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@eliz_leao

Eliz Leão
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Quero deslizar na tua boca
Minha língua sedenta.
Descobrir no teu gosto
A magia do gozo.
Do cheiro do teu falo
Tomar meu prazer
Engolir, ceder
Devolver a ti,
Vê-lo estremecer.
Quero encaixar entre suas pernas
Me penetrar, te envolver
Até que suor nos embriague
Numa nuvem vaporosa de desejos.
Meus seios em tuas mãos
Meus beijos culminando a invasão
Dois corpos em um
Almas em tesão.

Eliz Leão

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Público
Arde, pulsa,
Teu cerne em minha carne,
Esmiúça, o forno.
Ascendente, crescente.
Impulsa, entre minha coxas,
Úmidas.
A labareda, que alimenta,
Desde o início do dia.
E crepitando, escapa entre
Os lábios,
Os da boca e os do sexo.
Latejam, anseiam,
Teu falo.
Ébria de desejo,
Dispo, todas as coisas,
Que me tornam
Aparte, de ti.
E fluo, deliciosamente
Meus pensamentos,
Cativos do teu gozo,
Que acompanha o meu.
Meu sexo banha o teu.

Eliz Leão
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Público
Eu que me via gota,
De repente desaguei em mar.
Me desfiz entre ondas,
Só pra te encontrar.
Fiz de pedras, pó,
Dancei entre seres, a nadar.
Cansei, chorei,
Me represei em lagos,
Tentando em ti chegar.
Corri, feito louca,
Quebrei-me inteira,
Em pedras de corredeiras.
Seguindo o coração faceira,
Borbulhei a brotar.
Nascente novamente,
Transbordei,
Em teus braços,
Me encontrando,
Em nossas águas,
Enfim, em ti, me libertar.

Eliz Leão
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Tira-se a cortina
O espetáculo se avizinha.
Ela, que toda tímida, acuada , amarrada, se obrigava a ser cordata, agora se agiganta , brilha!
No palco, ela encanta, mostra a que veio,
Seus sapatos dourados, vestem os passos acertados, antes incertos, mas agora, completamente embasados.
Embasados na sua inteligência e na sua interpretação de mundo.
Ela é grande, já extravasou suas viseiras.
Viva, repleta, ela não é metade, como a fizeram acreditar .
Essa moça, é inteira!

Eliz Leão
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Tua língua brinca
Por entre meus pensamentos
Tuas mãos sondam
Por entre minhas páginas
Abrindo espaço pelos arrepios
Suspiros e tensões
Me lê inteira,
Por entrelinhas
Me dá prazer
Na sua escrita
E sente a pele
Contrasta a minha.
Baixando ao chão
Minha calcinha.
Morde minha roupa, rasga
Fico rouca.
E de joelhos
Fico indecisa
Entre sua poesia
E sua espada.
Na dúvida
Coloco na boca
Sentindo na língua
Se entoo poemas
Ou gozo faminta.

Eliz Leão
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Você está convidado para uma travessia poética por entre fios que entrelaçam sonhos, sentimentos e palavras! Cada poema deste livro é um universo por si só, um fragmento de alma tecido com cuidado, onde a poesia se faz ponte entre o íntimo e o imenso. Este coletivo de autores se uniu para compartilhar versos que falam de amor, dor, esperança e humanidade — um convite à reflexão e ao encantamento.
Será uma noite para se emocionar, ouvir poesia ao vivo, conhecer os autores e brindar à literatura que nos une. Traga seu coração aberto e venha fazer parte deste momento inesquecível. Imensidões por um Fio – Antologia Poética  Data: 14/06  Local: Rua Domingos de Morais, 439 SP - São Paulo ⏰ Horário: A partir das 17h
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Logo cedo, o ar gelado bate em seu rosto.
O sol ainda não aquece o que o outono/inverno veio esfriar.
Ela sobe as escadas e pega, na rua, um carro, que a levará para outro lugar.
Seus olhos procuram o encanto, que se vê, é só procurar .
Se você souber , com certeza, irá encontrar.
Puxa a respiração lenta, comprimenta a motorista, que a levará.
Um coração com a imagem de um cãozinho, balança no retrovisor, e prende seu olhar.
Comenta sobre o cãozinho, deixado em casa triste a lhe esperar.
A motorista sorri e trocam palavras, sobre amores, que ficam em casa, rabinho a abanar.
Ela pensa na vida, de como tem sorte, sempre ao regressar.
Marido, filhos e animaizinhos, todos felizes a lhe esperar.

Eliz Leão
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Silêncio,
Se perpetua em minha alma cansada.
Como sirene,
Ecoa,
Neste vazio sem fim.
Onde a goteira,
Dos meus choros, esvaziam,
Meus olhos,
Pingam.
Molham e temperam com sal,
Este infinito desgosto.
Certamente,
Em algum lugar,
Entre o desespero e a calma,
Que lutam pra me deixar sóbria,
Há o conforto do fechar de olhos
E o se perder,
Na cacofonia dos meus sonhos,
Que me parecem,
Mais paz do que sono.

Eliz Leão
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Minha vida,
Vem sendo feita de lágrimas.
Lágrimas de dor,
Lágrimas de prazer,
De riso,
De fé,
De medo e de confiança.
Algumas delas, saem,
Outras, internalizo.
Algumas, escorrem em abundância,
Outras param, apenas no canto, à espera do desaguar.
Salgadas como o mar,
Seiva da desesperança.
Mas doce mesmo, são aquelas,
Que descem na alegria da abundância.

Eliz Leão
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Olhos que vêem,
Do que o tempo apagou.
Que relembram imagens,
Da vida que levou.
Dos filhos que viu crescer,
E dos que a morte,
Tão cedo podou.
De tudo que plantou,
Colheu e chorou.
As lágrimas mais tristes,
Que a face enrugada marcou.
Olhos hazel,
Que mudaram
Conforme os sentimentos.
Cinza, verde, mel.
Carregam o peso da perda,
Se alegram com seus descentes.
O riso das netas, netos e bisnetas.
O dinheirinho sempre escondido, passando de mão em mão.
Presente aniversário,
Transformando papel em coração.

Eliz Leão