#Desafio 264
Máscara digital
Exposta.
Intimidade rasgada.
Corpo e alma
à mercê.
Violência virtual
devora, espreita, domina.
Fragilidade exposta,
sem escolha.
A rede julga.
A tela condena.
A vida reduzida
a uma postagem —
que o mundo desdenha,
despedaça,
envenena.
Toma meu gole.
Não cospe fora.
Sem antídoto,
eu bebo o teu.
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 263
#🅢🅔🅧🅧🅧🅣🅞🅤
Hoje
ele me olhou
como se
eu nada vestisse.
Me vi
prensada
na grade verde
da pista:
ferro frio
mordendo minhas costas
o corpo dele
empurrando o meu
o ar
rarefeito
de quem não resiste.
Nada aconteceu.
Ele não ousou,
eu não deixaria.
E essa interdição
tão ensaiada,
tão minha,
incendiou-me
mais que o prazer.
Me deixou
faminta
inteira
crua.
Freud
diria: doença.
Eu digo:
sobrevivência.
E sei, no fundo
não temo o escândalo do pecado;
mas a febre
do desejo guardado.
O fogo
que arde
mesmo quando
nada se toca.
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 233
*Terra e fogo: vulcão*
Há terra
sob meus pés.
Sou fera
a caminhar
neste chão.
Acendo
o desejo
quando vier,
e inflamo
a cama
em conjunção.
Sou fogo
que arde
por dentro,
e queima
na força
de um pensamento.
Sou fúria
de natureza
incontrolável…
indomável.
Atiço
a fogueira
e queimo.
Sou corpo celeste
desbravando
céu indecifrável.
Estrela cadente
que passa…
e, de repente,
com sorte,
talvez atenda
a pedidos.
Sou a luz
que ilumina
a noite…
e no escuro
revelo a beleza
do que era
escondido.
Sou o amor
mais puro
que você
irá conhecer.
Você é Terra,
e eu sou fogo…
a queimar
dentro de você.
Uma mistura
de elementos,
que podem
ser bem perigosos…
vulcão em erupção,
magma em carne
e ossos.
MarU
#Desafio 262
5 minutinhos.
Para quem tinha o dia todo.
Para quem quer
por todo o sempre…
Um gosto,
meu petisco:
sabor que se infiltra na alma,
que se entranha e não se despede.
Uma prova
da tua lasquinha:
boca inundada
pelo desejo do “quero mais
e quero agora”,
o corpo inteiro pedindo sem pudor.
Sou gulosa,
voraz,
e só me satisfaço
(a contento)
se te devoro por inteiro,
cada pedaço,
cada silêncio que escapa entre nós.
Cr💞s Ribeiro
(revisado)
#Desafio 261
Sentimento apertado no peito,
a garganta que arranha
assim, de repente…
Uma lágrima que não se derrama
porque ninguém deve ver.
E a vida segue em frente
Sempre!
Não vai parar por você!
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 232
*Reconhece-me*
Tenho deixado
a caneta.
Abafado
a fala.
Tenho segurado
o sentimento
e me contido,
até em pensamentos.
Pois não devo,
após tanto tempo,
reconhecer-me apaixonada.
Há tanto peso
nestas palavras.
A vida,
ao mesmo tempo,
não me deu trégua
para nada!
Os dias,
ainda parecem
os mesmos.
Mas, às vezes,
lembro
de sonhos
que tive acordada.
E fechando os olhos,
por um momento,
sinto a pele fervendo,
o coração acelerado
no peito,
e cócegas
por dentro…
na alma.
MarU
#Desafio 260
Geografias Partidas
O que falta em você
incendeia em mim.
O que em mim é cova
se abre em nascente
no teu alcance.
Somos fenda e relevo,
bordas urdidas pelo tempo,
que só no encaixe se desnudam:
abraço da terra,
pele contra pele.
Você, peça torta,
me ensina o contorno do improvável.
Eu, ausência exata,
só em você viro carne,
viro grito,
viro forma.
Não somos metades;
somos excesso e falta,
raízes trançadas
em colisão delirante.
Dança da completude.
Um quebra-cabeça sem desenho,
feito de corpo e vertigem,
onde só no gozo do toque
o inteiro se inaugura,
se descobre perfeito,
se reconhece infinito.
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 259
Labuta,
labareda de pele
que denuncia,
rasga, reclama, resiste.
Racismo rasga rotinas,
risos se tornam agonia,
suspiros sofrem
sob o silêncio do mundo.
Na cor da sua carne,
um mapa de injustiça,
marcas que mordem a cidade.
E cada passo
é peso que pesa,
peso que a cidade malquista.
Ela não se cala.
Vomita:
sempre resistência!
O mundo não vai ficar
surdo.
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 258
Caminha
entre olhares
que prendem.
Assédio sussurra,
escorre,
e a mente cede.
O decote?
A saia?
A boca?
Palavras pregam
pregos que pesam.
Ela dança
na beira,
tentando que a alma
não se engasgue,
não vomite
a educação patriarcal
que a devora.
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 257
Manifesto contra o feminicídio
Não é amor…
é faca fria!
É silêncio forçado.
É corpo tombado.
Largado no chão…
um chão que o mundo finge não ver.
Um chão que insiste em ignorar.
Apaga-se uma vida,
mas a memória inflama!
Cada mulher calada
volta em mil vozes…
volta em mil gritos…
Vivas.
Livres.
Sem medo!
Não haverá silêncio.
Que venha a tempestade…
que venha o trovão…
que cada gota
desperte
nossa vil humanidade.
Cr💞s Ribeiro
Vagando entre a vida
me encontro inerte
No peito a ferida
não há quem conserte
Seus olhos: lembrança
que não se despede
Sua boca: o gosto
que não se descreve
Seus braços seguros
já não me pertencem
Memórias tão vívidas
ainda me entretêm
no entanto,
não canto
nem danço,
me espanto
Neste efêmero conto
a minha princesa,
não deixou o sapato
perdeu o encanto.
#desafio 365/238
#Desafio 255
Arquivos Vivos
Nossas vozes
dormiram:
arquivos frios
poeira sobre nomes
desprezo sobre memórias.
Rasgadas dos livros
alijadas da ciência
apagadas da política
silenciadas na literatura.
Mas nós voltamos.
Voltamos como trovão
voltamos como incêndio
voltamos como faca
que corta o esquecimento.
Fogo na palavra
ferro na memória
grito que não cabe no peito
e escorre pelos dedos.
Respiramos nas brechas
nas rachaduras da história
nas bocas que insistem em abrir-se
flores selvagens rompendo o cimento.
Estamos na mulher que escreve
na que descobre
na que governa
na que inventa
na que se sustenta
vendendo seu corpo
sufocando sua alma
e ainda assim sendo luz.
Somos pulsos nas sombras do instante
Sopro que curva séculos
Eco que se recusa a desaparecer.
Mesmo quando tentam nos apagar;
mesmo quando tentam nos calar;
mesmo quando tentam nos matar.
Não fomos criadas da costela
somos substância e verbo
vértebra e raiz
sustento do mundo
maré que recolhe ausências
raio que atravessa a escuridão.
Não pedimos licença.
Não.
Não mais.
Exigimos
EXIGIMOS
E X I G I M O S
JUSTIÇA.
Cr💞s Ribeiro
Você faz eu me sentir como se eu estivesse falhando o tempo todo,
em um ciclo interminável de culpa
e inadequação.
Talvez eu não seja assim tão estranha e desmedidamente incapaz;
talvez eu só estivesse plantada
no lugar errado.
Em um solo mal adubado,
até a flor mais simples de cultivar
se torna frágil e insuficiente.
Eu não sou o bastante pra amar
ou é você que não entende?
O meu jeito é diferente,
mas é tarde pra você enxergar.
#desafio 365/237
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 85
Comente na Biblioteca em um livro onde os animais falam com voz humana, e suas histórias refletem nossas próprias dores, resistências e esperanças diante do destino.
(Vale comentário em marcação de Lido ou em Leitura e resenha, não esqueça de marcar a caixa de compartilhar no perfil)
#Desafio365Postagens
Dia 223
Vozes da Terra
Entre patas e asas,
ouve-se a voz do mundo.
Não é apenas o rugido,
nem apenas o canto,
mas a confissão de um destino
partilhado com o humano.
Um "bicho" é um espelho,
mostrando-nos frágeis,
expostos ao mesmo vento,
à mesma morte,
à mesma esperança de permanecer.
E se ouvirmos com cuidado,
veremos que no uivo,
no mugido,
no bater de asas,
há também poesia:
a da vida que insiste
em existir e não desistir.
Indicação: Bichos — Miguel Torga
@literunico
#resenhas #Bichos
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Transformar um amor em amizade
não é tão ruim assim;
pois a amizade também é amor,
só que sem expectativas.
É amar de forma genuína,
apesar dos pesares da vida.
#desafio 365/235
Este impulso de te mandar mensagem
do bom dia ao boa noite;
de te contar algo bobo,
de te enviar uma música
ou qualquer vídeo fofo.
Este impulso de querer
te encontrar de novo,
mesmo depois do fim;
este impulso é o amor
que ainda existe em mim.
Como uma presença que insiste
em se fazer notada,
o dia inteiro me encara,
às vezes até me esbarra.
Este impulso que guarda
o que o coração não fala,
me persegue e sequestrou
até a minha palavra.
Por isso, me perdoe por ela,
(essa poesia feita às pressas)
pois o impulso me obrigou
a escrever um poema de amor.
#desafio 365/234