No Cárcere Sarças de Fogo · Capítulo 23 de 29
Obra Menu

No Cárcere

Por que hei de, em tudo quanto vejo, vê-la?

Por que hei de eterna assim reproduzida

Vê-la na água do mar, na luz da estrela,

Na nuvem de ouro e na palmeira erguida?

Fosse possível ser a imagem dela

Depois de tantas mágoas esquecida!...

Pois acaso será, para esquecê-la,

Mister e força que me deixe a vida?

Negra lembrança do passado! lento

Martírio, lento e atroz! Por que não há de

Ser dado a toda a mágoa o esquecimento?

Por quê? Quem me encadeia sem piedade

No cárcere sem luz deste tormento,

Com os pesados grilhões desta saudade?

1/1
Menu

Fazer anotação