Mesmice
Quisera eu pôr nestes quatroze versos
Um leve, fino, alegre comentário
A algum novo e notável caso diário,
Entre ps casos urbanos mais diversos.
Percorro dos jornais o noticiário,
Leio artigos e tópicos dispersos,
A pedidos satânicos, perversos,
Desastres, crimes, contos-do-vigário.
Nada encontro que inspire à alegre musa
Uma nota satírica e atrevida
Que nos nervos um frémito produz.
É sempre a mesma coisa repetida:.
Luza o sol, venha a noite, o sol reluza, Como, o banal, se reproduz a vida!
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1460, 21 dez. 1911, p. 1.