Retratos Êxtase e outros contos · Capítulo 6 de 14
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Oito horas da manhã. Miss Ada Moss jazia numa cama de ferro preto, olhando fixamente para o teto. Seu quarto, um cômodo de fundos no último andar, em Bloomsbury, cheirava a fuligem, pó de arroz e ao papel das batatas fritas que ela trouxera para o jantar na noite anterior.

“Oh, céus”, pensou Miss Moss, “estou com frio. Gostaria de saber por que é que agora acordo sempre com tanto frio de manhã. Meus joelhos, meus pés e minhas costas — sobretudo minhas costas; parecem uma lâmina de gelo. E eu sempre fui tão dada a sentir calor nos velhos tempos. Não é como se eu estivesse magra — continuo com a mesma figura cheia de antes. Não, é porque não tenho um bom jantar quente à noite.”

Um cortejo de Bons Jantares Quentes atravessou o teto, cada um acompanhado de uma garrafa de Cerveja Preta Nutritiva...

“Mesmo que eu me levantasse agora”, pensou ela, “e tomasse um café da manhã sensato e substancioso...” Um cortejo de Cafés da Manhã Sensatos e Substanciosos seguiu os jantares pelo teto, pastoreado por um enorme presunto branco, inteiro. Miss Moss estremeceu e desapareceu sob as cobertas. De repente, a senhoria entrou aos pulos.

— Há uma carta para a senhora, Miss Moss.

— Oh — disse Miss Moss, amistosa demais —, muitíssimo obrigada, Mrs. Pine. É muita gentileza sua, tenho certeza, dar-se ao trabalho.

— Trabalho nenhum — disse a senhoria. — Pensei que talvez fosse a carta que a senhora estava esperando.

— Ora — disse Miss Moss, animada —, sim, talvez seja. — Inclinou a cabeça para um lado e sorriu vagamente para a carta. — Não me surpreenderia.

Os olhos da senhoria saltaram.

— Pois a mim surpreenderia, Miss Moss — disse ela —, e é assim que estamos. E vou lhe pedir que abra essa carta, por favor. Muita senhora no meu lugar já teria aberto para a senhora e estaria dentro do seu direito. Porque as coisas não podem continuar assim, Miss Moss, não, de fato não podem. Semana após semana, ora a senhora tem, ora não tem, e então é mais uma carta perdida no correio ou mais um empresário que desceu para Brighton, mas volta na terça-feira sem falta — estou simplesmente farta e cansada, e não vou aguentar mais. Por que eu haveria de aguentar, Miss Moss, diga-me, numa época como esta, com os preços subindo pelos ares e meu pobre rapaz na França? Minha irmã Eliza ainda ontem me dizia: “Minnie”, ela diz, “você é mole demais de coração. Você poderia ter alugado aquele quarto vezes e vezes sem conta”, diz ela, “e se as pessoas não cuidam de si mesmas em tempos como estes, ninguém mais vai cuidar”, diz ela. “Ela pode ter tido educação de College e cantado em concertos no West End”, diz ela, “mas se a sua Lizzie diz o que é verdade”, diz ela, “e ela está lavando as próprias roupas de baixo e secando no toalheiro, é fácil ver para onde o dedo aponta. E já passou da hora de você acabar com isso”, diz ela.

Miss Moss não deu sinal de ter ouvido. Sentou-se na cama, rasgou o envelope e leu:

“Prezada senhora,

Recebemos sua carta. Não estamos produzindo no momento, mas arquivamos sua fotografia para referência futura.

Atenciosamente,

BACKWASH FILM CO.”

Essa carta pareceu lhe proporcionar uma satisfação peculiar; ela a leu duas vezes antes de responder à senhoria.

— Bem, Mrs. Pine, acho que a senhora vai se arrepender do que disse. Esta carta é de um empresário, pedindo que eu compareça com traje de noite às dez horas da manhã do próximo sábado.

Mas a senhoria foi rápida demais para ela. Deu o bote e tomou a carta.

— Ah, é? É mesmo? — gritou.

— Devolva essa carta. Devolva imediatamente, sua mulher má e perversa — gritou Miss Moss, que não podia sair da cama porque sua camisola estava rasgada nas costas. — Devolva minha carta particular.

A senhoria começou a recuar lentamente para fora do quarto, segurando a carta contra o corpete abotoado.

— Então chegamos a isto, foi? — disse ela. — Pois bem, Miss Moss, se eu não receber meu aluguel às oito horas desta noite, veremos quem é a mulher má e perversa — só isso. — Aqui ela meneou a cabeça, misteriosamente. — E vou ficar com esta carta. — Aqui sua voz se elevou. — Será uma bela pecinha de prova! — E aqui desceu, sepulcral: — Milady.

A porta bateu e Miss Moss ficou sozinha. Lançou as cobertas para longe e, sentada à beira da cama, furiosa e trêmula, encarou suas pernas brancas e gordas, com grandes nós de veias azul-esverdeadas.

— Barata! É isso que ela é. Uma barata! — disse Miss Moss. — Eu poderia levá-la ao tribunal por ter arrancado minha carta das mãos — tenho certeza de que poderia. — Ainda de camisola, começou a enfiar as roupas.

“Oh, se eu pudesse ao menos pagar aquela mulher, diria umas boas que ela não esqueceria. Eu a poria em seu devido lugar.” Foi até a cômoda procurar um alfinete de segurança e, vendo-se no espelho, deu um sorriso vago e sacudiu a cabeça.

— Bem, minha velha — murmurou —, desta vez você está encurralada, e não há dúvida.

Mas a pessoa no espelho fez uma careta feia para ela.

— Sua tola — ralhou Miss Moss. — De que adianta chorar agora? Só vai deixar seu nariz vermelho. Não, vista-se, saia e tente a sorte — é isso que você tem de fazer.

Desenganchou da cabeceira sua bolsinha, remexeu nela, sacudiu-a, virou-a do avesso.

— Vou tomar uma boa xícara de chá num A B C para me firmar antes de ir a qualquer lugar — decidiu. — Tenho um xelim e três pence — sim, exatamente um e três.

Dez minutos depois, uma senhora corpulenta de sarja azul, com um ramalhete de “parmas” artificiais no peito, um chapéu preto coberto de amores-perfeitos roxos, luvas brancas, botinas com canos brancos e uma bolsinha contendo um xelim e três pence, cantava em voz baixa de contralto:

Amor, recorda, quando os dias são tristes,

É sempre mais escuro antes da aurora.

Mas a pessoa no espelho fez uma careta para ela, e Miss Moss saiu. Havia caranguejos cinzentos por toda a rua, derramando água sobre os degraus de pedra cinzenta. Com seu estranho grito roufenho e o tinir das latas, o menino do leite fazia sua ronda. Diante da Casa Suíça de Brittweiler, ele fez um respingo, e uma velha gata marrom sem rabo apareceu de lugar nenhum e começou a beber avidamente, em silêncio, o leite derramado. Aquilo deu a Miss Moss uma sensação esquisita — um afundamento, por assim dizer.

Mas, ao chegar ao A B C, encontrou a porta escorada aberta; um homem entrava e saía carregando bandejas de pãezinhos, e lá dentro não havia ninguém além de uma garçonete arrumando o cabelo e da caixa destrancando cofres de dinheiro. Ela ficou no meio do salão, mas nenhuma das duas a viu.

— Meu rapaz voltou para casa ontem à noite — cantou a garçonete.

— Ah, mas veja só — que maravilha para você! — gorjeou a caixa.

— Sim, não foi? — cantou a garçonete. — Ele me trouxe um brochezinho lindo. Olhe, tem “Dieppe” escrito nele.

A caixa atravessou correndo para olhar e pôs o braço em volta do pescoço da garçonete.

— Ah, mas veja só — que maravilha para você.

— Sim, não é? — disse a garçonete. — O-oh, ele está tão moreno. “Olá”, eu disse, “olá, velho mogno.”

— Ah, mas veja só — gorjeou a caixa, correndo de volta para sua gaiola e quase esbarrando em Miss Moss no caminho. — Você é uma delícia! — Então o homem dos pãezinhos entrou outra vez, desviando-se dela.

— Posso tomar uma xícara de chá, senhorita? — perguntou ela.

Mas a garçonete continuou arrumando o cabelo.

— Oh — cantou —, ainda não estamos abertos. — Virou-se e acenou com o pente para a caixa. — Estamos, querida?

— Ah, não — disse a caixa.

Miss Moss saiu.

“Vou a Charing Cross. Sim, é isso que vou fazer”, decidiu. “Mas não vou tomar chá. Não, vou tomar café. Há mais tônico no café... Que atrevidas, aquelas moças! O rapaz dela voltou para casa ontem à noite; trouxe-lhe um broche com ‘Dieppe’ escrito.” Começou a atravessar a rua...

— Cuidado, Gorducha; não vá dormir! — berrou um motorista de táxi. Ela fingiu não ouvir.

“Não, não vou a Charing Cross”, decidiu. “Vou direto à Kig e Kadgit. Abrem às nove. Se eu chegar cedo, o sr. Kadgit talvez tenha alguma coisa no correio da manhã... Fico muito contente que tenha aparecido tão cedo, Miss Moss. Acabo de receber notícia de um empresário que procura uma senhora para atuar... Acho que a senhora lhe cairá como uma luva. Vou lhe dar um cartão para ir vê-lo. São três libras por semana e tudo incluído. Se eu fosse a senhora, correria até lá o mais depressa possível. Sorte sua ter aparecido tão cedo...”

Mas não havia ninguém na Kig e Kadgit além da faxineira, passando pano no “lino” do corredor.

— Ainda não chegou ninguém, Miss — disse a faxineira.

— Oh, o sr. Kadgit não está? — disse Miss Moss, tentando desviar do balde e da escova. — Bem, vou esperar um instante, se me permite.

— A senhora não pode esperar na sala de espera, Miss. Ainda não limpei lá. O sr. Kadgit nunca chega antes das onze e meia aos sábados. Às vezes nem vem. — E a faxineira começou a se arrastar em sua direção.

— Céus — que tolice a minha — disse Miss Moss. — Esqueci que era sábado.

— Cuidado com os pés, por favor, Miss — disse a faxineira.

E Miss Moss estava de novo na rua.

Isso era uma coisa sobre a Beit e Bithems: era animada. Você entrava na sala de espera, num grande zumbido de conversa, e lá estava todo mundo; você conhecia quase todo mundo. Os que haviam chegado cedo se sentavam nas cadeiras, e os que chegavam depois se sentavam no colo dos primeiros, enquanto os cavalheiros se apoiavam negligentemente nas paredes ou se ajeitavam diante das damas admiradoras.

— Olá — disse Miss Moss, muito alegre. — Cá estamos de novo!

E o jovem sr. Clayton, tocando banjo em sua bengala, cantou:

— Waiting for the Robert E. Lee.

— O sr. Bithem já chegou? — perguntou Miss Moss, tirando uma velha esponja morta de pó de arroz e empoando o nariz de lilás.

— Ah, sim, querida — gritou o coro. — Está aqui há séculos. Estamos todos esperando há mais de uma hora.

— Céus! — disse Miss Moss. — Acham que há alguma coisa?

— Ah, alguns trabalhos para a África do Sul — disse o jovem sr. Clayton. — Cento e cinquenta por semana, durante dois anos, sabe.

— Oh! — gritou o coro. — O senhor é estranhíssimo, sr. Clayton. Não é uma peça? Não é de matar, querida? Oh, sr. Clayton, o senhor me faz rir. Não é um cômico?

Uma moça escura e pesarosa tocou o braço de Miss Moss.

— Perdi por pouco um trabalho maravilhoso ontem — disse ela. — Seis semanas nas províncias e depois o West End. O empresário disse que eu teria conseguido, com certeza, se ao menos fosse robusta o bastante. Disse que, se minha figura fosse mais cheia, o papel teria sido feito para mim. — Ela encarou Miss Moss, e a rosa vermelha-escura e suja sob a aba de seu chapéu parecia, de algum modo, partilhar o golpe com ela, e também estar esmagada.

— Oh, querida, que azar — disse Miss Moss, tentando parecer indiferente. — O que era — se posso perguntar?

Mas a moça escura e pesarosa viu através dela, e um brilho de rancor apareceu em seus olhos pesados.

— Oh, nada que servisse para você, minha querida — disse ela. — Ele queria alguém jovem, sabe — um tipo espanhol moreno — meu estilo, mas com mais corpo, só isso.

A porta interna se abriu e o sr. Bithem apareceu em mangas de camisa. Mantinha uma das mãos na porta, pronto para se esquivar de volta, e ergueu a outra.

— Vejam bem, senhoras... — e então fez uma pausa, abriu seu famoso sorriso antes de dizer — e rapazes.

A sala de espera riu tão alto disso que ele teve de erguer as duas mãos.

— Não adianta esperar esta manhã. Voltem na segunda; estou esperando vários telefonemas na segunda.

Miss Moss avançou num impulso desesperado.

— Sr. Bithem, eu gostaria de saber se o senhor teve notícias de...

— Agora vejamos — disse o sr. Bithem devagar, encarando-a; ele só vira Miss Moss quatro vezes por semana nas últimas — quantas semanas? — Agora, quem é a senhora?

— Miss Ada Moss.

— Ah, sim, sim; claro, minha querida. Ainda não, minha querida. Olhe, tive hoje uma chamada para vinte e oito senhoras, mas precisavam ser jovens e capazes de mexer um pouco as pernas — compreende? E tive outra chamada para dezesseis — mas elas precisavam entender alguma coisa de dança de areia. Veja bem, minha querida, estou atolado até as sobrancelhas esta manhã. Volte na outra segunda; não adianta vir antes. — Deu-lhe um sorriso inteiro, só para ela, e deu palmadinhas em suas costas gordas. — Corações de carvalho, querida senhora — disse o sr. Bithem —, corações de carvalho!

Na North-East Film Company, a multidão ocupava toda a escada. Miss Moss se viu ao lado de uma coisinha clara, quase um bebê de uns trinta anos, num chapéu de renda branca com cerejas em volta.

— Que multidão! — disse ela. — Há algo especial?

— Você não sabia, querida? — disse o bebê, abrindo os imensos olhos pálidos. — Houve uma chamada às nove e meia para moças atraentes. Estamos todas esperando há horas. Você já trabalhou para esta companhia?

Miss Moss inclinou a cabeça para um lado.

— Não, acho que não.

— É uma companhia adorável para trabalhar — disse o bebê. — Uma amiga minha tem uma amiga que ganha trinta libras por dia... Você já atuou muito para os fil-mes?

— Bem, não sou atriz de profissão — confessou Miss Moss. — Sou cantora contralto. Mas as coisas andam tão ruins ultimamente que tenho feito um pouco.

— É assim mesmo, não é, querida? — disse o bebê.

— Tive uma esplêndida educação no College of Music — disse Miss Moss — e ganhei minha medalha de prata em canto. Cantei muitas vezes em concertos no West End. Mas pensei que, para variar, tentaria a sorte...

— Sim, é assim mesmo, não é, querida? — disse o bebê.

Nesse momento, uma bela datilógrafa apareceu no alto da escada.

— Todas estão esperando a chamada da North-East?

— Sim! — gritou o coro.

— Pois foi cancelada. Acabo de receber um telefonema.

— Mas espere aí! E as nossas despesas? — gritou uma voz.

A datilógrafa olhou para elas lá embaixo e não conseguiu deixar de rir.

— Oh, vocês não seriam pagas. A North-East nunca paga os figurantes.

Na Bitter Orange Company havia apenas uma janelinha redonda. Nenhuma sala de espera — ninguém, exceto uma moça que veio até a janela quando Miss Moss bateu e disse:

— Pois não?

— Posso ver o produtor, por favor? — disse Miss Moss, amavelmente.

A moça apoiou-se na barra da janela, semicerrando os olhos, e pareceu adormecer por um instante. Miss Moss sorriu para ela. A moça não apenas franziu a testa; parecia sentir algum cheiro vagamente desagradável; fungou. De repente se afastou, voltou com um papel e o empurrou para Miss Moss.

— Preencha o formulário! — disse.

E bateu a janela.

“Pode pilotar avião — mergulhar de grande altura — dirigir automóvel — montar cavalo bravo — atirar?”, leu Miss Moss. Caminhou pela rua fazendo a si mesma essas perguntas. Soprava um vento alto e frio; puxava-a, esbofeteava seu rosto, zombava; sabia que ela não podia respondê-las. Nos jardins da praça, encontrou uma pequena cesta de arame onde deixar cair o formulário. Depois se sentou num dos bancos para empoar o nariz. Mas a pessoa no espelhinho de bolso fez uma careta horrenda para ela, e aquilo foi demais para Miss Moss; ela chorou bastante. Isso a animou extraordinariamente.

— Bem, isso passou — suspirou. — É um consolo estar fora dos meus pés. E meu nariz logo vai esfriar ao ar... É muito agradável aqui. Olhe os pardais. Piu. Piu. Como chegam perto. Imagino que alguém os alimente. Não, não tenho nada para vocês, coisinhas atrevidas... — Desviou o olhar deles. Que prédio grande era aquele em frente — o Café de Madrid? Meu Deus, que tombo levou aquela criancinha! Pobre coisinha! Não faz mal — de pé outra vez... Às oito horas desta noite... Café de Madrid. “Eu poderia simplesmente entrar e me sentar ali e tomar um café, só isso”, pensou Miss Moss. “Também é um lugar tão frequentado por artistas. Talvez eu tivesse um golpe de sorte... Um cavalheiro moreno e bonito, de casaco de pele, entra com um amigo e se senta à minha mesa, talvez. ‘Não, meu velho, procurei uma contralto em toda Londres e não encontro viva alma. Veja, a música é difícil; dê uma olhada.’” E Miss Moss ouviu a si mesma dizendo: “Com licença, por acaso sou contralto, e já cantei essa parte muitas vezes...” Extraordinário! “Venha ao meu estúdio e eu experimento sua voz agora mesmo...” Dez libras por semana... Por que eu me sentiria nervosa? Não é nervosismo. Por que eu não iria ao Café de Madrid? Sou uma mulher respeitável — sou cantora contralto. E só estou tremendo porque não comi nada hoje... “Uma bela pecinha de prova, milady...” Muito bem, Mrs. Pine. Café de Madrid. Eles têm concertos lá à noite... “Por que não começam?” A contralto não chegou... “Com licença, por acaso sou contralto; já cantei essa música muitas vezes.”

Estava quase escuro no café. Homens, palmeiras, assentos de pelúcia vermelha, mesas de mármore branco, garçons de avental — Miss Moss atravessou tudo isso. Mal havia se sentado quando um cavalheiro muito corpulento, usando um chapéu muito pequeno que flutuava no alto de sua cabeça como um iatezinho, despencou na cadeira em frente à dela.

— Boa noite! — disse ele.

Miss Moss respondeu, à sua maneira alegre:

— Boa noite!

— Bela noite — disse o cavalheiro corpulento.

— Sim, muito bela. Um verdadeiro agrado, não é? — disse ela.

Ele dobrou um dedo feito salsicha para o garçom.

— Traga-me um uísque grande — e virou-se para Miss Moss. — E o seu?

— Bem, acho que vou tomar um conhaque, se tanto faz.

Cinco minutos depois, o cavalheiro corpulento inclinou-se por cima da mesa e soprou uma baforada de fumaça de charuto bem no rosto dela.

— Que fitinha tentadora! — disse ele.

Miss Moss corou tanto que uma pulsação no alto de sua cabeça, que ela nunca havia sentido antes, começou a martelar.

— Sempre fui dada ao rosa — disse ela.

O cavalheiro corpulento a examinou, tamborilando com os dedos na mesa.

— Gosto delas firmes e bem cobertas — disse ele.

Miss Moss, para sua surpresa, soltou uma risadinha alta.

Cinco minutos depois, o cavalheiro corpulento içou-se de pé.

— Bem, eu vou para o seu lado, ou você vem para o meu? — perguntou.

— Vou com o senhor, se tanto faz — disse Miss Moss.

E saiu velejando atrás do pequeno iate, para fora do café.

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