Brasília, Aeroporto Internacional de Brasília Bergmann · Capítulo 53 de 63
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Brasília, Aeroporto Internacional de Brasília

It was.It was raining.

It was raining when we first met.

Raining like crazy.

I was curious about him. I was curious about that man in front of me. His strange socks and shoes. I was intrigued by his look too. It was raining. It was raining when we first met. I was frozen in the crowd like a corpse, a dead person, deciding what to do next. Should I take another plane? Could they cancel the flight because of the weather? Then he came to me, asking if I was okay. He was wearing a suit, but he had strange colored socks and weird shoes on his feet. It was funny. Usava um crachá com seu nome, um dos três nomes estava destacado, indicando sua preferência. Ahmed Lavi White. Lavi era sua escolha, sua preferência, era como ele queria ser chamado. Eu estava curiosa sobre ele, sobre tudo nele. Seu sobrenome era White, mas ele era preto. Seu nome era Lavi, mas ele usava uma pulseira com crucifixo. Seu nome era Ahmed, mas ele era britânico, aparentemente. He was like a brand-new world to discover, a completely different language to understand. He asked my name.A chuva começava devagar, preguiçosa. Then it was like the world could end. Eu não tinha um guarda-chuva, tudo o que eu tinha eram algumas memórias, nas quais me afoguei.

“Are you really okay, Laura?”, he asks me again.

Eu estava submersa, mas sua pergunta me faz voltar à superfície. Mesmo assim, não sei o que responder. Provavelmente não, não estou nada bem, ainda estava confusa, sem saber o que fazer. O que eu vou fazer com elas agora? O que eu vou fazer com todas essas memórias? Eu me levantei, mas parece que ainda estou no chão. Como se recupera de algo assim? Por que eu deixei as coisas chegarem a esse ponto? Eu achei que sairia ilesa desse jogo, mas ele ganhou. Ele me venceu. Nenhuma derrota doeu tanto quanto esta. O que eu vou fazer agora? O que eu vou fazer com essa chuva que me lembra o dia em que nos conhecemos? O que eu vou fazer com esse medo? O que eu vou fazer?

“I think there’s something in your hair”, ele diz enquanto se aproxima, tocando meu cabelo, cuidadoso.E num instante, num gesto sutil que me surpreende, ele move minha cabeça em direção ao seu peito. Só aí percebo que estou chorando. Não havia nada no meu cabelo, eu tenho certeza, mas eu aceito esse abraço, estranho, peaceful, warm and quiet. Talvez ele seja algum especialista em psicologia ou psiquiatria, porque ele sabe exatamente o que fazer.

Eu quero descansar, eu quero dormir. Acho que passei a minha vida toda tentando ser o mais forte que eu pudesse ser, gastando todas as minhas energias nesse empreendimento, porém, agora eu quero descansar, só descansar, sem pagar um preço muito alto por isso. Seria possível? Será possível descansar sem pagar tão caro por isso? Eu quero um sono tranquilo, que não me assuste, eu quero uma morte tranquila. Será que ainda precisaria esperar muito tempo pelo meu descanso?

“You’ll be alright, Laura”, Lavi afirma, numa voz doce. “Don’t worry anymore, okay?”

Eu acredito nele, acredito que vou ficar bem, que tudo vai passar. Não sei onde consigo coragem para acreditar nisso de novo, mas eu acredito, mais uma vez.A minha viagem não foi planejada, eu simplesmente acordei na manhã seguinte ao desastre e parti, sem dar muitas explicações. Eu tinha muitas folgas para tirar, nem lembrava a última vez que havia tirado férias, então a administração pública me devia essa. Eu parti sem muito rumo, só precisava de um tempo sozinha, longe de tudo. Minhas memórias e emoções estavam descontroladas, eu não conseguia lidar com muita coisa. Eu já estava cansada de ficar murmurando para mim mesma o mesmo mantra de sempre, exigindo uma força que talvez nem precisasse ter, pelo menos não o tempo todo. Então eu desembarquei ali e fiquei fascinada por umas meias coloridas, dentro de um sapato também um pouco estranho, estava pensando se devia pegar qualquer outro voo para bem longe desse lugar. Estava pensando que lembraria dele agora toda vez que chovesse. Estava pensando que não queria pensar nele no tempo passado.

Quando me dou conta disso, eu me assusto, eu acordo, entendo que tem um estranho me abraçando. Eu o afasto de forma abrupta. Não é esse o homem que me faz dormir.Mas ele tem um sorriso muito gentil no rosto, e conseguiu me acalmar por momento, então eu vou lhe agradecer, antes de partir.

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