Brasília, Lago Sul Bergmann · Capítulo 57 de 63
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Brasília, Lago Sul

Eu amo esse homem, pensei. Não estava esperando nada muito grandioso, só uma cerimônia simples, na capelinha da minha cidade. Família e amigos, os mais próximos. Só. Em alguns anos, filhos. Uma vida simples. Quando nos conhecemos, naquela viagem doida, eu achei que não era nada demais. Naquele dia, saíam faíscas de seus olhos, ele queria me vencer. Ele me venceu. Depois, combinamos outras viagens, só nós dois. Foi incrível. Eu me apaixonei muito rápido, sem ver. Viajamos, comemos, jogamos, maratonamos filmes e séries, dançamos, transamos, brigamos e fizemos amor. A vida passava num slow motion dahora.Eu acreditei que seria para sempre, até as coisas ficarem realmente sérias entre nós. Eu queria falar para o mundo como nos sentíamos, estava preparado para dar esse passo, mesmo tão assustador. Eu estava pronto para a capelinha, para os ternos branco e creme, para as flores, para os filhos, para pedir a benção de nossas famílias, e aceitar todas as consequências.Mas aí, os sentimentos dele, que pensei que fossem simples, tornaram-se complexos demais. Ele me afastou. Eu tentei entender, pensei que pudesse ser sua família, seus amigos, seu trabalho, suas crenças, sua identidade, a sociedade, seus traumas, suas dúvidas, ou tudo isso junto. Eu esperei. Eu esperei. Eu entendi. Eu esperei. No fim, ele só conseguiu me convencer de que não era nada disso, o problema real eram os seus sentimentos por mim. E se ele não me amava, não tinha nada que pudéssemos fazer.

Antes de partir, tentarei entender mais uma vez e perdoar, porque amar é muito difícil, é a coisa mais difícil que nos pode ser pedida.

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