Brasília, DF Bergmann · Capítulo 37 de 63
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Brasília, DF

Eu paro um momento, tentando recuperar meu fôlego. As crianças ainda correm pela casa, deixando um rastro de destruição por onde elas passam. Eu começo a chorar, tentando engolir pelo menos os soluços para que elas não me vejam. Meu Deus, como eu posso dar conta disso tudo? Meu marido viajava de novo, precisava fazer outro carregamento, numa cidade que nem lembro o nome. Ficaria quase uma semana longe de casa. Enquanto isso, eu precisava lidar com o apocalipse, como fazia todas as vezes em que ele ficava longe por tanto tempo.Deus, eu sou grata pela saúde dos meus filhos, mas será que eles não podiam ter vindo com um pouco menos de energia? Imploro, e logo me arrependo, temendo que Deus pudesse me escutar e fazer as crianças ficarem doentes.

Seco minhas lágrimas, e tento mais uma vez. Preciso dar banho nas crianças, vesti-las, ligar para o supermercado e pedir o suficiente para uma semana, preparar seus lanches, preparar nosso almoço, avisar a babá sobre os horários da semana, rezando para que ela não me deixasse na mão de novo.Preciso ligar para o motorista que leva as crianças na escola, combinar os horários da semana, rezando para que ele não tivesse nenhum imprevisto ou outras corridas agendadas. E precisava me lembrar de pegar os novos uniformes das crianças quando saísse do trabalho.

É, ainda tinha o meu trabalho. Todas as minhas oito horas diárias, cinco dias por semana. Não, eu não podia sair agora, meu marido não vai dar conta de pagar todas as nossas despesas sozinho. E o pior já havia passado, eu não tinha mais nenhum bebê, precisando de amamentação. Se não tivéssemos decidido ter mais uma criança, as coisas seriam mais fáceis. Não! Meu Deus, me perdoe! Eu não quero dizer que não amo meu filho! Por favor, me perdoe! Eu quero o meu filho! Ele foi um presente que o Senhor me enviou! Ele cuidará das irmãs, quando elas crescerem! Bem, elas cuidarão dele, porque ele é o caçula.Deus, por favor, me perdoe!

Eu só estou cansada, vou melhorar quando finalmente a noite chegar, quando eu finalmente conseguir fazer as crianças dormirem, quando eu lhes cobrir, admirada com seus rostos angelicais, admirada com a beleza da minha vida. Eu amo meus três filhos, faria qualquer coisa por eles. Estou aguentando firme por eles. Quando a noite chegar, quando eu finalmente conseguir dormir, se tudo der certo, eu vou me lembrar como é bom o presente que o Senhor me deu: esta vida, meu marido e meus três filhos. Obrigada, Senhor. Eu te louvo e agradeço. Derrame suas bençãos sobre mim e minha família. Proteja o meu marido nessas estradas, traga ele são e salvo para casa, por favor. Proteja meus filhos, Senhor. Proteja-me, Senhor. Eu te louvo e agradeço. Obrigada, Senhor. Só é mais um dia difícil, vai passar. Amém!

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