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Cass Razzini
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 175 um livro onde a política é pensada a partir da dúvida, e não da doutrina, obras em que o autor questiona as estruturas.

Passeio com o gigante, de Michel Laub.

Laub escreve como quem interroga o mundo com um gravador ligado e o coração em suspenso. O livro, lançado em 2024, acompanha um protagonista que caminha por uma cidade em ruínas — física e moralmente — enquanto grava áudios para um interlocutor ausente. A política aqui não é bandeira, é ruído de fundo, é dúvida que atravessa o corpo. O narrador não tem respostas, mas carrega perguntas que incomodam: o que é ser justo num país injusto? o que resta quando a linguagem falha?

Política como inquietação, não doutrina Laub tensiona temas como fascismo, memória, masculinidade e crise ética sem cair em panfletos. A estrutura do romance é fragmentada, ensaística, e mistura ficção com reflexão, como se o próprio ato de narrar fosse um gesto político. A dúvida é o motor da narrativa, e o leitor é convidado a caminhar junto, sem mapa.
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 174 um livro em que a terra não é cenário, mas destino, obras onde o vínculo com o solo é sagrado, político, inevitável. Quando a terra dá e tira, e quem a habita precisa aprender a colher sem esquecer que também é colhido.

Torto Arado, de Itamar Vieira Junior.

Neste romance, a terra não é cenário, é destino, maldição e promessa. A história acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia, filhas de trabalhadores rurais em uma fazenda no sertão da Bahia. Desde a infância marcada por um acidente brutal, elas crescem em meio a tradições, silêncios e lutas por sobrevivência. A terra que cultivam é também a terra que as prende e que, aos poucos, se revela como espaço de resistência, espiritualidade e pertencimento.

O romance entrelaça religiosidade afro-brasileira, ancestralidade e crítica social. A terra dá, mas também exige. E quem a habita precisa aprender a escutar seus ciclos, suas dores, seus segredos. A linguagem de Itamar é lírica, mas firme, como quem escreve com os pés descalços no chão batido.
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 173 um livro em que a narrativa se dá de dentro para fora, onde o mundo é percebido por um sujeito obsessivo, atormentado, e a linguagem revela não os fatos, mas os labirintos da mente.

O Túnel, de Ernesto Sabato.

Tudo nele é visto por dentro: e esse “dentro” é um abismo. O narrador, Juan Pablo Castel, é um pintor obsessivo que confessa, logo na primeira linha, ter assassinado a mulher que amava. A partir daí, o livro se transforma em um mergulho claustrofóbico na mente de um homem atormentado, paranoico, que tenta justificar o injustificável. A realidade externa importa menos do que os desvios da percepção, os silêncios interpretados como sinais, os gestos mínimos que se tornam labirintos.

A escrita de Sabato é seca, precisa, mas carregada de tensão. Não há floreios, há cortes. A linguagem revela não os fatos, mas os delírios, as repetições, os pensamentos circulares de um sujeito que tenta desesperadamente dar sentido ao caos interno. É uma narrativa de dentro para fora, onde o mundo é deformado pelo olhar de quem o observa.
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 172 um livro onde o desejo é o foco e a ruptura, obras em que amar, querer não é leveza, mas uma dificuldade, é conflito ou quebra do tradicional.

Os Detetives Selvagens, de Roberto Bolaño.

Porque o amor aqui não é consolo, é abismo. O desejo, em todas as suas formas (erótico, literário, existencial), move os personagens como uma febre. A trama acompanha dois jovens poetas — Ulises Lima e Arturo Belano — em busca de uma poeta desaparecida no México dos anos 1970. Mas essa busca é só o pretexto: o que se desenrola é uma odisseia de rupturas, exílios, paixões fracassadas e identidades em trânsito.

Amar, neste livro, é sempre um gesto de risco. Os personagens desejam com intensidade, mas nunca com leveza. O amor é atravessado por política, por distância, por silêncio. O querer é sempre também um perder-se. E a linguagem de Bolaño — fragmentada, polifônica, pulsante — reflete esse desejo que não se encaixa no mundo.
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@cassescreve
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 171 um livro em que a trama se desdobra como um código a ser decifrado, obras em que símbolos, pistas e referências ocultas guiam o enredo, e o conhecimento se transforma em ferramenta de sobrevivência.

O Código Da Vinci, de Dan Brown.

A trama acompanha Robert Langdon, professor de simbologia religiosa, que se vê envolvido em uma investigação após o assassinato de um curador do Louvre. O corpo é encontrado com símbolos gravados e pistas escondidas que levam a uma corrida contra o tempo por Paris e Londres. Cada pista é um fragmento de um quebra-cabeça maior, envolvendo sociedades secretas, obras de arte, criptografia e interpretações alternativas da história cristã.

Langdon e sua parceira, Sophie Neveu, precisam decifrar códigos, anagramas e símbolos ocultos para escapar de perigos reais. O conhecimento histórico, artístico e religioso não é apenas pano de fundo é a chave para sobreviver.
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@cassescreve
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 170 um livro onde a palavra foi usada como instrumento direto de libertação, não como alegoria, obras em que a escrita salvou vidas, derrubou muros, rasgou leis injustas. Livros que provam que ler também é resistir.

A Casa na Rua Mango, de Sandra Cisneros.

Embora seja uma obra de ficção breve e delicada, o livro é um verdadeiro manifesto de libertação. A protagonista, Esperanza Cordero, é uma menina latina que cresce em um bairro pobre de Chicago. Mas ela não aceita o destino que lhe foi imposto — e encontra na escrita o caminho para sair, para resistir, para existir. Como ela mesma diz: “Um dia vou sair daqui com meus próprios livros, com minhas próprias palavras.”

Escrita como salvação A escrita não é metáfora: é ferramenta. Esperanza escreve para não ser silenciada, para não ser engolida pelo machismo, pela pobreza, pelo racismo. Cada vinheta do livro é um gesto de afirmação, uma recusa ao apagamento. A linguagem é simples, mas carregada de potência — como se cada frase fosse uma chave abrindo uma porta trancada.

O livro se tornou leitura obrigatória em escolas dos EUA e símbolo da literatura chicana. Inspirou gerações de mulheres a escreverem suas próprias histórias e é estudado como exemplo de como a ficção pode ser um ato de resistência civil.
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 169 um livro onde o autor tenha usado a escrita para recusar o apagamento, obras que enfrentam regimes, comissões, censuras, perseguições ou cancelamentos, onde a literatura se torna documento de resistência civil.

K., de Bernardo Kucinski.

O romance é inspirado na história real da irmã do autor, desaparecida durante a ditadura militar brasileira. A narrativa acompanha um pai — judeu, imigrante, professor universitário — em busca da filha que some sem deixar vestígios. Mas o que poderia ser apenas um drama familiar se transforma em um documento de resistência civil, onde a ficção denuncia o silêncio, a censura e a brutalidade do regime.

Literatura como recusa ao apagamento Kucinski usa a escrita como forma de preservar a memória dos que foram calados. O livro não oferece respostas fáceis, mas constrói um mosaico de vozes, documentos e fragmentos que revelam o horror da repressão e a impotência diante do Estado. É uma obra que não deixa esquecer e por isso mesmo, transforma a dor em gesto político.
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 168 um livro onde a literatura ousa tocar o sagrado, não para negá-lo, mas para interrogá-lo, obras em que o mito, a religião, a fé ou os dogmas são desconstruídos, tensionados e reinventados pela narrativa.

A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro.

Apesar de não ser uma obra religiosa, o romance tensiona dogmas com humor, erotismo e filosofia. A narradora — uma senhora de 68 anos — faz uma confissão sem censura sobre sua vida sexual, mas o que parece escandaloso à primeira vista se revela uma meditação sobre liberdade, culpa e moralidade. A fé, o pecado e o corpo são revisitados com ironia e profundidade, como se a literatura fosse um altar profano onde o sagrado é interrogado sem medo.
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 167 um livro onde a literatura serve como rito de despedida, obras que se aproximam da morte não com frieza ou grandiloquência, mas com intimidade, quando a narrativa toca o corpo frágil, o tempo curto e o silêncio necessário.

O ano do pensamento mágico, de Joan Didion.

Nessa obra profundamente íntima, Didion narra o ano que se seguiu à morte súbita de seu marido, o escritor John Gregory Dunne, enquanto sua filha estava gravemente doente. Mas o que poderia ser apenas um relato de luto se transforma em um ritual literário de despedida, onde cada frase é um gesto de cuidado com a memória, com o tempo e com o corpo que ficou. A autora não busca consolo nem respostas, ela escreve para não desaparecer junto com a dor.

A narrativa é marcada por repetições, pausas e silêncios que ecoam o vazio deixado pela perda. É como se a literatura fosse o único lugar possível para continuar existindo quando tudo o mais se desfaz. A crítica considera esse livro um dos mais comoventes já escritos sobre o luto, justamente por sua honestidade radical e sua recusa em transformar a morte em espetáculo.
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@cassescreve
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 166 um livro onde a imensidão se esconde no cotidiano, onde o enredo não depende do extraordinário, mas de uma chaleira no fogo, uma palavra não dita ou um gesto que carrega o peso de uma vida inteira.

A Imensidão dos Gestos, de Flávio Hastenreiter.

Essa obra, publicada em 2024, é uma coletânea de poemas que transforma o cotidiano em território sagrado. Não há grandes reviravoltas, mas há uma chaleira no fogo que ferve como um coração ansioso. Há silêncios que dizem mais do que diálogos. Cada poema é um gesto — às vezes um olhar, às vezes uma ausência — que carrega o peso de uma vida inteira. A linguagem é lírica, mas contida; intensa, mas serena. É como se o autor dissesse: “olhe de novo, o extraordinário está aí, no que você quase não viu”.

Leitores têm descrito a experiência de leitura como uma espécie de reencontro com o que é essencial. Um livro para ler devagar, como quem escuta o tempo passar.
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