria termo a todos esses contos inconvenientes. A menina não se pode recusar...
—Mas, minha senhora...
—Não lhe peço que vá às dez horas, desça um pouco antes da meia noite; depois, voltará cedo para sua casa. Bem vê que sua avó não terá tempo de dar pela sua ausência...
—Minha senhora, não me atrevo a recusar; entretanto isto custa-me muito; tenho tanto desgosto pela noite que passei em casa da sr.ª Proh.
—Isso é uma criancice; em minha casa nada tem que recear. Até à noite, ali pela volta da meia noite... ou antes se quiser.
—Oh! prefiro ir tarde.
—Muito bem, está tratado; espero pela menina, porque quero eu mesma apresentá-la no quarto da minha doentinha.
Ambrosina retira-se. Lisa deseja ardentemente ver Casimiro para lhe dar parte da sua nova contrariedade; o jovem pintor não se faz esperar muito tempo. Ao saber o que a sr.ª Montémolly acaba de pedir a Lisa, fica bastante surpreendido, e parece não gostar de que esta tenha aceitado.
—Acaso fiz mal em aceder a ir ficar de noite em casa de essa senhora? diz a donzela.
—A menina não se podia excusar, compreendo, tendo-se já prestado a ir a casa da sr.ª Proh.
—E depois, aquela senhora é agora muito amável comigo; bem vê que não dá crédito aos aleives que se têm espalhado por causa de aquela colher perdida.
—Vejo; efetivamente, o procedimento de essa senhora prova que ela faz-lhe justiça; e todavia custa-me a acreditar que ela lhe queira bem...
—Porque não?
—Ah! porque... enfim, vá esta noite velar a Adelinazinha, mas amanhã, de manhã cedo, eu espreitarei a sua volta para casa.
—Oh! voltarei muito cedo.
É meia noite menos alguns minutos quando Lisa bate à porta da senhora do primeiro andar. É a gorda Adriana que vem abrir-lha e a introduz junto de sua ama, que recebe a donzela com um sorriso que não é talvez bem franco, mas que quer parecê-lo. A sr.ª Montémolly apressa-se a conduzir Lisa para um lindo quarto onde dorme a doentinha, dizendo:
—Pus Adelina no quarto que reservo para a mãe de ela, quando habita no campo e vem por acaso a Paris. Penso que a menina ficará aqui muito bem; por este corredor pode-se sair sem haver necessidade de acordar ninguém.
—Oh! minha senhora, eu não terei necessidade de sair esta noite, para quê?
—Aí tem uma poltrona onde poderá repousar e mesmo dormir um pouco, se a doentinha estiver em sossego. Aqui tem livros... Ah! quer cear?
—Oh! não, minha senhora, eu nunca ceio.
—Em todo o caso, se tiver fome, aqui tem bolos, biscoitos e vinho. Isto é tisana para a pequena; em esta garrafinha está um calmante. E então, aquela tola da Adriana não pôs aqui uma colher! Adriana! Adriana!...
A criada acode esfregando os olhos.
—Adriana, traga para aqui uma colher grande e algumas pequenas; se esta menina quiser tomar vinho com assucar, não se há de servir da mesma colher que empregar para a tisana.
A criada sai, e volta logo em seguida com uma colher grande e duas pequenas, que ela põe em cima da mesa de cabeceira, dizendo:
—Isto faz uma colher grande e três pequenas... porque já cá estava uma.
—Está bem, Adriana, está bem! ninguém lhe pergunta a conta.
—Mas eu desejo muito fazer ver isto à senhora.
—Vá-se deitar.
—Isso e o que eu quero é a mesma coisa.
—Agora, menina Lisa, vou também descansar... a menina tem o que lhe é preciso; não deseja mais nada?
—Não, minha senhora, muito agradecida.
—Quando a pequenita acordar, é preciso fazê-la beber; depois, se tossir, deve-lhe dar o calmante.
—Pode ir sossegada, minha senhora.
—Boa noite, até amanhã. Virei cedo saber notícias da minha Adelina.
Lisa fica só. Põe-se a admirar o quarto onde se acha; a mobília é toda nova e de um gosto lindo.
—Que felicidade não é viver em um aposento tão bonito, diz ela consigo; mas a final de contas, também aqui se pode estar muito doente, e ter tanto desgosto como em um modesto quarto de qualquer água-furtada; eis aqui uns livros, mas não lerei nenhum, trouxe o meu trabalho, vou trabalhar.
Lisa deita-se ao bordado. de aí a pouco a Adelinazinha acorda, e ela dá-lhe de beber; um pouco mais tarde a criança tosse, e ela faz-lhe tomar uma colher do calmante. Assim se passa uma parte da noite. Pela volta das três horas, o sono apodera-se de Lisa, que procura em vão resistir-lhe porque em ela a necessidade de dormir era tão imperiosa que não a podia vencer. Mas, como a sua doentinha dorme mui sossegadamente, a jovem enfermeira não tarda a fazer outro tanto.
Cerca das sete horas da manhã, Lisa acorda, e quase no mesmo instante, abre-se uma porta e aparece a sr.ª Montémolly embrulhada em um lindo roupão. Aproxima-se da cama dizendo:
—Então, como vai a pequenita? passou bem a noite?
—Sim, minha senhora, muito bem; a menina tossiu pouco e dormiu otimamente; eu mesma cedi um pouco ao sono esta madrugada.
—Não há mal nenhum em isso, visto que a pequena não precisava de nada. Ah! aí acorda ela. Bons dias, Adelina, como te sentes esta manhã?
A pequenita responde que se sente melhor, mas põe-se a tossir; Ambrosina exclama logo:
—Dê-me uma colher do calmante, para eu lho fazer tomar; isso há de aplacar-lhe a tosse.
Lisa corre à mesa onde estava o frasquinho e a colher.
—Então, dê-me esse calmante, torna Ambrosina, bem ouve a criança estar a tossir...
—Sim, minha senhora, sim... mas é que... não acho a colher...
—É que a pôs em outro sítio... faça favor de a procurar...
—Valha-me Deus! é o que eu estou fazendo, minha senhora; mas não percebo isto... não a vejo...
—Mas a menina sabe muito bem que lhe ficou aqui uma, não é verdade?
—De certo, minha senhora, pois que me servi de ela duas vezes esta noite...
—Então é que procura mal. Adriana! Adriana!... ah! é capaz de estar ainda a dormir... Adriana!...
Chega enfim a criada, esfregando os olhos:
—O que é, minha senhora?
—É que esta menina não acha a colher que estava aqui ontem à noite...
—Ah! bem me lembro, havia uma grande e três pequenas...
—As três pequenas aqui estão, diz Lisa, mas não compreendo como a grande não está aqui também...
—Ora! exclama a menina Adriana, olhem que admiração! terá ido juntar-se com a da sr.ª Proh...
—Oh! menina, é indigno isso que está dizendo! Minha senhora, acaso vai também pensar que tenho eu a sua colher?
—Menina, o que quer que eu lhe diga... quando os fatos falam... é preciso render-se a gente à evidência; a menina mesma concorda em que tinha aqui uma colher de prata...
—Sim, minha senhora, sim convenho em isso; repito-lhe que me servi de ela esta noite para dar o calmante à menina...
—Pois bem! vossemecê ficou sozinha aqui esta noite... e esta manhã esse objeto desapareceu. Que outra pessoa, por consequência, pode tê-la tirado?
—Oh! minha senhora, reviste-me, faça favor... verá que o não tenho...
—É inútil, quando alguém tira uma coisa não a esconde em si.
—Oh! é o mesmo, exclama Adriana, vou revistá-la eu; porque, enfim, não quero que se perca prata nenhuma na casa onde eu estou a servir.
A criada corre às algibeiras de Lisa, e vira-as inteiramente; depois apalpa a rapariga de alto a baixo, e termina a sua inspeção exclamando:
—Nada! oh! afianço que não tem a colher em si.
—Então, minha senhora, bem vê, diz Lisa.
—Vejo que a não escondeu em si; mas, se não a acharmos, é que a menina a terá levado para outra parte.
—Mas para onde, minha senhora, se não saí de este quarto?
—Quem me prova isso? por este corredor pode-se sair perfeitamente sem acordar ninguém...
—Oh! minha senhora, é horrível pensar isso. Meu Deus meu Deus! sou bem desgraçada!...
Lisa rompe em soluços. Adriana tem-se posto de gatas e esquadrinha debaixo de todos os moveis; mãe em vão se procura por toda a parte, a colher não se acha. Ambrosina aproxima-se da pobre Lisa, que se aflige muito, e diz-lhe:
—Sossegue, não darei seguimento a este negócio, o que outrem talvez faria, vá, não a demoro mais. Tomarei unicamente a liberdade de dizer ao sr. Casimiro que não é feliz na escolha dos seus novos conhecimentos.
Lisa não escuta mais nada; tarda-lhe sair de aquele quarto, que ela achou tão bonito na véspera. Caminha, mal podendo suster-se, e chega assim até à escada. Mas, no segundo andar, encontra Casimiro, que a estava esperando, e que exclama, vendo-a lavada em lágrimas:
—O que foi? que sucedeu? o que tem a menina ainda? o que é que lhe fizeram para chorar assim?
Lisa conta a Casimiro o que se acaba de passar, e refere-lhe as palavras de Ambrosina, que lhe disse que ela teria podido sair sem acordar ninguém.
—Mas então, diz Casimiro, podia-se também chegar até junto da menina sem ser ouvido. A menina dormiu durante a noite?
—Ai! sim, pelas três horas não pude resistir ao sono, é mais forte do que eu.
—Ah! que fatalidade, porque durante o seu sono pôde alguém entrar em esse quarto..
—Não me parece porque teria acordado.,.
—Supor que a menina tenha tirado essa colher, isso não tem senso comum, depois do que aconteceu em casa da sr.ª Proh... que lhe causou tão grande degosto!
—É justamente por isso que me acusam ainda, a criada de essa senhora disse-me: «A colher foi-se juntar cem a da sr.ª Proh.»
—Isso é indigno!... mas sossegue, Lisa, há em tudo isto um mistério que eu conseguirei descobrir, não descansarei enquanto a sua inocência não estiver completamente reconhecida.
O jovem pintor consegue acalmar um pouco a mágoa de Lisa, acompanha-a até à sua porta, e deixa-a prometendo-lhe mais uma vez que há de obrigar toda a gente a fazer-lhe justiça. Mas Casimiro prometia o que ele próprio não sabia como cumprir, porque debalde dava tratos à imaginação para adivinhar como era que as colheres de prata desapareciam dos quartos onde Lisa passava a noite.
Depois de ter entrado um momento em sua casa, Casimiro sai, decidido a ir ter com Ambrosina, para saber se ela crê deveras que a rapariga seja criminosa. Mas já a aventura da noite é sabida em todo o prédio; porque o primeiro cuidado de Adriana foi ir dizer ao porteiro que a menina Lisa deu em casa de sua ama segunda representação da noite em que ficara em casa da sr.ª Proh. Chausson, que sente certa simpatia pela inquilina do quinto andar, tem muita pena de ser obrigado a julgá-la criminosa, mas Rouflard, que escutou a criada de Ambrosina, diz-lhe:
—A menina é uma tola em ter má língua! é mister ser imbecil, depois das histórias da colher perdida em casa da sr.ª Proh, para supor que uma rapariga que quisesse cometer um furto repetisse exatamente a mesma história dois andares mais abaixo...
—Pois bem! então onde está a colher?
—Que sei eu? debaixo das suas saias talvez....
—O senhor insulta-me, eu sou uma rapariga honrada, toda a gente o sabe, e tenho orgulho em isso.
—Quem é honrada, não se gaba de o ser, não faz mais que o seu dever....
—Fica-lhe bem falar assim, o senhor que bebe o rum que lhe mandam comprar. Ah! eu sei essa história; o porteiro tem-me contado as suas proezas.
—Contou-lhe também as de ele, quando era meu criado?
—O senhor teve um criado? oh! é boa pilheria...
—Pouco me importa que o acredite ou não, não é de mim que se trata, é da menina Lisa, que eu lhe prohibo acusar de furto.
—O senhor prohibe-me! Ah! eu não faço caso das suas prohibições, sim, a menina Lisa furtou uma cochér, ou duas, para melhor dizer...
Adriana dizia isto gritando com todas as suas forças; Rouflard está furioso. Ao barulho que se faz no patamar do primeiro andar, quase todos os inquilinos do prédio têm saído de suas casas, e Casimiro chega ali no momento em que Ambrosina vinha também à escada para ordenar à sua criada que se calasse.
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