Súplica Sarças de Fogo · Capítulo 8 de 29
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Súplica

Falava o sol. Dizia:

"Acorda! Que alegria

Pelos ridentes céus se espalha agora!

Foge a neblina fria.

Pede-te a luz do dia,

Pedem-te as chamas e o sorrir da aurora!"

Dizia o rio, cheio

De amor, abrindo o seio:

"Quero abraçar-te as formas primorosas!

Vem tu, que embalde veio

O sol: somente anseio

Por teu corpo, formosa entre as formosas!

Quero-te inteiramente

Nua! quero, tremente,

Cingir de beijos tuas róseas pomas,

Cobrir teu corpo ardente,

E na água transparente

Guardar teus vivos, sensuais aromas!"

E prosseguia o vento:

"Escuta o meu lamento!

Vem! não quero a folhagem perfumada;

Com a flor não me contento!

Mais alto é o meu intento:

Quero embalar-te a coma desnastrada!"

Tudo a exigia... Entanto,

Alguém, oculto a um canto

Do jardim, a chorar, dizia: "Ó bela!

Já te não peço tanto:

Secara-se o meu pranto

Se visse a tua sombra na janela!"

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