O Meu Batismo
Quis alegre surgir pela manhã
Do dia de hoje a procurar alguém
Que quisesse a alegria honesta e sã
Que estas páginas trêfegas contêm.
Fugindo ao nosso eterno rã-me-rã
Busquei um nome que casasse bem
Aos gostos de uma folha folgazã,
E a meu próprio aqui dou meu parabém!
Lembraram-me diversos, mas nenhum
Deles, não sei por que, pude achar bom
E quase estive a batizar-me Pum!
Mas passa um automóvel. Pego o som:
Fan-fan Fen-fen Fin-fín Fon-fon Fun-fun De fan-fen-fin-fon-fun, quis ser Fon-Fon!
Fon-Fon, Rio de Janeiro, 1(1), abril, 1907, CÃO QUE LADRA...
Um fato que nos campos é freqüente
Agora, na lembrança se me aviva:
Se um trem Passa, por eles, velozmente,
Ladram os cães contra a locomotiva!
Esforço vão, estúpido e impotente!
Segue a máquina audaz, serena e altiva
E eles mal voltam, dolorosamente,
Na fraqueza da raiva inofensiva!
Tiremos neste caso, a semelhança:
De Rio Branco o nome, o mundo inteiro,
Corre veloz e à própria glória alcança!
Ladra Zebal os! Ladra bom rafeiro!
Em tal ódio e tal sede de vingança,
Nem te percebe o Grande Brasileiro!
GASTON D'ARGY
Fon-Fon, Rio de Janeiro, 3(50), 11 dez. 1909.