Erasmo E Fafãnio Poesia Satírica e Versos de Circunstância · Capítulo 6 de 19
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Erasmo E Fafãnio

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D'O País de hoje, o rodapé Erasmo

Faz a Fafânio em fase pudibunda

E recatado, tímido entusiasmo.

Erasmo é doce. Não compreendo a tunda

Que Fafânio levou de causar pasmo,

E em melífluas tiradas ele abunda

Contra a crítica, a sátira, o sarcasmo.

Eu não sei quem o nome a Erasmo tome

Para elogiar essa literatura

Em que Fafânio tanto se consome.

Se ensandeceu Fafânio, ninguém jura; Porém é natural que, honrando o nome,

Faça Erasmo, o elogio da loucura.

Peixão Afroito

Folha do Dia, Rio de Janeiro, 23 ago. 1911, p. 1.

"Entende o doutor Afrânio,

E aos colegas que meter,

À viva força, no crânio,

O seu modo de entender,

Que a erudita Academia,

Da qual é membro influente,.

Da nossa sabedoria

Deve tornar-se expoente.

Aqui do fundo insondável

Da minha triste consciência,

Deixe o doutor que estranhável

Eu ache a tal expoência.

Se vingar mesmo a teoria

Que o doutor vive a pregar,

Veremos a Academia

Transformada num bazar... ",

Esta idéia de almoço, eu por mim já sabia, Não podia deixar de ser obra do Oswaldo, Pois o que mais lhe ameiga e abranda a fantasia É o gozo do pirão, é a bóia, é o grude, é o caldo.

Entre um novo sermão e uma nova iguaria

Fica, de senso falho, e de bom senso baldo.

Ele ingere um tutu, rosnando a Ave-Maria E, deglutindo um bife, invoca São Geraldo.

Já que a mesa me traz a estupenda vantagem De ver-vos a meu lado, alegres, fartos, sãos, Mastiguei e digiro, a gosto, esta homenagem.

Mas, olhem! Tudo na vida tem o seu senão: Depois de tanto cibo e tanta beberagem

Não vá da idéia o pai morrer de indigestão.

A Cigarra, São Paulo, mar. 1917.

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