Ii. A Cruz Primeiros Cantos · Capítulo 23 de 45
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Ii. A Cruz

Ii. A Cruz

Era um templo d’arabica structura,

Magestoso, elegante;-alem das nuvens

Se entranhava nos céos subtil a agulha;

Sobre o zimborio retumbante e vasto

Ondas e ondas de vapor crescião.

Dentro corrião tres compridas naves

Sobre dois renques de columnas, onde

Baixos relevos da sagrada historia

Da base ao capitel se emmaranhavão.

Ardia a luz na alampada sagrada;

No sagrado instrumento o som dormia.

Junto á cruz-da fachada egregia pompa-

Muitos homens eu vi de torvo aspecto;

Muitos outros, servís, com mão armada

Profundos golpes entalhavão nella.

Um daquelles no emtanto assim fallava:

«Quando esta humilde cruz rojar por terra;

«Levando a crença de Jesus comsigo

«Nós outros, da verdade Sacerdotes,

«Nós Doutores do mundo, nós Luzeiros

«Que desvendamos a impostura, o erro,

«A mentira sagaz, a crença louca,

«Entrada facil da razão no templo

«Teremos todos; e de então no throno,

«Do nescio vulgo imparciaes sob’ranos,

«Sanctos juises da verdade sancta,

«Pregaremos o justo, a paz, concordia

«E os seus deveres que dimanão faceis

«Do amor do lucro e do interesse; todos

«-Vasallos da razão, nossos vassallos-

«Um eden terreal farão do mundo.»

No emtanto aos crebros golpes do machado

A cruz pendia obliqua sobre a terra.

Creando novas forças com tal vista,

Os operarios mais frequentes golpes

Repetem, vibrão, continuão;-sôa

Por toda a parte o echo,-o som, mais longe,

Retumba, morre-e novamente echôa.

Nisto a cruz-geme-estrala; um grito sóbe

Unisono e geral!...

Como sois grande,

Senhor, Senhor meo Deos!-Eu vi, morrendo

Os obreiros cahir; e a cruz erguer-se,

Como aos raios do sol a flor mimosa

Que a raiva do tufão vergára insana.

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