Erasmo E Fafãnio
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D'O País de hoje, o rodapé Erasmo
Faz a Fafânio em fase pudibunda
E recatado, tímido entusiasmo.
Erasmo é doce. Não compreendo a tunda
Que Fafânio levou de causar pasmo,
E em melífluas tiradas ele abunda
Contra a crítica, a sátira, o sarcasmo.
Eu não sei quem o nome a Erasmo tome
Para elogiar essa literatura
Em que Fafânio tanto se consome.
Se ensandeceu Fafânio, ninguém jura; Porém é natural que, honrando o nome,
Faça Erasmo, o elogio da loucura.
Peixão Afroito
Folha do Dia, Rio de Janeiro, 23 ago. 1911, p. 1.
"Entende o doutor Afrânio,
E aos colegas que meter,
À viva força, no crânio,
O seu modo de entender,
Que a erudita Academia,
Da qual é membro influente,.
Da nossa sabedoria
Deve tornar-se expoente.
Aqui do fundo insondável
Da minha triste consciência,
Deixe o doutor que estranhável
Eu ache a tal expoência.
Se vingar mesmo a teoria
Que o doutor vive a pregar,
Veremos a Academia
Transformada num bazar... ",
Esta idéia de almoço, eu por mim já sabia, Não podia deixar de ser obra do Oswaldo, Pois o que mais lhe ameiga e abranda a fantasia É o gozo do pirão, é a bóia, é o grude, é o caldo.
Entre um novo sermão e uma nova iguaria
Fica, de senso falho, e de bom senso baldo.
Ele ingere um tutu, rosnando a Ave-Maria E, deglutindo um bife, invoca São Geraldo.
Já que a mesa me traz a estupenda vantagem De ver-vos a meu lado, alegres, fartos, sãos, Mastiguei e digiro, a gosto, esta homenagem.
Mas, olhem! Tudo na vida tem o seu senão: Depois de tanto cibo e tanta beberagem
Não vá da idéia o pai morrer de indigestão.
A Cigarra, São Paulo, mar. 1917.