Rio Abaixo Sarças de Fogo · Capítulo 10 de 29
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Rio Abaixo

Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...

Quase noite. Ao sabor do curso lento

Da água, que as margens em redor alaga,

Seguimos. Curva os bambuais o vento.

Vivo há pouco, de púrpura, sangrento,

Desmaia agora o ocaso. A noite apaga

A derradeira luz do firmamento.

Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.

Um silêncio tristíssimo por tudo

Se espalha. Mas a lua lentamente

Surge na fímbria do horizonte mudo:

E o seu reflexo pálido, embebido

Como um gládio de prata na corrente,

Rasga o seio do rio adormecido.

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