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@tibianchini há 10 meses
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Pai - Cabo Mendes, ele ainda não quer colaborar. Uma voz pingando de sarcasmo. Ele não aguentava mais apanhar, mas não tinha como dizer mais nada. O comandante estava sorrindo - ou assim imaginava ele, pois já não conseguia distinguir os borrões entre o inchaço da pálpebra aberta e o sangue que inundava a retina. - Desde ontem, comandante. Não abre o bico. O que faremos? Ontem. Um dia tão, tão distante. Não se lembrava de ter ido dormir, mas lembrava-se de ter acordado aos pontapés. "Como é difícil acordar calado" - Sabe o que eu acho, Cabo Mendes? - Acho que posso adivinhar, comandante. Quer que eu vá buscar a turquesa? Talvez ele ainda não tenha entendido o que é "dor". Novos risos, satisfeitos e ansiosos pelos próximos passos. Ele tentava não esquecer do porquê de estar ali. Tentava manter, no imenso telão de projeção da sua mente, aquela imagem do sol nascendo por trás dos montes verdes, da terra que, um dia, jurou viver e morrer, jurou fertilizar e tornar produtiva. - Sim, sim, cabo... Então traga a dor para ele. "Tragar a dor" Lembrava do rosto do seu Amor, sorrindo, de cabelos soltos e revoltos ao vento. Era com esse rosto em mente que ele queria se despedir desse mundo... Uma nova bofetada veio lhe acordar dos devaneios: - Não vai falar nada, desgraçado? Você sabe que já está morto, não é? Que não vai mais sair daqui...NÃO É? "Talvez a vida seja um fato consumado", mas, não; não era assim que as palavras lhe vinham à mente. Agora já não fazia diferença: o importante era manter em segurança aqueles que ele amava. Um objeto pontiagudo e afiado lhe dilacerou um dedo; aquele dedo que tocava as mais belas canções para ela, na rede, ao pôr do sol. A dor já não era material; seu corpo já não era seu de fato. "Resta a cuca". A dor era lancinante, mas o pior mesmo era saber que não voltaria mais a rever aqueles olhos negros e aquela boca que tantas vezes lhe fizera perder o juízo - e só esperava que todo aquele sofrimento não fosse em vão. Não falaria mais nada. Já bastava o que não conseguira suportar. - Eu estou tentando te ajudar, você sabe... Eu sei que você queria estar na sua casa... Mas, De que adianta ter boa vontade? Vocês não prestam, mesmo, são a escória. Ouvia risos, ecoando na tontura da calada noite. Misturava-se à letra o riso que quebrava o silêncio. "Esse silêncio todo me atordoa" E era melhor assim: o torpor o ajudava a abstrair a dor que ainda viria. O desespero do corpo, ainda tão arraigado à luta pela vida que - ele sabia - já não valia mais nada. Ouviu o morder das lâminas da turquesa. Lhe abriram as pernas. Chutes e pisões e objetos pontiagudos lhe atingindo as partes baixas. O tilintar da turquesa, voraz, vindo morder e esmigalhar tudo o que visse pela frente. Sentiu um cheiro novo, entre o sangue e o pavor: queimado. A sua testa ardia sob o ferro quente. "Cheiro de fumaça de óleo diesel" - Sabe por que estamos te marcando? Porque você não passa de gado, ouviu bem? GADO. Você obedece aos comunistas malditos que querem fazer desse país uma nova Cuba. Uma nova Rússia. Um novo Chile. AQUI NÃO! "Tanta mentira, tanta força bruta" Nova pancada na têmpora. De repente, tudo ficou mudo. "Silêncio na cidade não se escuta" Por uns instantes, as risadas deram lugar ao nada. E, em meio ao nada, a voz da amada conseguiu sobressair-se: - Não fraqueje. Talvez o mundo não seja pequeno. Em breve, vamos nos encontrar, em outra realidade, menos morta. Como era doce a voz da sua amada!... Esboçou um leve sorriso ao lembrar; a boca já sem dentes e de língua inchada. E então, sentiu entre as pernas que a turquesa trabalhava. Um grito desumano. No chão, um mar escorregadio, "tinto de sangue". - Ah, quer saber? Esse não vai conseguir falar mais nada, mesmo. Ele só queria voltar para o mundo dos seus sonhos. Voltar a sonhar com seu Amor, num vestido de chita, chamando para o almoço. Ele queria provar de novo aquela boca e aquele corpo, "morrer do meu próprio veneno". O Cabo espeta a faca no seu pescoço, a tentar separar o corpo da mente. "presa na garganta" "a faca já não corta" Ele agora está prestes a perder de vez. "perder de vez tua cabeça". Saudade. Sensação de nunca mais. Últimas lembranças daqueles olhos negros. Eles estarão chorando agora, sabendo do seu destino. Balbucia, quase inaudível: - Afasta... de mim... Mas o comandante já não tem paciência. Puxa a colt, puxa o gatilho: - Cale-se.
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@JuNaiane · há 10 meses
Sempre um final impactante
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@novidadesliterunico há 10 meses
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✨ Xico Sá (1962–) é escritor, jornalista e cronista brasileiro, conhecido por sua linguagem irreverente e bem-humorada. Autor de obras como Big Jato e Modos de Macho & Modinhas de Fêmea, retrata com ironia e afeto as contradições da vida cotidiana, os amores, as manias e a cultura popular. Sua escrita direta e espirituosa transformou-se em marca da literatura contemporânea brasileira. 📚✨ Big jato: <a href="https://www.literunico.com.br/books/1299">Aqui!</a> #XicoSá #literunico #literatura
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@novidadesliterunico há 10 meses
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✨ Denis Diderot (1713–1784), filósofo, romancista e crítico francês, foi um dos grandes nomes do Iluminismo e cofundador da monumental Enciclopédia, que transformou o conhecimento em ferramenta de liberdade. Sua obra ousada desafiou dogmas e abriu caminhos para a razão, a justiça e a emancipação do pensamento. 📚✨ O sobrinho de Rameau: <a href="https://www.literunico.com.br/books/1300">Aqui!</a> #DenisDiderot #literunico #filosofia
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@tibianchini há 10 meses
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O contrabaixo no meio da sala Se eu me calo, é porque não me importo. Se eu dou espaço, é porque não gosto. Se eu procuro, é porque estou pressionando. Se eu finjo que está tudo bem, é porque sou dissimulado. Estou cansado de ser um monstro. De acabar com vidas e casamentos felizes. De não ser compreendido, De ser temido como um predador, Prestes a acabar com a sanidade mental de pessoas decentes. Estou cansado de estar errado. De agredir mesmo quando não faço nada. De ser o chato, o ranzinza, o inflexível. O maldito autista insuportável. Não quero mais pensar em nada, nem em ninguém. Quero pensar em mim. No que restou de mim. E vocês, que me lêem, não se iludam: Eu sou um ser desprezível, que inclusive Tem a cara-de-pau de me fingir de pessoa do bem, Enquanto destruo corações e mentes ao meu redor. Eu, o vil, o mau, o torpe. O que, mesmo sem fazer nada, atrapalha. O que, mesmo calado, ofende. Mesmo calado. Não esperem que eu seja um piano, De cauda, brilhante, dando glamour ao ambiente: Eu sou o feioso, o rude, o agressivo. O eterno inconveniente. O que incomoda mas não pode ser expulso. O contrabaixo no meio da sala. Se eu cantar, perceberão todos como sou dispensável, E se arrancar as minhas cordas, Tornar-me-ei ainda mais uma bagagem grande e inútil. Tudo isso, até o dia em que não estiver mais, Em que ninguém mais puder ouvir falar de mim (Não que alguém vá me procurar um dia, eu sei) Até o dia em que meus graves ríspidos e intrusos Não mais invadam a doce vida de ninguém. E aí, sim, dirão que, no fundo, ao longe, Eu até que era uma boa alma, Eu até que serviria a um propósito, Ou que poderia ser útil para a felicidade de alguém. E um dia, eu sei, alguém dirá, com lágrimas de crocodilo, Como aquele rapaz era uma boa pessoa.
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@JuNaiane · há 10 meses
Todos precisam de um vilão. Que não sejamos os vilões de nós mesmos.
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@deleted há 10 meses
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<h5><span style='color: #00aaff;'>💡 Ideia:</span> Memória das rosas ~ Escrito por Hinai</h5><p>Leia a ideia completa: <a href='https://www.literunico.com.br/ideas/memoria-das-rosas-escrito-por-hinai-68e285d618766'>Clique aqui</a></p>
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#Poemasdarecordação</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1339'><strong>Poemas da recordação</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a poesia nasce da dor e da memória.<br /> <br /> Este livro tira beleza da dor. Os poemas têm muito do feminino e da experiência negra, muitos remetem a uma estrutura matriarcal em que as mulheres mais velhas passam seus ensinamentos às mais novas. Também muito usei em contações para meus alunos.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 232</p>
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#OônibusdeRosa</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1338'><strong>O ônibus de Rosa</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a vida de um homem se confunde com a luta de um povo, e a biografia se torna espelho da história.<br /> <br /> Sacanagem, né? A vida de um homem? Vou indicar este livro aqui, em que a vida de uma mulher se confunde com a luta de um povo e sua biografia se torna espelho da história. 😌<br /> Muito usei este livro em contações de história na biblioteca. Um avô é o narrador, ele conta para seu neto que presenciou quando Rosa Parks se negou a levantar para dar lugar a um branco no ônibus. Claro que uma simples negativa silenciosa acabou gerando uma imensa repercussão e, depois de muito movimento da população negra, foi extinta a segregação nos ônibus nos EUA. <br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 231</p>
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#Amordeadolescente?</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1337'><strong>Amor de adolescente?</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a adolescência aparece como espaço de descobertas e conflitos.<br /> <br /> Já tinha indicado o 3º desta trilogia no desafio (o meu preferido). Mas o primeiro é também muito legal. O livro foi escrito quando a própria autora era adolescente e a história cresceu com ela. É um romance muito lindo.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 230</p>
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#Ménageatrois</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1336'><strong>Ménage a trois</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a poesia ousa cantar o desejo em sua forma mais livre, transformando afetos em gesto estético e resistência.<br /> <br /> Acho que ainda não terminei a leitura deste livro, sempre pego e meio uns poemas. Preciso terminar. Gosto das temáticas e da linguagem poética dela. <br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 229</p>
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#Enquantoeurespirar</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1335'><strong>Enquanto eu respirar</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a solidão se transforma em voz poética.<br /> <br /> Este livro tem contos e poemas escritos a partir da dor da perda e do luto, dois tipos de solidão que conheço bem. É um livro muito bom e muito triste. <br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 228</p>
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#Meapaixonandopelomeuchefeinsuportável</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1334'><strong>Me apaixonando pelo meu chefe insuportável</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde existem culturas em conflito.<br /> <br /> Não consegui encontrar nenhum livro com culturas em conflito que eu tenha lido e que não tenha usado neste desafio. Então vamos focar no conflito, que, nesse caso, é entre chefe e secretária. E tem bastante conflito, claro, e bastante hot. É um livro interessante, mesmo clichezão.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 227</p>
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@CrisRibeiro há 10 meses
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#Desafio 276
Traduzido automaticamente do inglês.
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#Desafio 276
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#Achefe:faíscasdeumamor</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1332'><strong>A chefe: faíscas de um amor</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro onde a dor da perda se transforma em recomeço.<br /> <br /> Foi o livro mais recente que li. A protagonista, Mel, parte de uma grande perda: a morte de seu irmão, João. Mas, antes de morrer, João deixou tudo encaminhado para que Mel se reencontrasse com Gus, seu primeiro amor. Claro que o recomeço não é nada fácil, marcado por segredos e mágoas, mas a vida de Mel não será mais a mesma depois desse reencontro.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 226</p>
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@fksilvain há 10 meses
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<h5><span style='color: red;'>#OesplendordePortugal</span></h5><p><strong>Status da Leitura:</strong> Lido</p><p>Detalhes do Livro: <a href='https://www.literunico.com.br/books/1331'><strong>O esplendor de Portugal</strong></a></p><p>#Link365TemasLivros<br /> #Desafio365Livros<br /> <br /> <br /> Comente na Biblioteca em um livro que trate de aspectos da colonização portuguesa.<br /> <br /> Não é sobre a colonização portuguesa no Brasil e sim em Angola. Mostra toda a violência cotidiana, o racismo e, por fim, a revolução que levou à independência do país africano. Não é tão bom quanto "Os cus de Judas", mas é bem interessante.<br /> <br /> #Desafio365Postagens<br /> Dia 225</p>
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@novidadesliterunico há 10 meses
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"✨ Eduardo Guerra Carneiro (1942–2000) foi escritor e pensador espiritual brasileiro, autor de obras que unem fé, reflexão e busca interior. Em livros como Princípios do Fogo Espirituais, explorou a força transformadora da espiritualidade e da consciência, propondo caminhos de autoconhecimento e renovação. Sua escrita é marcada pelo desejo de iluminar a vida cotidiana com profundidade e esperança. 📚✨ <a href="https://www.literunico.com.br/books/1282">Aqui!</a> #EduardoGuerraCarneiro #literunico #espiritualidade"
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@rosana858 há 10 meses
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Primavera — Tempo de Recomeçar Nasci na primavera — e talvez por isso ela desperte em mim a lembrança de que a vida sempre pode desabrochar outra vez. Essa estação não é apenas um espetáculo de cores: é uma lição silenciosa, uma metáfora viva do que significa recomeçar. As árvores se desfazem do que já não serve, como quem entende que o passado não pode aprisionar o presente. O velho cai, o novo se veste. Há sabedoria nesse gesto simples: só floresce quem tem coragem de deixar ir. A renovação exige desapego. Os dias se alongam e a luz se multiplica. Não é acaso: é o tempo nos presenteando com mais energia para criar, arriscar, inventar. A natureza desperta — pássaros, animais, insetos, flores. Tudo conspira para o movimento, convidando-nos a sair da hibernação interior. Sentada no jardim, vejo um joão-de-barro erguendo sua morada. Ele sente o vento, antecipa a chuva, calcula a direção certa para proteger seus filhotes. Não discute com a Criação, não se rebela contra o destino: age em harmonia com ela. E me pergunto: por que nós, humanos, resistimos tanto? Por que insistimos em levantar nossas casas — e nossas existências — contra o fluxo natural dos seres, quando poderíamos aprender a dançar com o mundo? A primavera não é apenas estação: é símbolo. É convite. É espelho. Cada botão de flor que se abre parece sussurrar que também nós podemos florescer. O equinócio traz equilíbrio entre luz e sombra. Talvez a lição seja essa: cultivar pensamentos mais iluminados e evitar caminhos demasiadamente escuros. Despeço-me do pássaro com a promessa de levar sua mensagem adiante. A natureza cumpre seu propósito — e nós, muitas vezes, esquecemos o nosso. Mas se ouvirmos com atenção, ela nos dirá: o tempo é agora. O tempo é sempre. O tempo é de recomeçar. Vamos? Instagram: @rschumaher “Incentivando a leitura com histórias que refletem a vida”
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@literunico há 10 meses
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<h5><span style='color: #00aaff;'>💡 Ideia:</span> Eleições 2026: Serão dois Bolsonaros candidatos contra Lula?</h5><p>Leia a ideia completa: <a href='https://www.literunico.com.br/ideas/eleicoes-2026-serao-dois-bolsonaros-candidatos-contra-lula-68e11db4de573'>Clique aqui</a></p>
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@chico-viana-lwd0u há 10 meses
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A NAMORADA Nós brigávamos muito. Os amigos nos viam mais afastados do que juntos, e quando encontravam um dos dois a primeira pergunta que faziam era: “Vocês ainda estão namorando?”. O motivo das brigas era banal, irrelevante, mas comumente (coro em o dizer) estava ligado ao meu ciúme. Eu era um adolescente inseguro. Tinha pouca experiência em namoros e vivia empaturrado de literatura e filosofia mal assimilada. Ela tinha olhos verdes. Além de verdes, inquietos, como aliás era ela toda. Gostava de olhar a rua, os carros, as pessoas com uma avidez que me parecia suspeita. Ciumento vê ameaça em tudo. Eu queria deter aquela onda magnética, canalizá-la só para mim. Como não conseguia, arranjava pretextos para cobranças e brigas. Ficávamos um tempo sem nos ver, e nesse período eu lhe mandava cartas. As cartas eram uma tentativa de explicação, um meio de pedir a ela que me perdoasse. Escrevia-as num estilo que eu hoje chamaria “desesperado-incandescente”. Era tudo iluminado com metáforas, amplificado com hipérboles, recheado de citações pretensamente doutas sobre a vida e o amor. Eu queria com toda essa retórica impressioná-la, é óbvio, e parece que a coisa funcionava. Dias depois nos reconciliávamos por entre beijos tórridos e juras eternas (com todos os adjetivos a que uma paixão adolescente tem direito). Essa alternância entre brigas e cartas durou um bom tempo. Devo ter escrito umas 15 ou 20, sempre caprichando na forma e achando que, quanto melhor escrevesse, mais eu a impressionava e retinha. Um dia tivemos uma briga mais séria, por motivo tão bobo que a enfureceu. Afastei-me por uns dias e tratei de providenciar mais uma torturada missiva, na qual arderia de novo o meu coração. Não foi preciso. O fogo dessa vez veio do outro lado, e nada metafórico. Quando liguei para lhe informar que iria levar a carta, ela me disse que isso era inútil; já queimara todas as outras. Mal acreditei no que tinha ouvido. Cheguei a pensar que era mentira, ela não podia ter sido capaz de tanta maldade. Mas fora, sim. Incinerara os meus sofridos textos. Se eu queria confirmar, que fosse lá ver as cinzas... Não fui, é claro. E naquela noite me revirei na cama cheio de ódio e frustração. Ao mesmo tempo que a amaldiçoava, eu me achava um imbecil. Por que não tinha feito como Sartre (então meu ídolo), que tirava cópia das suas cartas de amor? Com o tempo passei a avaliar melhor o episódio, que não deixou de encerrar uma lição – uma das muitas que eu aprenderia com as mulheres. As cartas nada mais eram do que um monumento à minha vaidade. Querer suprir por meio delas falhas pessoais era um equívoco que só poderia destruir a relação. À namorada não interessava o escritor, e sim o homem, que não precisava ser “inteligente” para se fazer amar. Bastava ser menos complicado, mais confiante e capaz de demonstrar que gostava mesmo dela. Não guardo mágoas, mas devo confessar que vez por outra penso nas cartas. Bem que eu gostaria de as reler agora e reencontrar nelas o adolescente ansioso, que procurava num estilo trêmulo confessar o seu amor. Talvez – quem sabe? – até tivessem algum valor literário... Não sei se perdoei de todo aquela namorada. Às vezes acho que me casei com ela por uma espécie de vingança. (Em “A idade do bobo”)
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@MarU há 10 meses
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#Desafio 238 *Toque de amor* E num suspiro profundo, te sinto me abrindo por dentro… entrando lentamente… tomando meu ventre, preenchendo meu íntimo, invadindo meu sexo. Fecho os olhos com os arrepios… e vislumbro seu toque macio, queimando minha pele, acendendo meu cio, derramando-me entre as pernas o néctar doce do desejo que sinto. Te sinto tão vívido dentro de mim, que até esqueço o entorno… em que estou. Me perco em desejos, ardendo… meu corpo corresponde ao pensamento, reagindo ao pulsar intenso, clamando pelo seu toque de amor. MarU
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@chico-viana-lwd0u há 10 meses
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CASO SÉRIO – Pai, urge que o senhor aumente a minha mesada. – “Urge”?! O que é isso? – A professora de redação ensinou que a gente deve dizer “urge”. Tem mais força do que “é preciso”, “é necessário”. Parece, tipo assim, o rugido de uma fera. URRRGEEE! – Calma, tudo bem. Não precisa me morder. E pra que é que você quer mais dinheiro? – Vou fazer o Enem, não vou? Preciso ler, me informar. Destarte... – “Destarte”? – Sim. Destarte, dessarte... A professora falou que é melhor do que “então”, “logo”, “diante disso”. Ela quer que a gente arrase na prova. E quer, outrossim, um pouco de fama para ela também, claro. – “Outrossim”? – O senhor não conhecia? – Não. Conhecia “outro não”. Era o que eu ouvia de sua mãe toda vez que lhe pedia um beijo. Ela dizia: “Outro não, Valfredo. Por hoje basta.”. – Ah, pai, o senhor é mesmo ignorante. Não é “outro sim”; é “outrossim”, entendeu? – Não estou vendo diferença, mas entendi. O contrário, então, deve ser “o mesmo sim”. E não outro! – Caramba, pai! Achei massa essa história do beijo. Então ela lhe dava um fora... Que sádica! E o senhor, entrementes, o que fazia? – “Entrementes”? Deixe eu ver... Primeiro preciso saber o que é “entrementes”. É alguma coisa como “escorraçado”? – Nada a ver. Significa “nesse espaço de tempo”. – E por que você não falou isso? – Porque a professora disse que “entrementes” impressiona mais. – Nesse caso, pode entrementar à vontade. O importante é que você arrase na redação. – Esse é meu desiderato. – Como? – Desiderato, objetivo, pô! Também o senhor não saca nada da língua portuguesa! – Desculpe, ando meio desatualizado. Embora, aqui pra nós, esses termos que você está usando sejam um tanto serôdios. – “Ser” o quê? – Serôdios! Sua professora não mandou você usar essa palavra no lugar de “antigos”? Se ela ainda não fez isso, vai fazer. Com certeza. – Epa! Nada de “com certeza”. É “indubitavelmente”. E sabe de uma coisa? É mister que eu não converse mais com o senhor. – “Mister”?! – Isso mesmo. E não fale mais da minha professora, viu? Não quero ouvir. Se fizer isso, que seja à sorrelfa. – “Sorrelfa”!? Essa também veio da professora? – Negativo. É contribuição minha mesmo. Pesquei no dicionário para fazer uma surpresa a ela. – “Sorrelfa”... Socorro, Alaíde! Vem cá ouvir teu filho. Alguma coisa muito séria está acontecendo com ele!