Esculapinho
1 A porta da nomeada a muque arromba,
Pula a janela da celebridade,
Como o Quincas Barbeiro ou o Chico Bomba, No subúrbio, ou no centro da cidade.
5 Nada aplaca o furor que a alma lhe invade Ao sentir que, alto, o nome não ribomba, Mas abafa, com manha e habilidade,
O uivar da fera no arrulhar da pomba.
9 Pônei quer ser quando a trotar se atira.
Mas, por muito que, a andar, ele se esgote Todos sabem que ele é trêfego piquira.
12 Vence, entretanto, um puro-sangue ao trote, Se o alazonado bigodinho vira,
Na forma de um anzol de pesca ao dote.
NÃO É CHORO, É CHORADEIRA
1 Nesta hora em que chora tudo
Em choro alto ou choro mudo,
Tudo em berreiro infernal,
O Laláo geme na pua
Vendo a bernarda na rua
Com mestre Aurelino Leal
Que vai armando a cafua
A bicha vendo estourar
Sem a saída encontrar
Na terra, no sol, na lua.
10 Chora o rico, chora o pobre
Mendigo ou cheio de cobre
Nobre, clérigo ou vilão.
Chora o Lauro a investidura
Que lhe deve dar postura
E Enéas, todo chorão
Vai gemendo a maldição:
"Este Lauro é um caradura!'
18 Assim, ganindo no choro,
Mil voltas ao corpo dá,
E a choradeira faz coro:
- "Pobres terras do Pará!"
22 Neste angu de frigideira
Nesta geral borracheira
Borracheira de chorar,
Os juízes na bebedeira
Andam em vil pagodeira
A justiça a avacalhar
Explorando a ladroeira.
- Vamos lá mestre Laláo:
De vez lhe meta o pau,
Nós cá estamos na bordoeira!
32 Nem o diabo já os atura
No desplante a caradura
De comer, beber, jogar.
Em tudo isto o que se apura
É que, quem sofre a tortura
De não ter com que passar,
Não deve fazer loucura
Que não traz o bem-estar.
Entre no choro a chorar:
"Choro com choro se cura."
42 Só não chora quem mergulha
Uma vez, duas ou dez,
Nesta versalhada pulha
A cabeça, o tronco, os pés.
Nestes negócios de choro,
O pessoal perde o decoro
Pondo a tristeza em frangalho;
Pois é tal a contradança
Que este grito os céus alcança:
- Viva a vida! Viva 0 Malho!
52 Se é o fastio que em ti medra,
Ou fome de comer pedra,
Não terás muito trabalho
Em achar remédio certo.
É entrares no céu aberto
Que há nas páginas d'O Malho!
58 Juiz a quem a honra abona
Ou juiz que vive na mona,
Na roleta ou no baralho,
Ricaços ou poetas boémios,
todos confiam nos prêmios
Que vai distribuir O Malho.
1 Arrisquemos um leve comentário
As decisões do Tribunal Supremo.
Não se compreende o seu critério vário
Quanto se trata de recurso extremo.
5 Ontem de um modo, hoje é o contrário E a vítima só diz: "Eu todo tremo
Porém protesto contra o meu fadário.
Isto é justiça- Pois que a leve o demo!"
9 Nestes casos a vítima é o prefeito Que em apuros agora se coloca
Pela nova feição que teve o feito.
12 Que o Doutor Passos fique, pois, à coca, E espere firme que ainda vence o pleito
Sobre os prédios do Largo da Carioca.
Rio, 28-6-904
1 No calçamento que se está fazendo
Em a toda a rua de Gonçalves Dias,
E que o aspecto lhe dá de caos horrendo, Apressaram-se as duas companhias.
5 A Gás e a City, o proverbial remendo Fizeram, (em dois tempos, ou dois dias)
O Van-Erven, porém, - homem tremendo!-
Só procura conflitos e arrelias!
9 Ele desmanchou. Ele demora tudo,
E toda a urgência do abastecimento,
D'água, ele diz que ainda é questão de estudo!
12 E estuda, sem perder um só momento,
Mas quanto mais estuda, mais a miúdo
Se lhe percebe a falta de talento.
1 Mais um trabalho do Bilac
E mais outro também do nosso Guima.
Aquele o poeta de maior destaque
E este, outro mestre emérito da rima.
5 Em novo livro vieram dar o baque
No Castilho que andava em grande estima
Com tal livro (que a crítica embasbaque!), Até um novo é capaz de uma obra-prima!
9 Velhos e novos, pois, que sem demora Comprem do Alves a esplêndida edição,
Desse novo que ao poeta a arte melhora,
12 Poeta! não basta ter imaginação!
A "Arte do Verso" ide buscar agora, No Tratado de Versificação!