Esculapinho Poesia Satírica e Versos de Circunstância · Capítulo 16 de 19
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Esculapinho

1 A porta da nomeada a muque arromba,

Pula a janela da celebridade,

Como o Quincas Barbeiro ou o Chico Bomba, No subúrbio, ou no centro da cidade.

5 Nada aplaca o furor que a alma lhe invade Ao sentir que, alto, o nome não ribomba, Mas abafa, com manha e habilidade,

O uivar da fera no arrulhar da pomba.

9 Pônei quer ser quando a trotar se atira.

Mas, por muito que, a andar, ele se esgote Todos sabem que ele é trêfego piquira.

12 Vence, entretanto, um puro-sangue ao trote, Se o alazonado bigodinho vira,

Na forma de um anzol de pesca ao dote.

NÃO É CHORO, É CHORADEIRA

1 Nesta hora em que chora tudo

Em choro alto ou choro mudo,

Tudo em berreiro infernal,

O Laláo geme na pua

Vendo a bernarda na rua

Com mestre Aurelino Leal

Que vai armando a cafua

A bicha vendo estourar

Sem a saída encontrar

Na terra, no sol, na lua.

10 Chora o rico, chora o pobre

Mendigo ou cheio de cobre

Nobre, clérigo ou vilão.

Chora o Lauro a investidura

Que lhe deve dar postura

E Enéas, todo chorão

Vai gemendo a maldição:

"Este Lauro é um caradura!'

18 Assim, ganindo no choro,

Mil voltas ao corpo dá,

E a choradeira faz coro:

- "Pobres terras do Pará!"

22 Neste angu de frigideira

Nesta geral borracheira

Borracheira de chorar,

Os juízes na bebedeira

Andam em vil pagodeira

A justiça a avacalhar

Explorando a ladroeira.

- Vamos lá mestre Laláo:

De vez lhe meta o pau,

Nós cá estamos na bordoeira!

32 Nem o diabo já os atura

No desplante a caradura

De comer, beber, jogar.

Em tudo isto o que se apura

É que, quem sofre a tortura

De não ter com que passar,

Não deve fazer loucura

Que não traz o bem-estar.

Entre no choro a chorar:

"Choro com choro se cura."

42 Só não chora quem mergulha

Uma vez, duas ou dez,

Nesta versalhada pulha

A cabeça, o tronco, os pés.

Nestes negócios de choro,

O pessoal perde o decoro

Pondo a tristeza em frangalho;

Pois é tal a contradança

Que este grito os céus alcança:

- Viva a vida! Viva 0 Malho!

52 Se é o fastio que em ti medra,

Ou fome de comer pedra,

Não terás muito trabalho

Em achar remédio certo.

É entrares no céu aberto

Que há nas páginas d'O Malho!

58 Juiz a quem a honra abona

Ou juiz que vive na mona,

Na roleta ou no baralho,

Ricaços ou poetas boémios,

todos confiam nos prêmios

Que vai distribuir O Malho.

1 Arrisquemos um leve comentário

As decisões do Tribunal Supremo.

Não se compreende o seu critério vário

Quanto se trata de recurso extremo.

5 Ontem de um modo, hoje é o contrário E a vítima só diz: "Eu todo tremo

Porém protesto contra o meu fadário.

Isto é justiça- Pois que a leve o demo!"

9 Nestes casos a vítima é o prefeito Que em apuros agora se coloca

Pela nova feição que teve o feito.

12 Que o Doutor Passos fique, pois, à coca, E espere firme que ainda vence o pleito

Sobre os prédios do Largo da Carioca.

Rio, 28-6-904

1 No calçamento que se está fazendo

Em a toda a rua de Gonçalves Dias,

E que o aspecto lhe dá de caos horrendo, Apressaram-se as duas companhias.

5 A Gás e a City, o proverbial remendo Fizeram, (em dois tempos, ou dois dias)

O Van-Erven, porém, - homem tremendo!-

Só procura conflitos e arrelias!

9 Ele desmanchou. Ele demora tudo,

E toda a urgência do abastecimento,

D'água, ele diz que ainda é questão de estudo!

12 E estuda, sem perder um só momento,

Mas quanto mais estuda, mais a miúdo

Se lhe percebe a falta de talento.

1 Mais um trabalho do Bilac

E mais outro também do nosso Guima.

Aquele o poeta de maior destaque

E este, outro mestre emérito da rima.

5 Em novo livro vieram dar o baque

No Castilho que andava em grande estima

Com tal livro (que a crítica embasbaque!), Até um novo é capaz de uma obra-prima!

9 Velhos e novos, pois, que sem demora Comprem do Alves a esplêndida edição,

Desse novo que ao poeta a arte melhora,

12 Poeta! não basta ter imaginação!

A "Arte do Verso" ide buscar agora, No Tratado de Versificação!

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