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Cass Razzini
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há 11 meses
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#Link365TemasLivros 165 um livro que propõe uma virada de rota íntima, obras que não entregam respostas, mas sugerem outros caminhos para quem se perdeu dentro de si, livros que tocam fundo e silenciosamente deslocam.

Tudo é Rio, de Carla Madeira.

Publicado em 2021, o romance não oferece respostas fáceis, mas abre fendas por onde a luz entra. A história gira em torno de três personagens: Dalva, Venâncio e Lucy. O que começa como um drama sobre traição e perda se transforma, aos poucos, em uma meditação sobre o perdão, o tempo e a reconstrução do que parecia irremediavelmente quebrado. Cada um deles, à sua maneira, se perde dentro de si e precisa encontrar um novo caminho, não por imposição, mas por sobrevivência emocional.
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há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 164 um livro que tenha sido escrito como instrumento de transformação social, em que a história não busca apenas comover, mas mover, livros que enfrentam sistemas injustos e, com suas páginas, tentam reescrever o mundo.

O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório.
A história é narrada por Pedro, um jovem negro que, após a morte do pai — um professor vítima da violência policial , tenta reconstruir sua história familiar e entender o que significa ser negro em um país estruturalmente racista. A narrativa é íntima, mas profundamente política: cada lembrança, cada silêncio, cada gesto é atravessado por um sistema que marginaliza, apaga e violenta.

O livro não busca apenas comover, ele mexe com estruturas, questiona o papel da escola, da polícia, da família, da linguagem. E faz isso com uma prosa lírica, contida, mas carregada de força. Foi vencedor do Prêmio Jabuti e é considerado um dos romances mais importantes da literatura brasileira contemporânea.
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há 11 meses
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#Link365TemasLivros 163 um livro onde a identidade poética se multiplica, e cada poema revela uma face distinta do autor, não como incoerência, mas como vastidão. Obras onde o eu lírico se fragmenta para se tornar mais inteiro.

Mais eus do que eu, de Diego Grando.

Publicado em 2008, mas ainda reverberando com força, o livro é resultado de uma dissertação de mestrado em Escrita Criativa que se desdobra em poemas onde o sujeito lírico assume múltiplas vozes, máscaras e tons. Não há uma identidade fixa: há um coro. O poeta pode ser jogral, guerreiro, místico, Orfeu, tudo ao mesmo tempo, ou em momentos distintos. Essa multiplicidade não é ruído, mas harmonia dissonante, como se cada poema fosse uma janela para um aspecto do mesmo ser em expansão.

A obra dialoga com a tradição de Fernando Pessoa e Mário Faustino, mas com uma linguagem contemporânea, marcada por ironia, lirismo e experimentação formal. A crítica destaca como Grando transforma a fragmentação em potência poética — o “eu” não se perde, ele se amplia.
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há 11 meses
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#Link365TemasLivros 162 um livro onde o registro íntimo se torna documento universal, obras escritas como diários, cartas ou confissões, que mesmo sem a intenção de ser lidas por muitos, acabaram marcando a todos.

Diário Íntimo, de Lima Barreto.

Escrito entre 1905 e 1922, mas publicado postumamente, esse diário não foi feito para o público — e talvez por isso mesmo seja tão poderoso. Nele, Lima Barreto expõe suas angústias, frustrações, crises de identidade, racismo sofrido, solidão e a luta contra o alcoolismo. É um texto cru, sem retoques, onde o autor se despe diante de si mesmo — e, sem saber, diante de todos nós.

O que era confissão virou documento: um retrato do Brasil da Primeira República, das dores de um homem negro e intelectual num país que o rejeitava, e da alma humana em sua forma mais vulnerável. Como escreveu um crítico, “ler o Diário Íntimo é como ouvir um sussurro que atravessa o tempo e nos alcança no escuro”.
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há 11 meses
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#Link365TemasLivros 161 um livro que tenha como protagonista alguém de identidade híbrida, personagem que pertence a dois mundos e não é aceito por nenhum, e que precise forjar seu próprio lugar entre a origem e a escolha.

A graphic novel Hoka Hey!, do artista francês Neyef Esteban, publicada no Brasil pela editora Taverna do Rei

A história acompanha Georges, um jovem mestiço indígena que vive entre dois mundos: o dos colonizadores brancos e o dos povos originários. Mas ele não pertence completamente a nenhum deles. Essa condição de “entre-lugar” é o que move toda a narrativa, uma busca por pertencimento em um mundo que insiste em apagá-lo. Neyef constrói um protagonista que não quer glória nem redenção, apenas um sentido para existir.

A ambientação é o Velho Oeste, mas longe dos clichês: aqui, o western é desconstruído com uma estética que mistura mangá, animação japonesa e crítica social. A arte é vibrante, cinematográfica, e acompanha o clima emocional da história com uma paleta de cores que alterna entre tons quentes e frios. A crítica tem elogiado a profundidade com que o autor trata temas como racismo, exclusão e trauma — tudo isso sem abrir mão da ação e da beleza visual.
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@cassescreve
há 11 meses
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#Link365TemasLivros 160 um livro onde o fantástico nasce da infância, e a imaginação não serve para entreter, mas para processar afetos confusos, raiva, medo, abandono, amor, que ainda não sabem dizer o próprio nome.

Espinho de Arraia, de Roger Mello.

A história começa com um dos oito irmãos narrando como chegou ao fundo de um rio de águas escuras. Mas o mergulho não é só literal, é também emocional. O fantástico surge da infância, sim, mas não como fuga: é uma forma de dar corpo ao que não se entende, de nomear o que ainda não tem nome. O peixe aruanã, que engole os próprios filhotes para protegê-los, vira metáfora de cuidado e medo. As borboletas amarelas, as plantas amazônicas, os silêncios entre os irmãos — tudo se transforma em símbolo de afetos confusos, de perdas que ainda doem, de amor que ainda não sabe como se dizer.

As ilustrações do próprio autor intensificam essa experiência sensorial: são vivas, oníricas, e ao mesmo tempo carregadas de melancolia. A crítica tem elogiado justamente essa fusão entre texto e imagem, onde a infância é retratada como um território de beleza e dor, de invenção e sobrevivência.
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há 11 meses
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#Link365TemasLivros 159 um livro onde a poesia ou a prosa se façam instrumento de denúncia, mas sem abrir mão da beleza formal, obras que transformam a revolta em linguagem

Aleijão, de Eduardo Sterzi. Publicado em 2009, mas ainda absolutamente atual, o livro é um grito lírico e político, onde a poesia se torna trincheira e cicatriz.

Sterzi constrói uma linguagem que não suaviza a dor, mas a molda com precisão estética. Os poemas denunciam violências familiares, urbanas e sociais, entrelaçando temas como desigualdade, repressão e herança traumática. A cidade, a família e o corpo são apresentados como territórios de conflito — e a poesia, como o único espaço possível para que essa revolta não se transforme em silêncio.

Críticos e estudiosos destacam como a obra transforma a denúncia em forma, sem abrir mão da beleza formal. A violência não é apenas tema, mas estrutura: ela está no ritmo, nas quebras, nas imagens que ferem e iluminam. Como aponta uma análise da Universidade de Brasília, a poesia de Aleijão “é uma herança sanguínea e social, nascida na família, expandida na cidade e infiltrada no corpo até o colapso"
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@cassescreve
há 11 meses
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#Link365TemasLivros 158 um livro onde a inquietação interior se revela com intensidade lírica, obras em que o conflito é íntimo e o poema ou a prosa se tornam o único lugar possível para que o excesso da alma não transborde em silêncio.

Outro livro que preciso ler ainda esse ano: O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei.

Publicado originalmente em 2017, mas ainda reverberando fortemente em 2025, o romance é escrito em uma prosa poética que pulsa como um coração inquieto. A história acompanha uma mulher dos 8 aos 52 anos, atravessando perdas, silêncios, violências e descobertas. A linguagem é fragmentada, delicada e brutal ao mesmo tempo — como se cada frase fosse o único espaço possível para conter o que não cabe no corpo.

A crítica tem elogiado a forma como Aline Bei transforma a dor em ritmo, e o trauma em beleza. Leitores falam de lágrimas inesperadas, de identificação profunda, de um livro que parece sussurrar e gritar ao mesmo tempo. É uma obra que não narra apenas uma vida ela a sente, e nos faz sentir também.
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há 11 meses
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#Link365TemasLivros 157 um livro que celebre uma data histórica ou cívica, não como registro formal, mas como vivência, memória ou sátira, onde a data se torna palco para revelar o espírito de uma época ou a ironia do tempo.

O Dia em que o Brasil Acordou, de Luiz Ruffato. Embora ainda esteja em pré-venda, a obra já vem sendo comentada por críticos como uma das mais provocativas do ano.

O romance se passa ao longo de um único 7 de Setembro, mas atravessa décadas por meio das memórias, delírios e contradições de seus personagens. A data cívica — símbolo da independência — é usada aqui não como celebração, mas como espelho rachado de um país em constante reinvenção e repetição. Ruffato mistura ficção e sátira política para mostrar como o “espírito da época” pode ser tanto heroico quanto farsesco, dependendo de quem segura a pena da história.

A narrativa acompanha diferentes vozes: um professor aposentado que se recusa a sair de casa, uma jovem ativista que organiza um protesto performático, e um político em crise de consciência. Cada um vive o feriado à sua maneira, revelando as camadas de ironia, desencanto e resistência que envolvem a data.
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@cassescreve
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros 156 um livro onde a arte é linguagem e conflito, em que a criação estética não é apenas expressão, mas embate, entre visões de mundo, crenças, escolas, tradições e destinos.

O Corte que Desafia a Lâmina, de Antonio Arruda. Essa obra é uma verdadeira colisão entre arte e conflito, onde a criação estética não é apenas expressão, mas um embate visceral entre memória, dor e linguagem.

O livro mistura ficção e autobiografia em textos curtos, poéticos e intensos. Cada fragmento é como uma ferida aberta que se transforma em arte — ou, como o próprio autor define, uma “estética da cicatriz”. A arte aqui não é contemplativa: ela é luta, é sobrevivência, é enfrentamento. Os textos abordam temas como sexualidade, morte, religiosidade e identidade, sempre atravessados por experiências pessoais e coletivas que se chocam com tradições, crenças e estruturas de poder
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