Minas Gerais, Interior Bergmann · Capítulo 25 de 63
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Minas Gerais, Interior

“Eu não sei que porcaria você pensa que está fazendo com sua vida, Maria, mas você precisa acordar”, Beto quase grita. “É legal estar com essa galera, só que você precisa ficar esperta. Berg é um cara legal no rolê. No rolê, entendeu? Não pense nele fora de lá, não leve esse cara pra sua vida. Ele fica com qualquer uma, então, se não quer ser qualquer uma, se liga!”Minha cabeça explodia, eu podia entender o meu amigo, mas queria tanto estar enganada, queria tanto que ele estivesse enganado. Por algum motivo, eu não conseguia me iludir totalmente. Talvez fosse o comportamento de Bergmann nos dias seguintes àquele. Ele não voltou a falar comigo, parecia me evitar. Eu me aproximava, ele afastava, sem nenhuma desculpa, sem cerimônia, como se ficar perto de mim fosse incômodo, desagradável. Ou talvez estivesse apenas esclarecendo as coisas: ele não queria mais nada comigo.Fui tão idiota, tão estúpida, tão tola.

Apesar de ainda confiar nele, de um jeito estranho porque ele nunca dera motivos para isso, algumas pessoas do grupo ficaram sabendo sobre nós, então não pude evitar a dúvida. Eu estava exposta, alvo de cochichos, de comentários entre os meninos nas mesas de bar, entre as meninas na manicure, entre todos eles nas festas do clube. Eu não podia acreditar que Bergmann tivesse contado, acreditava mais na possibilidade de alguém ter nos visto naquele dia. De toda forma, eu era a única exposta, porque, conforme logo descobri, não era a primeira vez que Bergmann transava com uma menina virgem. Nesses ciclos, ele era elogiado como se fosse alguma espécie de modelo ou super-herói para os outros meninos, enquanto eu saí da história como a garota burra que ficou com o maior pegador do grupo.

E assim eu fui me afastando deles, todos eles.O momento decisivo para isso foi quando uma das inúmeras garotas declaradamente a fim de Bergmann veio me dizer, como se fossemos amigas, que eu não precisava ficar com vergonha, porque eu não tinha sido a primeira a me enganar pela encenação de Bergmann, com sua voz e violão e um olhar que nos fazia sentir únicas e especiais.

Então eu acreditei, acreditei em todos eles, e duvidei de mim. Fiz tudo o que eu pude para correr daquela cidade, como se precisasse fugir dali. Precisava respirar, e não poderia fazer isso no pequeno amontoado de pedras que formavam casas tombadas pela prefeitura.

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