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Tiago Bianchini Fidalgo
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Público
Ponto final?

Ainda estou aqui.
Não te abandonei.
Ainda vivo por ti
Ou não vivo, não sei...

Calado. Não por vontade.
Por imposição.
Devastado. Saudade.
Desilusão.

Tanto a dizer,
Tanto pra se amar!
Mas você não quer.
Nem pensar.

Nada acabou. Não te esqueci.
Mas é a escolha que você fez,
E preciso entender que perdi
– ou nunca tive, talvez.

Nada acabou. Mas é tarde.
E, apesar dos seus milhões de "nãos",
Algo ainda arde:
Eu, inteiro, em suas mãos.

Você me pediu pra desistir.
Pra resolver o que você não conseguia.
Para não tentar, me afastar, fugir.
Chegou o dia.

Hei de seguir, bem ou mal;
Levarei, para sempre, esta paixão.
Solução de um só não é, afinal,
Solução.

Seguirei com esta flecha, que me dói,
Perfurando eternamente o coração.
Mas lembre-se: sempre foi
Sua a decisão.

Nada acabou, é certo. Mas, se fosse
Possível arrancar de dentro de mim
Seu sorriso, seu olhar, sua voz doce,
Eu jamais o faria, mesmo assim.

Amar você não é uma escolha,
Mas ter você, sim.
É como uma derrota, que me olha
Não é minha escolha, enfim.

Ainda estou aqui, e, juro
Corro pra ti ao primeiro chamado,
Com brilho nos olhos e coração puro:
Agora, a decisão é do seu lado.

Mas não vou invadir sem pedir licença:
Não vou causar mais na sua vida incerta.
Enfrente seus medos. Os vença.
Me convide. Deixe a porta aberta.

Nada acabou, mas talvez, nunca comece.
O que é uma pena! Te faria tão feliz!
Não te esquecerei. Mas, não esquece:
Não foi porque eu não quis.
Público
Barquinho

Na guia da rua
Na chuva,
Eu criança, brinco com a água que corre.

Coisa suja,
Criança burra.
Pega doença, fica enfermo, morre!...

Mas, eu, no sonho, ainda criança,
Não temo:
Deus protege os pequenos.

Um barquinho de papel.
Feito com qualquer pedaço de jornal
A enfrentar água do temporal.

Coloco na água, ele foge pra longe.
Torno a pegá-lo, ele torna a fugir:
Sua sina é só essa; é ir.

Meu sonho de menino mesquinho
Querer ser senhor de um barquinho.
Um universo tentando ser livre.

Fique aqui comigo!
Não vá, barquinho de papel!
Te protegerei da água que cai do céu!

Mas o barquinho é teimoso
Insiste em descer a correnteza,
Fugir do meu amor e partir rumo à incerteza.

Barquinhos que seguem suas vidas
Fazem suas escolhas, desmancham-se na água.
É preciso aceitar, sem mágoa.

E este barquinho, que eu tanto quis
Ancorar no meu porto e fazer feliz
Busca outras águas, vai pra longe, viver...
Público
Amores

Amores não acabam: vivem em nós
Para todo o Sempre, nos fazem companhia;
Amores não acabam: apenas nos deixam sós
Quando se cansam da nossa rebeldia.

Não, não se mata um amor, e mais:
Nem se morre dele; vive-se somente;
Não existem, na vida, amores fatais:
Existem amores, amores simplesmente.

Amores não acabam; amores simplesmente
Esperam a hora exata de ressurgir,
Tal Fênix das cinzas, dentro da gente,
E novamente arder e nos fazer sorrir;

Não há fim no amor; não;
Amores jamais virarão pó...
Amores são eternos; amores são
Amores simplesmente; amores e só.

E o meu amor por ti, este eu te digo
Que não haverá nem dor nem saudade
Que o afaste de mim: estarás comigo
Em cada passo meu rumo à eternidade.
Público
O Tempo

Há um ano era outra pessoa;
Havia em mim restos de muitas memórias
Ainda frescas e latentes.
Havia aqui outro futuro,
Outras esperanças e outros projetos.
Alguns deles foram concretizados.
Alguns deles foram abandonados.
Alguns nem chegaram a ser levados a sério.

Há um ano venho mudando,
Venho evoluindo e involuindo,
Venho andando em círculos e saltando à frente.
Venho vivendo, enfim,
Aprendendo dia após dia,
Com os anseios que não poderia ter,
Com os erros que não poderia cometer,
Com os medos que jamais deveria ter tido.

Há um ano sou outro que me vê
E esse outro gosta cada vez mais de si
Cada vez mais de mim.
Cada vez mais de nós.
Perdi pessoas que eram pra vida inteira,
Reencontrei pessoas que jamais reencontraria,
Conheci pessoas impossíveis,
Reconheci a mim.
Tive várias vidas; tive vários destinos distintos.
Tive mortes e renascimentos constantes.
Tive amores e desamores e reamores.
E termino tendo a mim mesmo.

Uma nova etapa começa. Novas etapas começarão.
E sei que não cumprirei todos os projetos,
Pois encontrarei projetos ainda melhores para cumprir.
Hoje tenho ausências que não serão mais sentidas
E presenças que serão para sempre comemoradas.
Hoje tenho a mim.
E a ti, que me lê.
Hoje preciso apenas de mais um ano
Para me tornar uma nova pessoa.
Público
As Intenções
(Poemas Antigos)

Procurei não te ver nunca mais,
Saí do seu ambiente,
Deixei de frequentar os lugares que frequentavas,
E achei que tinha obtido êxito por quase uma vida.
Mas não consegui. Veio o destino, o mestre das coincidências,
Resgatar em mim a lembrança doce dos teus olhos.

Procurei não me envolver,
Não dar atenção, não me importar com o que dizias;
Procurei entender que já não eras mais a mesma, nem eu tampouco,
E achei que estava indo muito bem.
Mas fui um fracasso em me controlar ao te sentir
Tão indefesa e tão precisando das minhas boas palavras.

Procurei me aproveitar de uma situação
Em que estavas frágil e carente,
Para também me curar das minhas fraquezas e carências,
Para fortalecer-me sem me importar contigo.
Mas me foi impossível desde o início, pois percebi
O quanto já me eras mais importante do que eu mesmo.

Procurei, então, te fazer sofrer,
O que seria fácil, pois já sofrias deveras sem mim...
De forma inconsciente, tentei te decepcionar a ponto
De desistires de mim e não estragar a tua vida.
Mas tudo o que consegui foi te fazer mais feliz
Neste turbilhão de infelicidade que rondava os teus dias.

Procurei não mais te ver e tive um vazio no peito por muito tempo.
Procurei não entrar na tua vida e terminei por arrombar as portas da tua alma.
Procurei te deixar com tua vida e tudo o que consegui foi dar a nós a esperança de uma vida nova.
Procurei te fazer sofrer e tudo o que consegui foi te fazer feliz. E a mim, mais ainda.

Procurei em vão. Tudo o que consegui foi te amar cada vez mais.
Pois, então, que assim seja.
Público
Nunca tinha visto o mar

Olhava para as imagens, impressas em preto-e-branco
De fotos maravilhosas que saíam nas reportagens
Dos cadernos de cultura que encartavam os jornais.
Papai dizia-me, com aquele sorriso franco,
Que já vira o mar, em suas viagens,
Que era lindo, e não o esquecera jamais.

E lá ficava eu, menino da roça,
Sonhando com aquele lago que não tinha fim:
Imaginando-o, verde, azul, de cor nenhuma;
Desejando vê-lo, pedindo sempre à Nossa
Senhora, mãe de Deus, que desse a mim
A chance de conhece-lo, de brincar em sua bruma.

E diziam que sua água era salgada,
Como a temperar os peixes que nele moravam;
E diziam que ele era tão fundo, mas tão fundo,
Que no fim da água não havia lodo nem nada,
E os navios displicentes que afundavam,
Afundavam, afundavam, até o outro lado do mundo.

Ah! O mar! Meu Deus, como eu queria
Poder olhar para ele, num dia de sol quente,
Com sunga e boia, e balde de areia!
E ficar ali, brincando, todo o dia,
E fazer castelos, e correr, e ver gente
E ter a alma, de felicidade, cheia!...

Papai me dizia que não tínhamos dinheiro:
“Mas, um dia, meu filho, você vai crescer
E vai enricar, e vai ser muito feliz,
E vai poder viajar o mundo inteiro,
E até o mar e a neve vai conhecer,
E vai viver e ser dono do seu nariz!”

Mas eu não queria esperar crescer, eu só pensava
Em ver o mar, em poder sentir o vento
Das tais “brisas marinhas”, no meu cabelo;
E papai, que sempre dizia que não dava,
Ao ouvir meu pedido e meu lamento,
E sofria por não poder atendê-lo.

Era a vida, não se pode ter tudo.
O Mundo gira, a Terra é redonda,
E flutua, solta, no Universo,
Tal qual o peixe no mar, e eu, miúdo,
Podia apenas imaginar como era a onda
Tão bem cantada por poetas, em prosiverso.

E assim ficava, em meus sonhos absorto,
Até que um dia, papai chegou com o riso aberto:
“Tenho uma carga importante pra levar
Lá pra São Paulo, e vou deixa-la no porto;
Façam as malas, fiquem prontos: se der certo,
Nós vamos todos lá pra praia, ver o mar!”

Naquela noite, não dormi, tamanha era
A excitação: íamos viajar, eu e meus pais
Na boleia do caminhão, de madrugada;
Finalmente, teria fim a minha espera:
Eu chegaria pela manhã à beira do cais.
Meu sonho estava ali, ao fim da estrada.

E, então, Deus, eu seria feliz por completo!...
Mas, na escuridão da rodovia, uma luz
Na direção contrária, veio nos pegar de frente:
Senti meu corpo ser jogado contra o teto,
O caminhão tombar, mamãe chamando por Jesus
E, num estrondo, tudo sumir de repente.

Acordei, um pouco tonto, em uma cama
de hospital, com talas e soro, entre lençóis.
Tudo doía, de uma dor que não se esvai.
E ao olhar em volta, e, depois, para a mamma,
Eu percebi, com dor e medo, que entre nós,
Faltava uma pessoa, e perguntei: “Cadê papai?”

Mamãe, então, contou-me o ocorrido…
Havia outro caminhão em sentido contrário
E papai fez uma manobra decidida:
E conseguira mudar o que certamente teria sido
A morte de nós três; e, solitário,
Apenas ele despediu-se desta vida.

Fiquei mudo, aturdido; tentei ser forte,
Tentei conter a dor no meu peito de menino
E entender como é possível tão cruel
Desfecho; papai abraçou a morte
Para nos salvar, e aceitou o seu destino
E foi mergulhar nos mares lá do Céu…

E dos meus olhos senti brotar tanta água,
Água salgada, a inundar meu peito ferido…
E fazer ondas de tristeza em meu olhar,
E, sem poder controlar meu choro e mágoa,
Sentindo a vida submersa, pensei comigo
Que era a primeira vez, enfim, que via o mar…
Público
CARTA DE AMOR PARA SER LIDA DE MADRUGADA

Havia publicado um poema aqui e tinha ficado na dúvida se ele seria compreendido por todos. Aí aconteceu o blackout de dados. Podia ter re-postado, mas achei que era um sinal. Então, segue um poema bem antigo, cuja primeira parte já havia postado aqui. Agora, ele vem inteiro e coeso.

Carta de amor para ser lida de madrugada

I
Apenas leia:
Sinta meus lábios tocarem teu semblante
E que meu peito cante em teu vazio.
Apenas deixe o frio
Acariciar com brilho louro tuas melenas
Que meus poemas, disfarçados de brisa fina,
Brincam, enredando na divina luz do teu olhar.
E ao leres, chorando de saudade,
Esta metade de ilusão que o peito invade
Como uma jade, exposta ao vento e ao calor,
Perceberás que minha dor ‘inda é mais forte
do que a morte deste amor que me dá a sorte
que deste corte surja um beijo curador.

Amor:
Não peço que me esqueças, nem que me ame;
Mas que me chame, sempre, do seu lado;
e, mesmo que de brilho apagado, me proclame.
Apenas leia; chore, se preciso
Se preciso vista-se comigo, e me abrace
Através desta face de papel
que o negro véu da noite fecha o doce enlace.

II

Apenas Leia:
Deixe-me invadir teu peito vago;
Que nos teus olhos
Quero sentir teu calor imenso;
Apenas Leia:
Sinta então os beijos que te trago
Na esperança
De que possam encontrar-te, como eu penso.

Apenas ouça:
Não diga nada, não relute à verdade
De que me amas;
Não se esforce em mentir contra o desejo;
Apenas ouça:
Encontre a luz, esqueça-se da saudade,
E enfim entregue-se
Venha até mim; me presenteie com teu beijo.

Não diga nada:
Não há palavras que descrevam o amor;
Apenas sinta:
E sinta sempre, que te amo eternamente.
Nunca mais chores,
Pois tens em mim o seu eterno servidor,
Que te adora
E que te envolve num abraço forte e quente.

Sonhe comigo;
E saiba que te amo mais que tudo
E nos teus sonhos
Guarde sempre a certeza que te quero;
E ao acordares
Ouvirás o grito do meu coração mudo
E saberás
Que és a deusa, que em meu recanto venero.

Não sei se posso
Lhe dizer de todo o tamanho deste amor;
Não sei se existem
Tantas palavras, neste mundo, onde eu consiga
Lhe explicar
Tudo o que sinto, ao perder-me em teu calor
Para aquecer
O meu caminho, por onde quer que eu siga.

Apenas sinto;
Falar é pouco pra exprimir o que desejo.
Melhor sentir;
E esperar que este amor me seja eterno.
Apenas calo;
Não falo nada; apenas calo com teu beijo
Que me aquece
E que me faz ferver por dentro neste inverno.

Somente sonhe;
Que nos teus sonhos me verás apaixonado;
E nesta noite
Serás a minha mais maravilhosa dama.
Somente sonhe;
E só me deixe voar no teu sonho alado;
Mas não te ofendas:
Pois sou apenas um poeta que te ama.
Público
O Sulfite e o Pecado


O papel era branco, ingênuo, imaculado
até que a caneta – essa serpente –
deslizou seu veneno em vai-e-vens molhados,
enchendo margens de versos indecentes.

O título? Um disfarce: "Soneto Inocente".
Mas o corpo do texto, ah!, traía o enunciado:
O verso era quente, a rima, ardente,
com trocadilhos que ninguém interpreta errado...

E quando a tinta secou, já era tarde: sem mais pretextos,
o sulfite gritava "mais!" em itálico e Caixa-alta,
enquanto a caneta, satisfeita, nas folhas abertas

descansava – mas só até a próxima pauta.
Moral da história? Até o mais puro dos textos
vira pornografia culta nas mãos certas...
Público
ENTRE CAFÉS E POEMAS


Uma camisa. Aberta. Mal esconde os seios.
Uma calcinha. Rendas. Delicadamente justa.
Você anda como quem desliza ou flutua,
Roçando o interior das coxas, pé antes pé...

Debruça sobre mim. Um beijo quente
Para aquecer a manhã fria que desperta.
Não há sequer uma palavra: o "bom dia" é sorriso,
Que, sem dizer, já diz tudo, em melodia.

Deita-se ao meu lado. Com o seu pé
Cutuca de leve o meu pé, sobre o edredom:
Carícias tão íntimas quanto todas as outras
Que trocamos durante a noite.

"Agora, me traz um café. Forte".
Tal é o seu pedido, uma ordem, um afago.
Um café. Forte. Quente. "Açúcar ou adoçante?"
"Nenhum dos dois. Apenas o seu beijo me adoça".

Um gole lento, deixando que eu admire
A curva do seu pescoço, onde, há algumas horas,
Deixei marcas de mordidas e arranhões,
Que serão renovadas daqui a alguns minutos.

Espreguiça-se. Vira o bumbum para mim,
E, enquanto isso, estica os dedos em busca
De uma caneta e um papel. Inspiração.
O café, quente. Seu corpo, mais ainda.

De bruços, rabisca habilmente. Na curva das suas costas,
A omoplata banhada pelo sol, que, sobre sua pele,
Desliza passeando pelo contorno do seu quadril:
Tudo isso é o verdadeiro espetáculo.

Uma calcinha rendada e uma camisa que é minha.
Um pouco de perfume de ontem em meio ao meu suor.
É tudo o que cobre este corpo, do qual
Ainda não consegui me desconectar.

Contorno com os dedos as curvas que a renda faz.
"Para", você diz, "Senão não consigo terminar"
É um poema, eu sei. Mas, depois de ontem,
Nossos poemas não são escritos, são vividos.

Seu café acabou. O meu? Nem chegou a ser tocado.
Você se vira e sorri. Cruza as pernas.
Lê o poema com os lábios entreabertos,
como se cada palavra fosse um toque físico.

"Você me transformou em poema", você diz,
Abraçando o papel como se temesse que o poema pudesse escapar.
"Foi você quem me fez querer ser musa,
Mas é em nós que eu me torno deusa".

"A noite foi sua. A manhã? É minha.
Você me trouxe café, mas eu prefiro o sal
Que ficou na minha pele quando você foi meu".
Nas minhas mãos, o último botão arrancado da camisa.

Enlaça o meu pescoço, me puxa com as pernas,
Encosta sua testa na minha, e me invade com os olhos.
O café esqueceu de esfriar, mas outras coisas fervem,
E o poema? Este já é vida real novamente.

"Não somos poetas", eu sussurro, entre um beijo e outro,
"Somos o próprio verso."
E assim, entre cafés frios e corpos quentes,
Escrevemos - sem palavras - o epílogo perfeito.

A renda da calcinha toca o chão.
O café acabou. Os poemas também.
Só o que resta é a verdade mais pura:
Nós.
Público
Para que servem os poemas

Para que serve um poema? Para nada?
Para contar uma verdade velada?
Para conquistar um coração frio?
Para transbordar sentimentos até ficar vazio?

Para quem escrevo um poema, me diz?
Para que eu mesmo possa ser feliz?
Para que eu me liberte? Me solte?
Para que aquele Amor, um dia, volte?

A arte do poema está em transmitir
Verdades de de mim que não saberei sentir
E esperar que quem o leia o entenda
E que, no seu íntimo, uma fagulha se acenda.

O poema cumpriria seu propósito, então:
Convidar aquela pessoa à reflexão.
Ela o leria e entenderia o que digo:
Meu poema, então, seria seu melhor amigo.

E, ao pensar no que eu, calado, lhe diria
Através da minha reles poesia,
Esta pessoa entenderia que, também,
Eu lhe faço pensar, e lhe quero bem.

Mas, e se o que eu tenho pra dizer não lhe apraz?
Se ela entender errado, então, como se faz?
Se a minha mensagem não lhe for direta,
É sinal, então, de que não sou um bom poeta.

E se minha ânsia de verdades indizíveis
Me privar de futuros felizes e impossíveis?
Então devo guardá-lo para mim, apenas,
Porque não quero me meter nos seus problemas.

Então, anjo, não fique brava comigo.
Meu poema só pretende ser abrigo
Do que eu acho que se deve ter na vida:
E, assim, ele terá sua missão cumprida.

Meu poema não pretende dar lição:
Está não é, enfim, a sua função.
Ele só quer te mostrar que os seus medos
Não deveriam te privar de novos enredos.

Ele só quer me livrar da necessidade
De te contar a mais profunda verdade:
Que só existe para o poeta te dizer
Que te ama tanto que não quer te ver sofrer.