Brasília, DF
Quando eu entro no meu apartamento, minhas pernas falham. Há um peso enorme sobre mim. Eu tento controlar a minha respiração, eu tento não me entregar às memórias que eu fazia tanto esforço para esconder. Novamente, eu estava diante de um beco escuro. Alguém era agredido na minha frente e eu perdia todo o meu controle. Eu me tornava um animal mais forte, um que podia combater os outros predadores. Embora presa e predador coexistisse numa binariedade complexa, eu constantemente me esforçava para não virar comida, mesmo ciente de que sempre haveria alguém mais forte. Foi assim que vivi minha vida inteira, mas agora eu estava muito cansada.Então eu ouço, de novo:
Levante-se, Laura. Você não é mulher que fica no chão.
Levante-se agora. Nós não a criamos para ficar aí.
Eu obedeço ao meu próprio comando e me arrasto até a minha cama.