Brasília, DF
Merda! Desabotoo os primeiros botões da camisa, tentando respirar um pouco. Bebo mais um gole de uísque. Por que fui me enfiar nesse buraco de merda?! Qual era a porra do problema desse lugar?! Quem eram aqueles cuzões de merda?! Procuro os perfis deles nos arquivos que o Recursos Humanos deixou dias atrás. Eu não entrava numa briga sem conhecer meus adversários, não seria diferente na merda desse lugar. Enquanto estudava o pessoal, não encontrei nada estranho. Só a remoção do antigo responsável pelo financeiro da unidade, acusado de racismo, chamou minha atenção. O cara se enfiou na merda com gosto! Mas esses cuzões de hoje tinham ficha limpa. Por que é que fiquei todo alerta naquela hora? Por que quero investigar esses cuzões? Agora tô com medo de ter deixado passar alguma coisa. Preciso tomar cuidado, não confio nesses filhos da puta nem um pouco.Aquele Fernando, o cara estava realmente tentando, coitado. Chamando ela de Laurinha, como se fosse conseguir alguma coisa. Está na cara que ela não quer nada com esse otário.Será que já tiveram algum lance? Não, não parece. De jeito nenhum. O cara não conseguiu nem calar a boca daquele animal por quem é responsável, como que ia fazer alguma coisa? Aquele escroto do Pablo, arruinava nosso lado. Não sabia fechar a porra da boca dele. Ela pegando fogo, quase metendo a mão na cara dele e o cara cuspindo bosta. Idiota dos infernos. Se trabalhasse pra mim, era rua, sem choro! Mas aqui estava mais protegido, por causa da merda do concurso, botar ele pra fora daqui vai dar muito trampo. Pelo menos, é bom pra ela, esse acordo de trabalho. Se fosse noutro lugar, ela teria que ficar quieta. Já vi isso demais. Também não é como se o imbecil do Pablo tivesse feito alguma coisa realmente errada. Era só um cuzão, fazer o quê? Vou ter que ficar de olho agora. Inferno! Se ele abrir a merda daquela boca de novo pra falar bosta, soco a fuça dele.
Estragou o clima, esses cuzões, eu estava todo felizão de ter ela ali perto, com aquele corpo de matar, toda linda, umas pernas, uma bunda... Não posso pensar nisso. Inferno! Tenho que trabalhar.