O Meu Batismo Poesia Satírica e Versos de Circunstância · Capítulo 4 de 19
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O Meu Batismo

Quis alegre surgir pela manhã

Do dia de hoje a procurar alguém

Que quisesse a alegria honesta e sã

Que estas páginas trêfegas contêm.

Fugindo ao nosso eterno rã-me-rã

Busquei um nome que casasse bem

Aos gostos de uma folha folgazã,

E a meu próprio aqui dou meu parabém!

Lembraram-me diversos, mas nenhum

Deles, não sei por que, pude achar bom

E quase estive a batizar-me Pum!

Mas passa um automóvel. Pego o som:

Fan-fan Fen-fen Fin-fín Fon-fon Fun-fun De fan-fen-fin-fon-fun, quis ser Fon-Fon!

Fon-Fon, Rio de Janeiro, 1(1), abril, 1907, CÃO QUE LADRA...

Um fato que nos campos é freqüente

Agora, na lembrança se me aviva:

Se um trem Passa, por eles, velozmente,

Ladram os cães contra a locomotiva!

Esforço vão, estúpido e impotente!

Segue a máquina audaz, serena e altiva

E eles mal voltam, dolorosamente,

Na fraqueza da raiva inofensiva!

Tiremos neste caso, a semelhança:

De Rio Branco o nome, o mundo inteiro,

Corre veloz e à própria glória alcança!

Ladra Zebal os! Ladra bom rafeiro!

Em tal ódio e tal sede de vingança,

Nem te percebe o Grande Brasileiro!

GASTON D'ARGY

Fon-Fon, Rio de Janeiro, 3(50), 11 dez. 1909.

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