A Canção de Romeu Sarças de Fogo · Capítulo 28 de 29
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A Canção de Romeu

Abre a janela... acorda!

Que eu, só por te acordar,

Vou pulsando a guitarra, corda a corda,

Ao luar!

As estrelas surgiram

Todas: e o limpo véu,

Como lírios alvíssimos, cobriram

Do céu.

De todas a mais bela

Não veio inda, porém:

Falta uma estrela... És tu! Abre a janela,

E vem!

A alva cortina ansiosa

Do leito entreabre; e, ao chão

Saltando, o ouvido presta à harmoniosa

Canção.

Solta os cabelos cheios

De aroma: e seminus,

Surjam formosos, trêmulos, teus seios

À luz.

Repousa o espaço mudo;

Nem uma aragem, vês?

Tudo é silêncio, tudo calma, tudo

Mudez.

Abre a janela, acorda!

Que eu, só por te acordar,

Vou pulsando a guitarra corda a corda,

Ao luar!

Que puro céu! que pura

Noite! nem um rumor..

Só a guitarra em minhas mãos murmura:

Amor!...

Não foi o vento brando

Que ouviste soar aqui:

É o choro da guitarra, perguntando

Por ti.

Não foi a ave que ouviste

Chilrando no jardim:

É a guitarra que geme e trila triste

Assim.

Vem, que esta voz secreta

É o canto de Romeu!

Acorda! quem te chama, Julieta,

Sou eu!

Porém... Ó cotovia,

Silêncio! a aurora, em véus

De névoa e rosas, não desdobre o dia

Nos céus...

Silêncio! que ela acorda...

Já fulge o seu olhar...

Adormeça a guitarra, corda a corda,

Ao luar!

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