O dia do Sr. Reginald Peacock Êxtase e outros contos · Capítulo 8 de 14
Obra Menu

O dia do Sr. Reginald Peacock

Se havia uma coisa que ele odiava mais do que qualquer outra era o modo que ela tinha de acordá-lo pela manhã. Ela fazia de propósito, é claro. Era sua maneira de estabelecer a queixa do dia, e ele não lhe daria o gosto de saber o quanto era bem-sucedida. Mas, realmente, realmente, acordar uma pessoa sensível daquela maneira era positivamente perigoso! Ele levava horas para se recuperar — simplesmente horas. Ela entrava no quarto abotoada num avental, com um lenço na cabeça — provando assim que ela mesma já estava de pé e se matando de trabalhar desde a aurora — e chamava, numa voz baixa, de aviso:

— Reginald!

— Eh! Quê! O que é isso? O que houve?

— Está na hora de levantar; são oito e meia.

E saía, fechando a porta em silêncio atrás de si, para saborear o triunfo, supunha ele.

Ele se virou na cama grande, o coração ainda batendo em pancadas rápidas e surdas, e a cada pancada sentia sua energia escapando, sua — sua inspiração para o dia sufocando sob aqueles golpes abafados. Parecia que ela tinha um prazer malicioso em tornar a vida mais difícil para ele do que — Deus sabe — ela já era, negando-lhe seus direitos de artista, tentando arrastá-lo para baixo, ao nível dela. O que havia com ela? Que diabo ela queria? Não tinha ele agora três vezes mais alunos do que quando se casaram, não ganhava três vezes mais, não pagara por cada pau e cada pedra que possuíam, e não começara agora a desembolsar para o jardim de infância de Adrian?... E alguma vez a censurara por não ter um vintém em seu nome? Nunca uma palavra — nunca um sinal! A verdade era que, uma vez que um homem se casava com uma mulher, ela se tornava insaciável, e a verdade era que nada era mais fatal para um artista do que o casamento, ao menos até que ele passasse bem dos quarenta... Por que se casara com ela? Ele se fazia essa pergunta, em média, umas três vezes por dia, mas nunca conseguia respondê-la de modo satisfatório. Ela o apanhara num momento de fraqueza, quando o primeiro mergulho na realidade o deixara aturdido e esmagado por algum tempo. Olhando para trás, via uma criatura jovem e patética, meio criança, meio pássaro selvagem e indomado, totalmente incompetente para lidar com contas, credores e todos os detalhes sórdidos da existência. Bem — ela fizera o possível para aparar-lhe as asas, se isso lhe dava alguma satisfação, e podia congratular-se pelo sucesso daquele truque matinal. Uma pessoa deveria despertar de modo primoroso, relutante, pensou ele, afundando-se na cama quente. Começou a imaginar uma série de cenas encantadoras que terminavam com sua mais recente, mais adorável aluna pondo os braços nus e perfumados em torno de seu pescoço e cobrindo-o com seus longos cabelos fragrantes. “Desperta, meu amor!”...

Como era seu hábito diário, enquanto a água da banheira corria, Reginald Peacock experimentou a voz.

Quando a mãe a enfeita diante do espelho risonho,

Atando-lhe as fitas, prendendo-lhe o cabelo,

cantou ele, a princípio suavemente, escutando a qualidade, acalentando a voz até chegar ao terceiro verso:

Muitas vezes ela pensa: se esta criatura selvagem se casasse...

e, na palavra “casasse”, irrompeu num brado de tal triunfo que o copo de escovas na prateleira do banheiro tremeu, e até a torneira da banheira pareceu jorrar tempestuosos aplausos...

Bem, não havia nada de errado com sua voz, pensou ele, saltando para dentro da banheira e ensaboando o corpo macio e rosado inteiro com uma bucha em forma de peixe. Poderia encher Covent Garden com ela! “Casasse”, bradou de novo, agarrando a toalha com um magnífico gesto operístico, e continuou cantando enquanto se esfregava, como se fosse Lohengrin derrubado por um Cisne imprudente e se enxugando com a maior pressa antes que aquela maçante Elsa aparecesse...

De volta ao quarto, puxou a persiana para cima num solavanco e, de pé sobre o quadrado pálido de luz solar que jazia no tapete como uma folha de papel mata-borrão cor de creme, começou seus exercícios — respirar fundo, inclinar-se para a frente e para trás, agachar-se como uma rã e esticar as pernas — pois, se havia uma coisa de que tinha horror, era de engordar, e homens de sua profissão tinham uma tendência terrível para isso. Contudo, não havia sinal algum por enquanto. Estava, decidiu, no ponto exato, exatamente bem proporcionado. De fato, não pôde evitar um arrepio de satisfação ao se ver no espelho, vestido com um fraque de dia, calças cinza-escuras, meias cinza e uma gravata preta com um fio prateado. Não que fosse vaidoso — ele não suportava homens vaidosos — não; a visão de si mesmo lhe dava um arrepio de satisfação puramente artística. “Voilà tout!”, disse ele, passando a mão sobre os cabelos lisos.

Aquela pequena e fácil frase francesa, soprada tão levemente de seus lábios como uma lufada de fumaça, lembrou-lhe que alguém lhe perguntara outra vez, na noite anterior, se ele era inglês. As pessoas pareciam achar impossível acreditar que não houvesse nele algum sangue meridional. Verdade, havia em seu canto uma qualidade emocional que nada tinha de John Bull... A maçaneta da porta chocalhou e girou, girou. A cabeça de Adrian apareceu.

— Por favor, pai, mamãe disse que o café está prontinho, por favor.

— Muito bem — disse Reginald. Então, justo quando Adrian desaparecia: — Adrian!

— Sim, pai.

— Você não disse “bom dia”.

Alguns meses antes, Reginald passara um fim de semana numa família muito aristocrática, onde o pai recebia os filhinhos pela manhã e lhes apertava a mão. Reginald achou a prática encantadora e a introduziu imediatamente, mas Adrian se sentia terrivelmente tolo tendo de apertar a mão do próprio pai todas as manhãs. E por que seu pai sempre meio que cantava para ele em vez de falar?...

De excelente humor, Reginald entrou na sala de jantar e sentou-se diante de uma pilha de cartas, um exemplar do Times e um pratinho coberto. Lançou um olhar às cartas e depois ao café da manhã. Havia duas fatias finas de bacon e um ovo.

— Você não quer bacon? — perguntou.

— Não, prefiro uma maçã assada fria. Não sinto necessidade de bacon todas as manhãs.

Ora, queria ela dizer com isso que tampouco havia necessidade de ele comer bacon todas as manhãs, e que lhe contrariava ter de prepará-lo para ele?

— Se você não quer fazer o café da manhã — disse ele —, por que não mantém uma criada? Você sabe que podemos pagar uma, e sabe o quanto detesto ver minha esposa fazendo o serviço. Só porque todas as mulheres que tivemos no passado foram fracassos e perturbaram completamente meu regime, tornando quase impossível que eu recebesse alunos aqui, você desistiu de tentar encontrar uma mulher decente. Não é impossível treinar uma criada — é? Quero dizer, não exige gênio.

— Mas eu prefiro fazer o serviço sozinha; isso torna a vida muito mais tranquila... Vá, Adrian querido, vá se arrumar para a escola.

— Ah, não, não é isso! — Reginald fingiu sorrir. — Você faz o serviço sozinha porque, por alguma razão extraordinária, gosta de me humilhar. Objetivamente, talvez não saiba disso, mas, subjetivamente, é esse o caso. — Esta última observação o encantou tanto que ele abriu um envelope com tanta graça como se estivesse no palco...

“CARO SR. PEACOCK,

Sinto que não posso dormir sem lhe agradecer outra vez pela maravilhosa alegria que seu canto me deu esta noite. Absolutamente inesquecível. O senhor me faz perguntar, como não me perguntava desde menina, se isto é tudo. Quero dizer, se este mundo comum é tudo. Se talvez não há, para aqueles de nós que compreendem, uma beleza e uma riqueza divinas à nossa espera, contanto que tenhamos a coragem de vê-las. E de torná-las nossas... A casa está tão silenciosa. Gostaria que o senhor estivesse aqui agora para que eu pudesse lhe agradecer pessoalmente. O senhor realiza uma grande obra. Está ensinando o mundo a escapar da vida!

Sua, muito sinceramente,

ÆNONE FELL.

P.S. — Estou em casa todas as tardes desta semana...”

A carta fora rabiscada em tinta violeta sobre papel grosso, feito à mão. A vaidade, aquele pássaro luminoso, ergueu outra vez as asas, ergueu-as até ele sentir que o peito lhe arrebentaria.

— Oh, bem, não vamos brigar — disse ele, e chegou até a estender a mão para a esposa.

Mas ela não era grande o bastante para responder.

— Preciso me apressar e levar Adrian à escola — disse ela. — Seu quarto está todo pronto para você.

Muito bem — muito bem — que houvesse guerra aberta entre eles! Mas ele seria condenado se fosse o primeiro a fazer as pazes outra vez!

Andou de um lado para o outro em seu quarto e só voltou a se acalmar quando ouviu a porta externa se fechar atrás de Adrian e de sua esposa. É claro que, se aquilo continuasse, teria de providenciar outro arranjo. Era óbvio. Atado e amarrado daquele modo, como poderia ajudar o mundo a escapar da vida? Abriu o piano e verificou seus alunos da manhã. Miss Betty Brittle, a condessa Wilkowska e Miss Marian Morrow. Eram encantadoras, as três.

Pontualmente às dez e meia, a campainha tocou. Ele foi até a porta. Miss Betty Brittle estava ali, vestida de branco, com suas partituras numa pasta de seda azul.

— Temo estar adiantada — disse ela, corando, tímida, e abriu muito os grandes olhos azuis. — Estou?

— De modo nenhum, querida senhora. Fico mais do que encantado — disse Reginald. — Não quer entrar?

— Está uma manhã tão divina — disse Miss Brittle. — Atravessei o Parque a pé. As flores estavam maravilhosas demais.

— Bem, pense nelas enquanto canta os exercícios — disse Reginald, sentando-se ao piano. — Isso dará cor e calor à sua voz.

Oh, que ideia encantadora! Que gênio era o Sr. Peacock. Ela entreabriu os lábios bonitos e começou a cantar como um amor-perfeito.

— Muito bem, muito bem mesmo — disse Reginald, tocando acordes capazes de levar um criminoso empedernido ao céu. — Faça as notas redondas. Não tenha medo. Demore-se nelas, respire-as como um perfume.

Como estava bonita, parada ali em seu vestido branco, a cabecinha loura inclinada, mostrando a garganta leitosa.

— Você pratica alguma vez diante do espelho? — perguntou Reginald. — Deveria, sabe; torna os lábios mais flexíveis. Venha cá.

Foram até o espelho e ficaram lado a lado.

— Agora cante — mu-i-cu-i-u-i-a!

Mas ela se perdeu e corou ainda mais vivamente.

— Oh — exclamou —, não consigo. Isso me faz sentir tão boba. Dá vontade de rir. Fico tão absurda!

— Não fica, não. Não tenha medo — disse Reginald, mas riu também, muito bondosamente. — Agora, tente outra vez!

A aula simplesmente voou, e Betty Brittle superou por completo sua timidez.

— Quando posso vir de novo? — perguntou, amarrando outra vez as partituras na pasta de seda azul. — Quero fazer tantas aulas quanto puder agora. Oh, Sr. Peacock, eu gosto tanto delas. Posso vir depois de amanhã?

— Querida senhora, ficarei mais do que encantado — disse Reginald, despedindo-a com uma reverência.

Garota gloriosa! E, quando haviam estado diante do espelho, a manga branca dela mal tocara a manga preta dele. Ele podia sentir — sim, podia de fato sentir um ponto quente e incandescente, e o acariciou. Ela adorava suas aulas. Sua esposa entrou.

— Reginald, você pode me dar algum dinheiro? Preciso pagar o leiteiro. E vai jantar em casa esta noite?

— Sim, você sabe que vou cantar na casa de Lord Timbuck às nove e meia. Pode me preparar uma sopa clara, com um ovo dentro?

— Sim. E o dinheiro, Reginald. São oito xelins e seis pence.

— Mas isso é certamente muito caro, não?

— Não, é exatamente o que deve ser. E Adrian precisa de leite.

Lá estava ela — de novo. Agora estava defendendo Adrian contra ele.

— Não tenho o menor desejo de negar a meu filho uma quantidade apropriada de leite — disse ele. — Aqui estão dez xelins.

A campainha tocou. Ele foi até a porta.

— Oh — disse a condessa Wilkowska —, as escadas. Estou sem fôlego.

E pôs a mão sobre o coração ao segui-lo para a sala de música. Estava toda de preto, com um chapeuzinho preto de véu flutuante — violetas no peito.

— Não me faça cantar exercícios hoje — exclamou, abrindo as mãos à sua deliciosa maneira estrangeira. — Não, hoje eu quero apenas cantar canções... E posso tirar minhas violetas? Elas murcham tão depressa.

— Elas murcham tão depressa — elas murcham tão depressa — tocou Reginald no piano.

— Posso pô-las aqui? — perguntou a condessa, deixando-as cair num vasinho diante de uma das fotografias de Reginald.

— Querida senhora, ficarei mais do que encantado!

Ela começou a cantar, e tudo ia bem até chegar à frase: “Tu me amas. Sim, eu sei que me amas!” As mãos dele caíram do teclado, ele girou no banco, voltando-se para ela.

— Não, não; isso não basta. A senhora pode fazer melhor — exclamou Reginald, ardente. — Precisa cantar como se estivesse apaixonada. Escute; deixe-me tentar mostrar. — E cantou.

— Oh, sim, sim. Entendo o que quer dizer — balbuciou a condessinha. — Posso tentar outra vez?

— Certamente. Não tenha medo. Abandone-se. Confesse-se. Faça uma rendição orgulhosa! — bradou ele por cima da música. E ela cantou.

— Sim; melhor desta vez. Mas ainda sinto que a senhora é capaz de mais. Tente comigo. Deve haver também uma espécie de desafio exultante — não sente? — E cantaram juntos. Ah! Agora ela tinha certeza de que compreendia. — Posso tentar mais uma vez?

“Tu me amas. Sim, eu sei que me amas.”

A aula acabou antes que aquela frase estivesse absolutamente perfeita. As pequenas mãos estrangeiras tremiam enquanto juntavam as partituras.

— E a senhora está esquecendo suas violetas — disse Reginald suavemente.

— Sim, acho que vou esquecê-las — disse a condessa, mordendo o lábio inferior.

Que maneiras fascinantes têm essas mulheres estrangeiras!

— E o senhor virá à minha casa no domingo fazer música? — perguntou ela.

— Querida senhora, ficarei mais do que encantado! — disse Reginald.

Não choreis mais, tristes fontes,

Por que precisais correr tão depressa?

cantou Miss Marian Morrow, mas seus olhos se encheram de lágrimas e seu queixo tremeu.

— Não cante agora — disse Reginald. — Deixe-me tocar para você.

Ele tocou tão suavemente.

— Há alguma coisa errada? — perguntou Reginald. — Você não está muito feliz esta manhã.

Não, ela não estava; estava terrivelmente infeliz.

— Você não quer me contar o que é?

Não era realmente nada em particular. Ela às vezes tinha aqueles humores em que a vida parecia quase insuportável.

— Ah, eu sei — disse ele —; se eu ao menos pudesse ajudar!

— Mas ajuda; ajuda! Oh, se não fossem minhas aulas, sinto que não poderia continuar.

— Sente-se na poltrona, sinta o aroma das violetas e deixe-me cantar para você. Isso lhe fará tanto bem quanto uma aula.

Por que nem todos os homens eram como o Sr. Peacock?

— Escrevi um poema depois do concerto de ontem à noite — apenas sobre o que senti. Claro, não era pessoal. Posso enviá-lo ao senhor?

— Querida senhora, ficarei mais do que encantado!

Ao fim da tarde, ele estava bastante cansado e deitou-se num sofá para descansar a voz antes de se vestir. A porta de seu quarto estava aberta. Podia ouvir Adrian e a esposa conversando na sala de jantar.

— Sabe o que esse bule me lembra, Mamãe? Parece um gatinho sentado.

— Parece, Senhor Absurdo?

Reginald cochilou. A campainha do telefone o acordou.

— Aqui é Ænone Fell. Sr. Peacock, acabo de saber que o senhor vai cantar na casa de Lord Timbuck esta noite. Quer jantar comigo, e depois seguimos juntos?

E as palavras de sua resposta caíram como flores pelo telefone.

— Querida senhora, ficarei mais do que encantado.

Que noite triunfal! O pequeno jantar tête-à-tête com Ænone Fell, a ida à casa de Lord Timbuck no automóvel branco dela, quando ela lhe agradeceu outra vez pela alegria inesquecível. Triunfo sobre triunfo! E o champanhe de Lord Timbuck simplesmente corria.

— Tome mais champanhe, Peacock — disse Lord Timbuck.

Peacock, note-se — não Sr. Peacock —, mas Peacock, como se fosse um deles. E não era? Era um artista. Podia fazê-los todos oscilar. E não estava ensinando todos eles a escapar da vida? Como cantou! E, enquanto cantava, como num sonho, via suas plumas, suas flores e seus leques oferecidos a ele, postos diante dele como um enorme buquê.

— Tome mais uma taça de vinho, Peacock.

“Eu poderia ter qualquer uma que quisesse erguendo um dedo”, pensou Peacock, positivamente cambaleando para casa.

Mas, ao entrar sozinho no apartamento escuro, seu maravilhoso sentimento de exaltação começou a refluir. Acendeu a luz do quarto. A esposa jazia adormecida, apertada para o seu lado da cama. De repente, ele se lembrou de como ela dissera, quando ele lhe contara que ia jantar fora: “Você poderia ter me avisado antes!” E de como ele respondera: “Será que você não consegue falar comigo sem ofender nem mesmo as boas maneiras?” Era incrível, pensou ele, que ela se importasse tão pouco com ele — incrível que não tivesse o menor interesse por seus triunfos e sua carreira artística. Quando tantas mulheres no lugar dela teriam dado os olhos... Sim, ele sabia... Por que não reconhecê-lo?... E ali estava ela, uma inimiga, mesmo durante o sono... Seria sempre assim?, pensou ele, o champanhe ainda trabalhando. Ah, se ao menos fôssemos amigos, quanta coisa eu poderia lhe contar agora! Sobre esta noite; até sobre o modo de Timbuck comigo, e tudo o que me disseram, e assim por diante, e assim por diante. Se ao menos eu sentisse que ela está aqui para eu voltar — que posso confiar nela — e assim por diante, e assim por diante.

Em sua emoção, arrancou uma das botinas de noite e simplesmente a atirou no canto. O barulho acordou sua esposa com um sobressalto terrível. Ela se sentou, afastando os cabelos. E ele de repente decidiu fazer mais uma tentativa de tratá-la como amiga, de lhe contar tudo, de conquistá-la. Sentou-se na beira da cama e agarrou uma das mãos dela. Mas, de todas aquelas coisas esplêndidas que tinha a dizer, não conseguiu pronunciar uma única. Por alguma razão diabólica, as únicas palavras que lhe saíram foram:

— Querida senhora, eu ficaria tão encantado — tão encantado!

1/1
Menu

Fazer anotação